Série nacional '3%' estreia terceira temporada na Netflix

Nos novos episódios, a Concha se consolida um novo território até algo dar errado

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Nos novos episódios, a Concha se consolida um novo território até algo dar errado - FOTO: Foto: Divulgação

A Netflix disponibiliza a partir desta sexta-feira (7) na plataforma, para 190 países, a terceira temporada da série original e nacional 3%. Protagonizada por Bianca Comparato e produzida pela Boutique Filmes, a obra entrega oito episódios que dão prosseguimento à ficção científica criada por Pedro Aguilera, ambientada num mundo apocalíptico, num futuro distante.

Na sinopse da nova temporada, um ano se passou e a Concha, concebida como uma alternativa aos territórios do Maralto (onde tudo de bom existe) e do Continente (onde tudo falta), é o lugar onde todos são bem-vindos. Mas uma tempestade de areia catastrófica destrói todo o suprimento de comida e água. Assim como havia um processo seletivo para determinar quem habitaria no Maralto ou no Continente, com a ameaça da fome, o mesmo processo precisou ser instaurado para determinar quem ficará na Concha.

O Jornal do Commercio teve acesso aos novos episódios e conversou com os atores Rafael Lozano, que dá vida ao personagem Marco Álvares, e Cynthia Senek, que interpreta Glória.

Rafael contou um pouco da evolução do seu personagem na série: “O Marco, desde a primeira temporada, tem seguido uma forma mais animalesca por conta do Processo (que separa as pessoas por categorias). Agora, o Marco volta a se humanizar um pouco mais, principalmente por conta da Glória. Mas ele segue sendo ambicioso, continua movido por seus interesses”.

Apesar de ter entrado apenas na temporada anterior, Cynthia vê Glória passar por uma reviravolta neste terceiro ciclo. “A Glória tem um salto gigantesco da segunda temporada para terceira na questão de liderança. Acho que o principal estímulo dela é quando ela não tem mais a única pessoa que ela tinha, que é o melhor amigo dela, o Fernando (Michel Gomes). Ela teve que lidar com essa grande perda na vida dela e, como qualquer outro ser humano, vai mostrando suas sombras, seus medos, além de sua força também como mulher e líder”, explica.

Com episódios de boa qualidade técnica e roteiros bem amarrados, com direito a boas viradas, 3% investe na ficção científica, um gênero pouco explorado no nosso País, mas sem nada deixar a desejar a uma série importada.

“De acordo com a evolução dela, logo na primeira temporada é possível notar a diferença. Tudo o que foi feito para imaginar nesse futuro foi feito de forma criativa. Então eu acho 3% inovadora, ambiciosa e ousada. Acho que a série faz um marco também histórico assim no audiovisual brasileiro por conta dessa ousadia também”, conta Rafael Lozano.

“Acredito que o Brasil já está muito preparado para fazer grandes produções, inclusive, do tamanho de 3%, até maiores. Temos bons atores, boas produtoras, temos tudo. Só precisamos ter um apoio cultural mesmo e a confiança dos brasileiros. Porque 3% é uma série muito bem vista fora do Brasil mas o Brasil, mas o País ainda tem algum tipo de restrição”, lamenta Cynthia Senek, que completa: “Acredito que 3% chegou para quebrar todo esse paradigma. É a primeira série que a Netflix investe no Brasil. Nós estamos abrindo todas as portas, tanto em questão de produção, quanto orçamento, e está tendo um grande retorno. Estamos fazendo um lindo trabalho e, as portas que 3% está abrindo, muita gente ainda vai passar”.

NOVOS EPISÓDIOS

Não bastasse as boas atuações de Bianca Comparato (Michele), Rodolfo Valente (Rafael), Vaneza Oliveira (Joana), Thais Lago (Elisa) e Laila Garin (Marcela), a série ainda traz as participações de Ney Matogrosso, Zezé Motta e, na trilha sonora, o pernambucano Johnny Hooker, interpretando uma ótima releitura de Bom Conselho, de Chico Buarque no quinto episódio – um dos melhores desta nova safra – que traz uma boa reviravolta à trama, além de uma excelente metáfora sobre as manifestações atuais com “panelaços” e bandeiras verde e amarela.

Com esta premissa desde a primeira temporada, 3% segue trazendo, com agilidade, sem melodrama e um texto cirúrgico, um ponto de reflexão da nossa sociedade atual através de uma grande alegoria num mundo inóspito. Mas que infelizmente, não parece tão distante assim.

“Nesse momento de polarização muito grande - direita e esquerda, sombra e luz, bem e mal - a série mostra nessa nova temporada que, em meio à essas dualidades, ela aponta uma terceira via. Por mais que a série se passe no futuro, nós mostramos que sempre há uma outra forma de pensar e que não seja algo radical e extremo para dois lados”, conclui o intérprete de Marco Álvares.

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