CINEMA

Humanidade está prestes a ser dizimada por alienígenas em A Quinta Onda

Adaptado de série de best-sellers, novo filme de J. Blakeson apresenta futuro distópico, mas não convence

Mari Frazão
Mari Frazão
Publicado em 21/01/2016 às 8:28
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Adaptado de série de best-sellers, novo filme de J. Blakeson apresenta futuro distópico, mas não convence - FOTO: Divulgação
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Em um cenário pós-apocalíptico, podemos até conceber que uma criança tenha sua infância roubada e seja enfiada em uma base militar – desde que exista um bom enredo que o justifique. A Quinta Onda, longa baseado no primeiro volume da trilogia sci-fi de Rick Yancey, poderia usufruir da narrativa sagaz da série de best sellers, mas peca na adaptação. Aliás, em meio a um forte mercado editorial voltado para o público young adult, são poucas as iniciativas cinematográficas que fazem jus ao sucesso literário.

A franquia Jogos Vorazes é um exemplo que rendeu, além de milhões em bilheteria, boas atuações e diálogos bem lapidados. Isso se deve, ao menos em parte, à construção dos personagens: apresentados no fundo do poço de suas existências já atribuladas e forçados pelo instinto de sobrevivência em uma situação extrema, ninguém questiona as crianças de armas em punho na tetralogia baseada nos romances de Suzanne Collins. Acrescentando um pano de fundo político assustador, porém perfeitamente verossímil, temos um sucesso que agradou muito além de seu público-alvo. Já o novo filme do diretor britânico J. Blakeson (O abismo do medo 2) não mostra o mesmo esmero na concepção de seus protagonistas.

A trama apresenta um futuro distópico onde quatro ondas letais, produzidas por alienígenas hostis, dizimaram boa parte da população terrestre. No trailer, Cassie Sullivan (Chloë Grace Moretz) adianta: “Primeiro, eles cortaram nossa energia, lançando nosso mundo no caos. Aí, tomaram nossas cidades, aniquilando tudo. Depois, tiraram nossas vidas com um vírus de contágio aéreo”. As estratégias empregadas pelos extraterrestres (aqui chamados de "os Outros") para dominar nosso planeta são intrigantes, mas ficam perdidas ante a direção capenga e as atuações debilitadas do elenco.

Em cena, os espectadores veem uma Terra devastada onde os sobreviventes ainda não parecem ter caído na real. No entanto, o cunho dramático é quase que inteiramente carregado pelo ator Nick Robinson (Jurassic World), aparentemente o único que se esforça para dar veracidade à história. Até a excelente Chloë Grace Moretz (Kick-Ass e Deixe-me Entrar) parece perdida. A narrativa degringola de vez quando somos apresentados a Ringer (Maika Monroe), que deveria ser uma personagem feminina empoderada, mas aparece destituída de apelo ou carisma, e ao galã Evan Walker (Alex Roe), um mocinho clichê que abusa de frases feitas. 

Embora os efeitos visuais sejam de fato impressionantes, acabam falhando em imprimir realismo ao longa: afinal, resta pouca credibilidade a um planeta Terra onde, após uma série de tsunamis e o colapso do sistema de água encanada, a protagonista passa seu tempo em cena com os cabelos impecáveis.

A Quinta Onda estreia nesta quinta-feira (21) nos cinemas brasileiros.

Veja o trailer: 

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