Há 20 anos, terminava a novelinha 'Caça Talentos' na Globo

Trama protagonizada por Angélica chegava ao fim nas manhãs da emissora encerrando a história da eterna Fada Bela

Foto: TV Globo/Reprodução
Trama protagonizada por Angélica chegava ao fim nas manhãs da emissora encerrando a história da eterna Fada Bela - FOTO: Foto: TV Globo/Reprodução

No dia 20 de novembro de 1998, as crianças da época acompanhavam dentro do programa Angel Mix, nas manhãs da TV Globo, o desfecho da novelinha Caça Talentos. A trama infantil protagonizada por Angélica, que vivia a Fada Bela, chegava ao fim exatamente no capítulo 500.

Caça Talentos estreou em 16 de setembro de 1996 diante da necessidade da equipe do programa em equilibrar os públicos do Angel Mix. Ao passo que ela comandaria um programa de auditório com games, desenhos e atrações musicais, focando num público pré-adolescente, a novelinha teria uma abordagem mais infantil. Mal sabiam eles que a trama roubaria a cena e faria mais sucesso que as outras atrações do formato.

Escrita por Ronaldo Santos, Denise Bandeira e Mauro Wilson (este último responsável pela redação-final da trama) o enredo era simples: Bela (Angélica) é uma menina que perdeu os pais num acidente de trânsito quando bebê, e foi achada sozinha, no meio da floresta, pelas fadas Violeta (Bettina Viany) e Margarida (Marilú Bueno). Bela cresceu e foi criada num mundo mágico, onde vivia cercada por duendes, fadas e unicórnios, acreditando ser uma fada. Ao descobrir que é humana, a jovem passa a enfrentar um dilema: assumir sua origem e viver como uma mulher do seu tempo ou tornar-se fada para sempre, vivendo naquele mundo de sonhos e fantasias.

Apesar da história parecer bobinha a princípio, a equipe de autores tiveram algumas preocupações. Segundo Denise Bandeira, o diferencial estava na própria Fada Bela: “Fazer uma fada que fosse boazinha, que resolvesse os problemas, blá blá blá, todo mundo esperava isso da Angélica. A gente fez dela uma trapalhona, então ela só fazia besteira! Claro que uma vez ou outra ela acertava, mas ela acertava, normalmente, por caminhos tortos”, explicou ela ao portal Memória Globo.

Com o passar do tempo, Bela se apaixona por Artur (Eduardo Galvão), o dono da Caça Talentos, mas deve esconder seu sentimento até decidir em que mundo quer viver. Isto porque, se ela beijar alguém, deixa imediatamente de ser fada.

Para que a história fluísse de maneira ágil, a novelinha exibia um enredo semanal. Em outubro de 1996, durante 20 capítulos, Ferreira Gullar, Marcílio Dias e Lílian Garcia reforçaram a equipe de criação. Em julho do ano seguinte, as histórias passam a ter dez capítulos, dando maior dinamismo. Em março de 1998, junto com Angel Mix, a trama passa por uma reestruturação, inclusive de elenco. A equipe de roteiristas passou a contar com Gilberto Loureiro, além da colaboração de Mariana Mesquita, Péricles C. Barros, Márcio Wilson, Duba e Bernardo Guilherme. A direção-geral era de Carlos Magalhães.

Caça Talentos foi gravada nos estúdios da Tycoon e no Projac (hoje Estúdios Globo). O cenário da floresta onde se passava grande parte da ação do folhetim contava com árvores e um lago artificial. No Projac, o cenário consumiu cerca de 100m2 de grama verdadeira. Caça Talentos também contava com muitos efeitos especiais para ilustrar as mágicas da fada Bela e de seus amigos do mundo da fantasia.

Além de Bela, Artur e as fadas Margarida e Violeta, a trama tinha muitos outros atores no elenco, além de contar com várias participações especiais. Emiliano Queiroz interpretava o Honorável Kelvin, chefe supremo do mundo das fadas; Tony Tornado era Avalanche, um segurança da Caça Talentos; Antônio Pedro vivia o Tremedeira, o chefe da cantina; Cláudia Rodrigues, a engraçada secretária Karina, sendo sua estreia na Globo; Helena Fernandes era Silvana, a vilã que disputava com Bela o amor de Artur e escondia seus poderes de bruxa; e Ana Furtado viveu Drica, fiel escudeira de Silvana e uma aprendiz de bruxa pra lá de atrapalhada.

Mas nem tudo foram flores nos bastidores de Caça Talentos. As constantes prolongações da trama resultaram na saída conturbada de Helena Fernandes e Ana Furtado, que refletiu em uma baixa audiência na reta final. Angélica também pedia o encerramento do folhetim porque queria se firmar como apresentadora e não como atriz como a TV Globo queria.

Há 20 anos, no seu último capítulo, Bela assume seu amor por Artur e os dois marcam um casamento. A fada consegue levar seu grande amor para conhecer o Mundo Mágico, mas decidem não se casar. Os dois se despedem como grandes amigos e quebrou a premissa de um conto de fadas, já que o final não foi considerado feliz pelo grande público.

Mesmo assim, Caça Talentos e a Fada Bela ficaram no imaginário do público mesmo duas décadas depois. A novelinha já ganhou reprise no canal fechado Viva de 2010 a 2012.

VEJA O FINAL DE CAÇA TALENTOS:

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