CINEMA

O filme da vida de Selton Mello

Ator e diretor falta de O Filme da Minha Vida, que estreia nesta quinta-feira (3/8)

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 01/08/2017 às 6:00
Vitrine Filmes/Divulgação
Ator e diretor falta de O Filme da Minha Vida, que estreia nesta quinta-feira (3/8) - FOTO: Vitrine Filmes/Divulgação
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Nos últimos 15 dias, o ator e diretor mineiro Selton Mello, 44 anos, visitou mais de 10 cidades brasileiras para acompanhar as pré-estreias de O Filme da Minha Vida, seu terceiro longa-metragem, que entra em cartaz nesta quinta-feira (3/8) em 260 salas de cinema, sob uma grande expectativa de crítica e de público. Afinal, O Palhaço, o segundo filme que ele dirigiu, em 2011, foi um surpreendente sucesso de bilheteria, com mais de 1,5 milhão de ingressos vendidos.

O Palhaço foi lançado num momento de euforia econômica e talvez fosse um filme mais direto ao ponto. Esse novo também é para o grande público, mas é mais refinado. Tenho acompanhado o filme e acho que ele vem batendo exatamente porque está uma desgraça aqui fora. O cinema é dos sonhadores e o filme tem causado encantamento. Se vai repetir o êxito de O Palhaço ou vai render menos por causa da crise, não dá pra gente saber”, disse Selton, na noite do último sábado, pouco antes de seguir para uma sessão de O Filme da Minha Vida, no Shopping Plaza, em Casa Forte.

ANTÔNIO SKARMETA

Nos dois primeiros anos após o lançamento de O Palhaço, Selton e Marcelo Vindicato – corroterista dos seus filmes desde Feliz Natal, de 2008 – passaram vários meses procurando uma nova história para contar. Ele disse que a chegada às suas mãos do romance Um Pai de Cinema, do chileno Antônio Skármeta, foi um grande acaso: “Skármeta tem uma grande ligação com o Brasil, é amigo de Toquinho, com quem fez um disco. Ele disse que já tinha adaptações dos seus livros em vários países, menos no Brasil. Numa feira literária do Rio Grande Sul, um jornalista disse que tinha visto O Palhaço e achou que meu filme tinha alguma coisa com o universo dele. Então, Skármeta acabou oferecendo Um Pai de Cinema à produtora Vânia Catani. Quando li o livro, vi que era o que estava procurando: a história de um jovem virando adulto. Me encantei pelo protagonista e pelo tom nostálgico de uma história passada em outro tempo. Skármeta disse que escreveu esse livro com o prazer de escrever uma história longe do barulho da modernidade. Achei isso bonito”.

Conhecido pela adaptação de O Carteiro e o Poeta, que foi indicado a quatro Oscars em 1996 (ganhou o de Melhor Trilha Sonora, assinada por Luís Bacalov), Skármeta acompanhou de perto a feitura do roteiro e também faz uma pequena participação no filme, como o dono de um bordel. “Skármeta ficou uns cinco dias com a gente e fez uma cena que ele mesmo escreveu, sobre uma corrida de bicicleta que ele ganhou da morte. Foi ótimo ter ele por perto” relembrou Selton.

Na adaptação, Selton e Vindicato transpuseram a ação do Chile para as cidades fictícias de Remanso e Frontera, na Serra Gaúcha, no ano de 1963. Com o auxílio luxuoso de Walter Carvalho, com quem trabalhou em Lavoura Arcaica, em 1998, Selton recria a época em detalhes para contar a emancipação emocional de Tony Terranova (Johnny Massaro), um jovem professor de francês.
Ao voltar de Porto Alegre (onde estudou) para casa, Tony vê o pai, o francês Nicolas (interpretado por Vincent Cassel), subir no mesmo vagão de trem que ele desce. Nicola mal se despede do filho. Essa ausência, o mistério em torno da falta de explicação da volta do pai à França, o interesse amoroso pela bela estudante Luna Madeira (Bruna Linzmeyer), a perda da virgindade e o amor pelo cinema movem o filme em várias direções.

“Eu tenho uma alminha velha e acho que esse tom nostálgico, esse filme-memória tinha tudo a ver”, explica Selton, que também atua como Paco, uma amigo de Tony e dos pais dele, Nicolas e Sofia (Ondina Clais). “Eu sou o diretor do filme e interpreto um cara que diz que ‘o cinema é um troço escuro que você fica lá dentro vendo a vida dos outros em vez de cuidar da sua e perde duas horas da vida’. Ele é um cara legal, mas não está ligado com a modernidade”.

O MECANISMO

No período em que esteve à procura de uma ideia para o seu terceiro longa-metragem, Selton Mello dirigiu por três anos o seriado Sessão de Terapia, no Canal GNT. Foram 115 episódios onde ele pôde se dedicar exclusivamente à direção, lutando ao máximo para ser criativo.

Durante essa época, ele também foi ator numa minissérie (Ligações Perigosas) e em alguns filmes, como Bili Pig, Reis e Ratos, Trash – A Esperança Vem do Lixo e Soundtrack, o mais recente, que estreou no mês passado.

No momento, Selton está filmando a série O Mecanismo, da Netflix, com direção de José Padilha, onde faz um delegado da Polícia Federal envolvido na Operação Lava Jato. “Estou gostando de fazer um personagem que ninguém conhece. Não estou ali fazendo um juiz, um promotor PowerPoint, um político famoso, estou fazendo um delegado que existiu e que pouca gente sabe quem foi ele, um cara importante no comecinho da história. Já estou falando demais...”, avisou.

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