Reconhecimento

Português Manuel Alegre vence o Prêmio Camões

Muito popular em seu país, ele já foi candidato a presidente de Portugal

JC Online
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Publicado em 08/06/2017 às 17:28
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Muito popular em seu país, ele já foi candidato a presidente de Portugal - FOTO: Reprodução
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Nesta quinta (7), foi revelado o ganhador do Prêmio Camões de 2017, mais importante premiação literária da língua portuguesa.
No valor de cem mil euros, o prêmio foi divulgado na tarde deste quinta, na sede da Biblioteca Nacional. Entre o juri que consagrou Alegre, estavam nomes como as ensaístas portuguesas Maria João Reynaud e Paula Morão, os acadêmicos brasileiros José Luís Jobim de Salles Fonseca e Leyla Perrone Moisés, o poeta cabo-verdiano Jose Luiz Tavares e o especialista moçambicano em literaturas africanas Lourenço do Rosário.

Criado em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil, o prémio Camões é atribuído a “um autor de língua portuguesa que tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

O primeiro a receber o prêmio, em 1990, foi o pernambucano João Cabral de Melo Neto. Depois, outros brasileiros foram contemplados: Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), António Cândido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012), Alberto da Costa e Silva (2014) e Radan Nassuar (2016).

ALEGRE

De participação ativa na vida de seu país, em 2005 Manuel Alegre candidatou-se à Presidência de Portugal - quando obteve mais 1 milhão de votos. Perdeu, em segundo lugar, para Mário Soares.

Muito popular em Portugal, Alegre tem no livro Senhora das Tempestades um de seus maiores sucessos, com venda de 14 mil exemplares em apenas um mês). Além disso, publicou os romances Alma (12 edições) e A Terceira Rosa.

Entre os vários poemas musicados, estão Trova do vento que passa, cantada por Adriano Correia de Oliveira, Amália Rodrigues, entre outros cantores populares. Ele é o único autor português incluído na antologia Cent poèmes sur l'exil, editada pela Liga dos Direitos do Homem, em 1993, na França.

Em 2010, a Universidade de Pádua, na Itália, inaugurou a Cátedra Manuel Alegre, com o objetivo de estudar a língua, literatura e cultura portuguesas. Pelo conjunto da obra, Manuel Alegre recebeu, entre outros, o Prêmio Pessoa (1999) e o Grande Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998).

Ano passado, houve discussão e constrangimento político na entrega do Prêmio Camões. Vencedor de 2016, Raduan Nassar usou seu discurso na cerimônia para criticar o governo de Michel Temer. O então ministro da Cultura, Roberto Freire, acabou batendo boca com a plateia.

 

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