UOL - O melhor conteúdo
CRÍTICA

José Guilherme Merquior é tema de debate na UFPE

O pensamento do crítico literário e intelectual será lembrado com sessão de documentário e bate-papo

Diogo Guedes
Cadastrado por
Diogo Guedes
Publicado em 17/05/2016 às 5:10
É Realizações/Reprodução
O pensamento do crítico literário e intelectual será lembrado com sessão de documentário e bate-papo - FOTO: É Realizações/Reprodução
Leitura:

Na sua primeira carta direcionada ao antropólogo Lévi-Strauss, o crítico e intelectual brasileiro José Guilherme Merquior se apresentava humildemente como um pobre aluno brasileiro. Algumas correspondências depois, a contenção ficava de lado: o iniciante já fazia suas críticas embasadas ao estruturalismo do francês. O diálogo não era uma audácia indevida, afinal, Merquior foi um dos raros pensadores que soube dialogar em pé de igualdade com alguns dos grandes teóricos internacionais.

Nesta terça (17/4), a partir das 16h30, o legado e o pensamento do autor serão tema de um debate no auditório da Editora da UFPE (Av. Prof. Moraes Rego, 1235, Cidade Universitária), com os críticos Eduardo César Maia, Fábio Andrade e Artur A. de Ataíde. Antes do bate-papo, haverá a exibição do documentário José Guilherme Merquior: Paixão pela Razão, produzido pela editora É Realizações, que tem reeditado a obra do crítico, e também o lançamento da nova edição de revista Café Colombo, com um dossiê sobre o autor.

Merquior ficou mais conhecido ao fim da sua trajetória como um polemista – não se furtava de participar de debates e dar declarações polêmicas. No entanto, a sua obra é pouquíssimo lida, apesar da erudição e da tentativa de ir além da repetição de teorias da moda. “Enquanto a maioria dos professores faziam um discurso de papagaio, só falavam da sua especialidade, o estruturalismo, o formalismo, etc, Merquior talvez fosse o crítico brasileiro mais paramentado, com uma formação humanista”, comenta Eduardo. “A sua vida é uma lição de autonomia intelectual. Ele tem um papel que vai além do de militante de uma ideia, com uma percepção autônoma do mundo: não é a teoria que explica o indivíduo, mas o indivíduo que movimenta as ideias.”

É por essa autonomia que Merquior associava parte do pensamento conservador, liberal e socialista na sua obra. “Em termos de teoria literária no século 20, ele não foi o mais representativo porque não teve alcance, mas eu não tenho dúvidas que é o nome mais importante”, atesta Eduardo. Depois do lançamento no Recife, o debate irá para Caruaru na quinta (19/5), com uma conversa entre Eduardo e Josias de Paula Jr. na Fafica.

EDITORA - Junto com Lourival Holanda, Eduardo, Fábio e Artur estão com a responsabilidade de reestruturar a Editora da UFPE. Por enquanto, o grupo cuida de editar o que já estava programado anteriormente, mas a ideia é ter um padrão. “Estamos formulando critérios mais rigorosos de escolha editorial, com participação do conselho e dos editores. A ideia é que a marca da editora seja associada a produtos de alta qualidade”, comenta Eduardo. Entre os planos, estão a edição de obras de teoria de Osman Lins e o relançamento de títulos clássicos, como a produção de Frei Caneca.

Últimas notícias