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Valter Hugo Mãe leva a crise para o centro de debate na Festa de Paraty

Escritor português lança no Brasil A máquina de fazer espanhóis, escrito no auge da crise econômica

Marcelo Pereira
Marcelo Pereira
Publicado em 22/06/2011 às 10:01
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O escritor angolano radicado em Portugal, valter hugo mãe, é um dos convidados da Festa Literária Internacional de Paraty (entre 6 e 10 de julho, no litoral fluminense). Aproveitando sua passagem no maior evento literário do Pais, a Cosac Naify lança seu novo romance, A máquina de fazer espanhóis.

Lançado em Portugal no começo de 2010, foi o segundo livro mais vendido no país ano passado. Por trás de sua trama sobre a velhice, retratando a internação de um certo senhor silva numa casa de repouso, uma reflexão sobre a crise que os portugueses agora atravessam. "Estamos apenas sendo vitimados pela nossa pequenez e impossibilidade de fuga. Infelizmente, o FMI, e todo o sistema financeiro em que o mundo assenta, é um predador. Vai escravizando quem pode. Desta vez serão os portugueses. Querem claramente chegar à Espanha, que é muito mais poderosa e servirá de vítima muito mais interessante. Esta crise, bem como os bancos de todo o mundo e o capitalismo selvagem em que tudo se suporta, é um nojo”, comentou o autor em conversa com o JC.

Escrito após a morte do seu pai, o autor preferiu não enviar o romance para um dos seus grandes amigos e mais fiéis leitores, o Nobel José Saramago. "Não fui corajoso o suficiente para esperar a reação de Saramago ou de outros amigos mais velhos. Creio que o livro pode ser demasiado frontal com a questão da terceira idade, e por vezes talvez as pessoas prefiram ficar distraídas, sem prestar atenção", revelou.

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