ENTREVISTA

A literatura sem frescura na Balada Literária

O pernambucano Marcelino Freire fala ao JC sobre a festa que acontece no A Letra e a Voz

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 25/08/2012 às 7:07
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O pernambucano Marcelino Freire fala ao JC sobre a festa que acontece no A Letra e a Voz - FOTO: Divulgação
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Quando estava na Festa Literária Internacional de Parati em 2005, Marcelino Freire se indignou com a falta de cervejas na cidade. Foi ali que nasceu a Balada Literária, evento literário paulista que ganha uma versão reduzida no Recife sábado (25/8), às 21h, dentro da programação do festival, no Teatro Apolo-Hermilo. Na entrevista abaixo, Marcelino fala um pouco dos planos para a festa e sobre a dificuldade de realizá-la ainda hoje.

JC – A Balada Literária surgiu com a proposta de ser uma festa literária em que não faltasse cerveja. O que mais define o ideário do evento?
MARCELINO FREIRE –
Uma festa literária na qual também não pode faltar cachaça (risos). Brincadeiras à parte, a Balada é um evento descontraído, sem credencial, a literatura sem frescura, a união de todas as tribos, tudo de graça. É feito festa em apartamento: um traz o croquete, outro o violão, e a gente conversa, todo mundo junto se diverte. Literatura é coisa muito chata – a gente precisa tirar esse ranço de cima da coitadinha!

JC – O que significa fazer uma festa literária não com “um milhão” de reais, mas com “humilhação”, como você costuma brincar?
MARCELINO –
Significa que eu não tenho nenhum irmão governador (risos). Polêmicas à parte, posso te dizer que estou neste exato instante pensando em como irei fazer a sétima edição do evento. Não tenho dinheiro, não tenho apoio municipal, estadual, federal. Mandei o projeto este ano para o ProAc (Programa de Ação Cultural), um programa de apoio aqui de São Paulo. Até agora, está tramitando. E eu detesto essa coisa de “tramitar”. Aí saio pedindo, implorando, entende? Claro que tenho meus parceiros fixos, como a Livraria da Vila, o sempre bendito Sesc, o Centro Cultural b_arco... E os autores, todos, que topam vir ao evento sabendo que a coisa é feita na garra, na vontade, na energia mesmo... Meu capital, sempre digo, é afetivo.

JC – No que Recife pode contribuir para uma Balada diferente? Vai haver algum homenageado?
MARCELINO –
Na verdade, o que vai acontecer aí no Recife é um aperitivo. É uma pré-Balada. Vai acontecer uma pré aqui também em São Paulo, dentro do Festival Mundo Mix, antes da Balada oficial. É como se fosse um esquente. Aí no Recife, estaremos eu e os dois amigos Paulo Scott e Flu soltando alguns textos e sons. Eles dois que participaram comigo das primeiras Baladas... E vamos encontrar o pessoal daí, soltar o verbo juntos. Mas uma Balada assim, para valer, um dia eu quero fazer no Recife. Quem sabe para o ano que vem? A minha festa não será regada a lagosta, mas a agulha frita. Homenageado? A gente sempre faz uma homenagem a um escritor vivo. Acho que, de cara, a gente homenagearia primeiro o Jomard Muniz de Britto. Ele que vem sempre à Balada Literária em São Paulo e faz o maior sucesso – uma grande inspiração para nós todos. Outros baladeiros frequentes aqui em São Paulo são o Miró e o Wilson Freire... Aliás, Wilson é a junta médica da nossa Balada. É o doutor do evento. O que ele salvou de escritor não está no gibi.

JC – O que está programando para Balada paulista deste ano? Está trabalhando em livros novos?
MARCELINO –
O que posso adiantar é que ela acontecerá de 28 de novembro a 2 de dezembro. O homenageado será o Raduan Nassar, que aceitou a homenagem. Vai ter gente de cinema, de teatro. Show com Lirinha. Vou trazer o escritor recluso lá de Belém, Vicente Franz Cecim. Uma moçada de Teresina, que faz uma revista ótima chamada AO. Vou ter um puta show de abertura, que não posso revelar ainda... E vai ter um cineasta internacional de cair o queixo. E vou trazer um grande escritor chileno, que também não posso dizer agora (risos). Só adianto que ele é um gay maravilhoso! Sobre livro meu, só depois da Copa do Mundo. Ah! Acabei a HQ Mulungu, que estava fazendo com o quadrinista Guazzelli. O trabalho está lá na Companhia das Letras. Não sei se eles vão gostar. Porque a Companhia tem de gostar. Se ela não gostar, eu gostei. E faço (risos).

Leia a entrevista completa no Jornal do Commercio deste sábado (25/8).

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