Crítica

'Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw' mantém fôlego da franquia

Primeiro derivado da franquia 'Velozes e Furiosos', 'Hobbs & Shaw' aposta no apelo de Dwayne Johnson e Jason Statham, conseguindo divertir; leia crítica

Rostand Tiago
Rostand Tiago
Publicado em 01/08/2019 às 9:24
Análise
Foto: Universal/Divulgação
Primeiro derivado da franquia 'Velozes e Furiosos', 'Hobbs & Shaw' aposta no apelo de Dwayne Johnson e Jason Statham, conseguindo divertir; leia crítica - FOTO: Foto: Universal/Divulgação
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Perto de completar 20 anos alimentando bem a indústria de efeitos especiais, dublês, automóveis e atores musculosos de pouco ou nenhum cabelo, a franquia Velozes e Furiosos vem se encontrando cada vez mais no abraço ao absurdo. Das corridas de rua e das ações policiais envolvendo traficantes e gangues, as lucrativas produções entraram de cabeça em saltos entre monumentais arranha-céus e perseguições com submarinos. Agora, entre brigas internas nos bastidores, a aposta foi em dar destaque a personagens secundários de bom potencial, principalmente levando em conta o apelo e o carisma de seus intérpretes. Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw chega hoje aos cinemas, adicionando um novo timing cômico e elevando um pouco mais o tom hiperbólico do espetáculo.

Reencontramos o agente da lei Luke Hobbs (Dwayne Johnson) e o ex-mercenário Deckard Shaw (Jason Statham), recrutados para resgatar um vírus de escala global criado por uma corporação tecnológica e terrorista secreta. Já a organização envia Brixton (Idris Elba), um supersoldado ciberneticamente modificado, para confrontá-los. A missão fica mais complicada quando Hattie Shaw (Vanessa Kirby), irmã de Deckard, passa a carregar o vírus em seu corpo, se transformando em uma bomba-relógio humana.

Dirigido pelo diretor e dublê David Leitch, responsável por obras como De Volta ao Jogo e Atômica, entramos em uma trama de ação feita do jeitinho que o rapaz domina bem. Simples e bem amarrada, sem grandes sofisticações ou intensas cargas dramáticas. Tudo envolto no espetáculo de embates bem coreografados e frenéticos, mas não confusos. Agora entra também em cena o cacife orçamentário da franquia, que aumenta a escala da coisa.  A direção de Leitch também deixa clara suas intenções de fazer a conciliação da ação com a comédia em um grau maior aqui, como fez ao dirigir Deadpool 2. O investimento em participações de nomes como Ryan Reynolds e Kevin Hart demonstram essa tentativa de humor que encontra seus erros e acertos.

É nesse cenário que encontramos diálogos um tanto quanto forçados nessa tentativa de humor, buscando forças em referências ao mundo da cultura pop que nem sempre funcionam. Assim também acontece em alguns momentos na dinâmica conflituosa entre Hobbs e Shaw, que são uma espécie de âncora dramática do roteiro. A boa química entre Johnson e Statham consegue contornar esses problemas de diálogo de forma eficiente.

Por outro lado, Leicht consegue explorar visualmente bem o contraste físico e de atitude entre as personas de seus protagonistas. A força bruta e a falta de sutileza da simples presença de um homem do porte de Dwayne Johnson em um espaço entra em choque com a velocidade e a elegância britânica de Shaw em boas piadas visuais.

A força da persona

A desenvoltura de ambos os atores é essencial para o funcionamento dessa dinâmica. Principalmente se tratando de Dwayne Johnson (ou The Rock para os fãs mais antigos), que criou uma persona ao longos dos anos que muitas vezes sobrepõe os personagens que interpreta. Em alguns casos, isso até pode ser um problema, mas há algo no espírito galhofeiro da franquia em que essa característica se encaixa bem. Além, é claro, do apelo plástico de um samoano de quase 2 metros levantando um ser humano acima da cabeça com apenas um braço.

Statham equilibra bem a balança com sua postura mais cínica e contida, mas que ainda assim esconde uma face divertida. Já Idris Elba, um dos poucos atores hollywoodianos com mais de 1,90 m não cooptados pela franquia, absorve bem seu caráter robótico, uma espécie de Exterminador do Futuro com mais expressões.

Hobbs & Shaw mostra que apesar de tanto tempo, ainda há fôlego para Velozes e Furiosos ao abraçar nesse mergulho ao absurdo. Sua tônica de espetáculo pode até estar caminhando rumo a uma saturação criativa, mas esse spin-off consegue adiar esse destino um pouco mais. 

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