Lançamento

Vocalista do Sepultura grava álbum de funk e música eletrônica

Derrick Green se juntou ao produtor e compositor Sam Spiegel

AD Luna
AD Luna
Publicado em 10/03/2013 às 6:01
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Max Cavalera, vocalista do Soulfly, é fã de reggae e Bob Marley; Kirk Hammett, guitarrista do Metallica, é admirador de João Gilberto; Phil Campbell, do Motörhead, e também guitarrista, costuma ouvir Abba nas horas de folga. Esses são alguns casos de músicos de heavy metal que não se limitam a curtir o som ao qual escolheram se dedicar. Derrick Green, vocalista do Sepultura, foi ainda mais longe e gravou um CD de música eletrônica a convite do produtor e compositor Sam Spiegel. Os dois americanos fazem parte do projeto Maximum Hedrum, cujo primeiro álbum já pode ser ouvido gratuitamente no link https://maximumhedrum.com/mhepk/portuguese.

 

“Eu queria fazer um disco sobre como a tecnologia está mudando nossas vidas, como nós estamos mais conectados e menos intimamente ligados do que antes”, explica Spiegel. 

No Maximum Hedrum, Derrick Green deixa de lado os vocais urrados do Sepultura para cantar funks e tecnopops de maneira mais melódica. Sua performance lembra algo entre Prince, Seal e Isaac Hayes. 

 

Green parece estar se divertindo bastante com a nova aventura e diz que não tem sofrido represálias por parte dos admiradores do Sepultura. “Muitos deles expressam apoio mesmo não apreciando esse tipo de música. Eles sabem que é o que eu gosto de fazer e é uma parte de mim. Eles são verdadeiros fãs”, expõe. 

Quanto aos colegas do grupo de thrash metal, Derrick conta que parte deles ouviu algumas das músicas. “Eles gostaram do fato de eu usar minha voz de modo completamente diferente do que eles estavam habituados a escutar”. 

Sam Spiegel criou em 2009 o projeto N.A.S.A (North America South America), em parceria com o brasileiro DJ Zé Gonzales. O primeiro álbum, The spirit of Apollo, contou com colaborações de Tom Waits, George Clinton, Kanye West, M.I.A., RZA e David Byrne. 

Com o Maximum Hedrum, Sam trabalhou cada música de maneira diferente. Várias delas foram escritas apenas por ele, outras tiveram a colaboração do produtor alemão Harold Faltermeyer e de Nick Zinner, guitarrista da Yeah Yeah Yeahs, banda de indie rock de Nova Iorque. “A maioria das letras foram escritas juntas com Derrick, outras só por mim. Eu também colaborei na criação das batidas”, conta. 

Completam a formação do grupo lisa Sanders (vocal), David Ralicke (saxofone e trombone), Koolg Murder (baixo) e Fredo Ortiz (baterista que já passou pelo Beastie Boys). 

A banda já disponibilizou dois videoclipes de suas músicas na web. Um deles, Synthesize, é formada por trechos retirados do documentário sobre skate Pretty sweet – cuja direção é feita por Spike Jonze. O cineasta, irmão de Spiegel, dirigiu os filmes Quero ser John Malkovich e Onde vivem os monstros.

O outro vídeo é da impressionante Keep in touch, um funk super dançante que conta com a participação de George Clinton – um dos mais importantes inovadores do gênero e a cabeça por trás dos lendários Parliament e Funkadelic.

As letras da banda focam em variados assuntos como tecnologia, solidão, sexo, amor, afeto e outros temas existenciais. Sam Spiegel também se apoiou em textos do escritor, futurólogo e inventor norte-americano Raymond Kurzweil. 

O disco físico será lançado no dia 19 deste mês. “Nós fizemos alguns shows até agora e, nesta semana, vamos para Austin, Texas, para o festival South by Southwest (SXSW)”. Outras apresentações devem acontecer pelo mundo, incluindo no Brasil.

Além dos citados singles, o disco do Maximum Hedrum está cheio de boas e interessantes viagens sonoras. A faixa de abertura, Castles, lembra um pouco os momentos solenes do Air, os quais são quebrados pela introdução de gemidos de prazer femininos.

Imperfectly mine poderia ser descrita como um cruzamento de Kraftwerk e coisas do Depeche Mode. A música é deliciosamente sexy e dançante. É forte candidata à novo single e a sucesso em pistas de dança. Deeper than Charlie é mais pesada, mas igualmente balançante. Indagado sobre a resistência de fãs de metal em ouvir outros tipos de música, Derrick Green comenta: “Eu costumava cometer esse equívoco também!”

 

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