LANÇAMENTO

Xico Sá lança novo livro nesta quinta no Recife

Jornalista reuniu suas melhores crônicas de futebol no livro 'A Pátria em Sandálias da Humildade'

Valentine Herold
Valentine Herold
Publicado em 21/09/2017 às 17:34
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Jornalista reuniu suas melhores crônicas de futebol no livro 'A Pátria em Sandálias da Humildade' - FOTO: Foto: Divulgação
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"Graças a Deus, há duas pessoas inteligentes em nosso futebol: o craque e o torcedor”, escreveu Nelson Rodrigues em 1966. A licença poética talvez permita acrescentar à lista que já integra o hábil jogador e o fiel admirador um terceiro elemento, o cronista. A relação entre futebol e literatura é, há muito no Brasil, estreita. O próprio Nelson foi um dos que melhor conseguiu falar sobre o povo brasileiro através de sua análise futebolística e, na mesma linha literária de se fazer uso do esporte nacional como analogia social, Xico Sá lança hoje, às 19h, na Fenelivro, seu novo livro de crônicas, A Pátria em Sandálias da Humildade, da editora Realejo.

Nas 227 páginas estão reunidas crônicas publicadas entre 2005 e 2016 nas colunas do jornalista na Folha de S. Paulo e, posteriormente, no El País. Algumas foram reescritas para o livro, como os diálogos imaginários com Sócrates, o “filósofo da Democracia Corinthiana” com quem Xico conviveu. O critério para a escolha dos textos que entrariam no livro foi, segundo o autor, a atualidade.

"Levei em consideração os temas que não se perdem, que retratam momentos históricos de vários clubes e da seleção", explicou. Os times pernambucanos não ficaram de fora: desde o “anti-herói” Íbis (e sua vitória sobre o Náutico no próprio estádio dos Aflitos), passando pela nostalgia do time alvirrubro, a vitória do Sport na Copa do Brasil de 2008 e o Santa Cruz com suas “dores do mundão do Arruda”.

Da Copa do Mundo de 2010, três textos se destacam, cada qual correspondente a uma experiência nada comum escolhida pelo cronista para assistir aos jogos do Brasil. Só mesmo a Seleção para unir num mesmo livro Irmãs Carmelitas de um convento em São Paulo e uma comunidade quilombola em Salgueiro, no Sertão pernambucano.

Próximo livro

“A crônica traz isso de olhar para o povo a partir do futebol. Ele deveria ser uma disciplina na escola, pois nos ensina sobre a sociedade, ética... É uma loucura que muda a vida de famílias, casais, e a literatura passou muito tempo desprezando o futebol”, analisa Xico Sá. E é justamente partindo do futebol que ele começou a construir seu próximo livro. Desta vez a crônica vai ceder espaço ao romance novamente, como em Big Jato.

“O personagem é um goleiro, que vai jogar na Europa muito cedo, e agora, que está de volta ao Brasil, vai para o Náutico. Ele tem isso de ser meio melancólico, existencial. O goleiro tem a posição mais cruel e angustiante, sempre tende a ser culpado, não pode falhar. Não é bem um livro sobre futebol, mas ele é uma simbologia para a vida e suas questões”, finaliza.

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