'Neon Genesis Evangelion' chega à Netflix

A série japonesa entrou no catálogo da Netflix desde a sexta (21), com 26 episódios e seus dois filmes finais

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A série japonesa entrou no catálogo da Netflix desde a sexta (21), com 26 episódios e seus dois filmes finais - FOTO: Netflix/Divulgação

Definir Neon Genesis Evangelion não é uma tarefa fácil. Um anime japonês, certamente. Há os tradicionais robôs gigantes, jovens tentando salvar o mundo de um iminente apocalipse, além de organizações misteriosas por trás de tudo isso. Do outro lado também estão conflitos interpessoais complexos, iconografias religiosas, filosofia hegeliana, cultura pop, e um experimentalismo sempre bem calculado. Tudo isso condensado em uma trama de 26 episódios e dois filmes, disponibilizados desde sexta (21), no catálogo da Netflix.

Lançado primeiramente como um mangá em 1994, por Yoshiyuki Sadamoto, Evangelion viria a se tornar um projeto audiovisual um ano depois. Através do estúdio de animação Gainax, a obra caiu nas mãos de um dos mais promissores animadores e diretores japoneses do momento, Hideaki Anno.

Um casamento, contraditoriamente, perfeito. Anno, na época, enfrentava um histórico de problemas psicológicos que influenciaram durante a produção do anime. O plot que elucidava, desde o começo, as jornadas interpessoais do seus personagens ganhou uma força bastante autoral diante das vivências do diretor – extrapolando, a partir do episódio 6, a sequência do mangá.

Mas afinal, sobre o que é Evangelion? A série se passa em uma Tóquio do futuro, quinze anos após um evento apocalíptico nomeado “segundo impacto”. O anime acompanha Shinji Ikari, um adolescente que é recrutado pelo seu rigoroso pai  (que o despreza), para trabalhar com a organização NERV pilotando um robô gigante denominado “Eva” – em combate contra ameaças alienígenas conhecidas como “Anjos”. Acima de tudo isso, também embarcamos nas mentes dos personagens envolvidos: suas emoções, demônios, sentimentos, desejos e conflitos diante de todos acontecimentos. Talvez até por essa característica – e sua aproximação com a realidade, a série tenha angariado milhares de fãs.

Cada personagem de Evangelion é um mundo de instrospecções esperando para serem exploradas. A trama, no entanto, faz o contrário: as relegam a enigmas, alegorias e minimalismos gestuais. Os porquês ficam no ar, restando ao público contemplá-los ou criar sobre eles teorias que tentem extrair explicações.

Rei, a mais enigmática pilota dos Evas, é uma marionete. Sua existência é refém da sua servidão. Há sobre ela o espectro da pulsão da morte, ou Síndrome de Thatanos (que, por sinal, dá nome a trilha que a acompanha). Asuka, a mais enérgica das pilotas, é explosiva, expressiva e auto-confiante – a forma que encontra para esconder suas inseguranças que vão aflorando ao longo da série. Outra personagem importante é Misato. Tutora dos pilotos e capitã das operações, sua complexidade está geralmente ligada em como lida com o seu passado conturbado e a vida adulta.

Como satélite está Shinji, o protagonista. O personagem é um turbilhão de emoções e reações que perpassam por desejos sexuais reprimidos, solidão, ausência materna, depressão e uma constante busca de aceitação, principalmente, em relação ao seu pai.

O plot de alguns episódios, por sinal, são movidos exclusivamente por Shinji tentando lidar com esses problemas, como é no monótono, mas profundo, episódio 4 – O Dilema do Ouriço, inspirado na parábola do filósofo Arthur Schopenhauer, e na sua adaptação psicanalítica por Freud.

DESFECHO

Após 26 episódios, a trama é encerrada cronologicamente em dois filmes: Evangelion: Death and Rebirth e The End of Evangelion. É neles que Anno destila toda sua genialidade e alcança níveis experimentais jamais vistos na indústria. O último filme, por exemplo, é uma sucessão de imagens que evocam iconografias religiosas e teorias psicanalíticas, até um desfecho que busca representar imageticamente a dialética hegeliana do senhor e escravo e sua relação com a existência do ser.

Evangelion, no entanto, não se resume a teorias. Além das boas e enérgicas lutas de robôs gigantes (afinal Evangelion é, sobretudo, um anime mecha) a série tem uma paixão pela cultura pop diferente de outras produções do mesmo período. A começar pela canção da sua famosa abertura e, principalmente, do encerramento com o tema Fly Me To The Moon (infelizmente não disponibilizada na Netflix, por motivos ainda desconhecidos). Sua trilha, vale também ressaltar, é um show à parte – com influências da Bossa Nova até o final catártico com a potente canção Komm Süsser Tod.

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