PRÊMIO

Maria Valéria Rezende vence Prêmio São Paulo de Literatura

Relembre entrevista feita pelo JC com a escritora, no último mês de outubro

Da redação de Cultura, com Agência Estado
Da redação de Cultura, com Agência Estado
Publicado em 09/11/2017 às 14:33
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Relembre entrevista feita pelo JC com a escritora, no último mês de outubro - FOTO: Foto: Divulgação
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No início desta semana, o Prêmio São Paulo de Literatura, um dos maiores prêmios literários nacionais divulgou seus vencedores e o destaque maior foi para Maria Valéria Rezende, escritora paulista radicada na Paraíba. A escritora de 74 anos venceu a premiação com seu livro Outros Cantos (Alfaguara), sobre o qual ela conversou com o Jornal do Commercio no último mês na ocasião da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. 

Maria Valéra era a única mulher na lista de finalistas - que contava com, entre outros, Silviano Santiago, vencedor do Jabuti na semana passada, Bernardo Carvalho e o pernambucano José Luiz Passos - e leva para casa o prêmio de R$ 200 mil. Esta é a segunda conquista literária recente da autora. Em 2015, ela foi a grande vencedora do Jabuti por seu romance Quarenta Dias, sobre uma professora aposentada que, num rompante, sai de casa e passa dias perambulando pela cidade, vivendo na rua.

Concedido pelo Governo do Estado, o Prêmio São Paulo elege, ainda, os melhores romances de autores estreantes com mais e com menos de 40 anos.

Vencedor do Prêmio Sesc em 2007 com Beijando Dentes, de contos, o antropólogo e escritor paulista Maurício de Almeida, de 35 anos, ganhou R$ 100 mil por A Instrução da Noite (Rocco). Narrado pelo filho e entremeado pelo diálogo dele com a irmã desaparecida, o livro mostra os efeitos da volta do pai à família que ele abandonou anos antes.

Com Céus e Terra, também vencedor do Prêmio Sesc, em 2016, o jornalista baiano Franklin Carvalho, de 49 anos, emplaca seu segundo prêmio e ganha, agora, R$ 100 mil. O livro conta a história de um menino pobre do sertão que é convocado para ajudar a salvar um homem crucificado. Os dois morrem. Como uma espécie de fantasma, ele começa a acompanhar a rotina da cidade.

Relembre a entrevista com Maria Valéria Rezende:

Maria Valéria Rezende não é o que pode-se chamar de uma freira convencional. Mas afinal, existe alguma? Nascida em Santos em 1942, a escritora tem uma trajetória marcada pela dedicação à educação popular e pelo conhecimento das mais diversas culturas ao redor do mundo. Finalista do Prêmio Jabuti 2017 na categoria romance, ela cedeu uma entrevista por telefone ao Jornal do Commercio na manhã seguinte da divulgação do resultado.

Maria Valéria recebeu os parabéns pela indicação de maneira gentil, mas sem romantizar o fato. “Desconfio que me colocaram lá de cota, da velinha escritora para ninguém reclamar. Existe uma tendência nos juris de uma visão de como devem ser os ganhadores e as editoras investem nesses garotões”, diz.

O livro com o qual a paulista radicada em João Pessoa concorre é Outros Cantos, história de Maria, que cruzando o Sertão durante uma noite relembra da sua chegada àquele mesmo local 40 anos antes. A cidade que acolhe a protagonista na sua juventude é Olhos d’Água, nome fictício que a autora usa para falar na verdade de Caraibeiras, município do interior pernambucano em que ela morou na década de 1970.

É ela, a freira nada convencional, que já morou no Sertão pernambucano trabalhando com educação popular durante a Ditadura, que está no Recife para a 11° Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. Ela participa às 17h do projeto Leia Mulheres e conversa sobre o lugar da mulher na literatura na atualidade. “Vamos falar também sobre o movimento Mulherio das Letras, que iniciou há cerca de dois anos e desde março se fortaleceu. E isso é muito necessário, basta lembrar que a Academia Brasileira de Letras só passou a permitir a entrada de mulheres em 1974 e até hoje não há uma representatividade feminina forte lá dentro”, ressalta.

Vida literária

A leitura e a escrita sempre foram muito naturais para Maria Valéria. Há quem diga que ela começou a publicar apenas aos 60 anos, mas na verdade desde criança ela escrevia suas próprias histórias e depois pedia para a avó costurar as páginas juntas. “Não tinha TV na minha época então de noite, depois do jantar, minha família sentava para ler poemas. Eu sabia muitos de cor! Eu lia de tudo e fazer livros era a brincadeira do meu tempo. Meus pais levavam a sério e achavam que eu me tornaria escritora mesmo”, relembra. Na adolescência, entretanto, o talento nato cedeu espaço à vontade de trabalhar com educação, mas sem jamais deixar a literatura de lado.

“Eu morava em Santos, e por ser uma cidade portuária recebia muitos navios e tinha sempre bibliotecas dentro, então eu pegava muitos livros em francês. Me formei depois em literatura francesa, inclusive.” Mas a França foi só um dos muitos países pelos quais a escritora passou. À lista é possível acrescentar México, Haiti, Cuba e Canadá.

“Passei muitas temporadas fora, mas sempre morei no Brasil.” Das andanças pelo mundo, a escritora pode aprender sobre o comportamento humano e chegar à conclusão que, não importa o lugar, "os ricos se cercam dos mesmos carros blindados, dos mesmos muros e comem o mesmo caviar, enquanto os pobres sofrem com as mesmas faltas e os mesmos problemas."

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