LETRAS

Sílvio Neves Baptista assume posto na Academia Pernambucana de Letras

O advogado e professor lançou em 2012 o livro 'Eça de Queiroz: Um Caso de Abandono Materno'

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 05/03/2018 às 18:43
Dalva Oliveira/Divulgação
O advogado e professor lançou em 2012 o livro 'Eça de Queiroz: Um Caso de Abandono Materno' - FOTO: Dalva Oliveira/Divulgação
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A Academia Pernambucana de Letras (APL) recebe nesta segunda (5) a cerimônia de posse do escritor, advogado e professor Sílvio Neves Baptista, eleito para a cadeira 19 da instituição. A sessão solene acontece a partir das 19h, na sede da instituição literária.

Autor de vários livros na área do direito da família, Sílvio lançou em 2012 o volume Eça de Queiroz: Um Caso de Abandono Materno e de Filiação Socioafetiva. A obra nasceu quando ele se surpreendeu com a certidão de batismo do escritor português, que não trazia o nome da sua mãe.

“Eu não sou da área de literatura, mas Eça sempre me despertou muito interesse. Em uma viagem a Portugal, fui na vila em que ele nasceu, vi a certidão de batismo. A expressão ‘mãe incógnita’ me espantou, porque não é comum o abandono materno”, conta.
Sílvio decidiu pensar a trajetória de Eça de Queiroz a partir da visão do direito da família. O autor de Primo Basílio foi criado por uma ama negra pernambucana, que depois se tornaria a sua madrinha e nunca o abandonou. “Ele só veio a conhecer a sua mãe de verdade quando já era um escritor famoso e tinha 40 anos”, comenta.

TRAJETÓRIA

O jurista já havia tentado se candidatar à APL antes, para uma cadeira normalmente ocupada por nomes do direito. “Eu tenho seis livros sobre o Direito, mas foi quando escrevi sobre Eça alguns acadêmicos começaram a me chamar para compor as fileiras. Mais recentemente, comecei a fazer estudos pegando personagens de Flaubert, Machado de Assis, Euclides da Cunha”, conta.

Como na primeira ocasião havia outro concorrente, Sílvio desistiu. Agora, entra na casa para substituir o lugar ocupado antes pelos poetas Marcus Accioly e João Cabral de Melo Neto. “Eu estou interrompendo a tradição”, brinca o advogado. O seu bisavô, o historiador João Baptista Regueira Costa, foi um dos oito autores que deu início à APL, tornando-se ocupante da cadeira 7.

Nos planos literários, Sílvio se prepara para um nova edição de Eça de Queiroz: Um Caso de Abandono Materno e de Filiação Socioafetiva, que atualmente está esgotado. Além disso, vai reeditar a sua dissertação e sua tese. E pretende falar mais de Eça: “Ele é um manancial extraordinário”.

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