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No Recife, Clarice Falcão abre turnê de Problema Meu

A atriz, cantora e compositora pernambucana driblou a timidez e ensaiou até passos de brega

Mari Frazão
Mari Frazão
Publicado em 19/03/2016 às 10:02
Mari Frazão/Caderno C
A atriz, cantora e compositora pernambucana driblou a timidez e ensaiou até passos de brega - FOTO: Mari Frazão/Caderno C
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A lista de interesses artísticos de Clarice Falcão, que deu início à turnê de seu segundo álbum, Problema Meu, na noite da última sexta-feira (18), no Baile Perfumado, é bem extensa. Atriz, cantora, compositora, escritora e roteirista, Clarice é cheia de surpresas: no lugar do violão, já conhecido pelos fãs, preferiu subir ao palco com instrumentos como a pandeirola e o Vibra-Slap. Pernambucana radicada no Rio de Janeiro, ela cresceu cercada de referências culturais, herdando a veia artística do pai, o teatrólogo João Falcão, e da mãe, a roteirista Adriana Falcão. Sua cidade natal, Recife, foi a eleita para estrear seu novo trabalho, que marca um momento de maior atividade musical. Mesmo com Monomania no currículo – o EP estourou em 2013, quando seus vídeos no YouTube alcançaram mais de 10 milhões de visualizações –, Clarice ainda não se dedicava completamente à música. Com o coração dividido entre cantar, compor, atuar e escrever, no ano passado ela decidiu deixar o humorístico Porta dos Fundos e dedicar-se à produção do novo disco.

No Recife, em apresentação que começou pontualmente às 22h30, ela foi recebida por gritos e aplausos. Diferente do que se poderia imaginar pelo estilo musical da cantora, que mescla humor à temática romântica, a plateia se apresentava bastante heterogênea, com crianças e idosos de ambos os sexos na mesma vibração. No palco, Clarice começou com Irônico, faixa inicial de Problema Meu. Tímida e visivelmente comovida com o público, a artista praticamente gaguejou: “Vocês não imaginam o quanto eu estou feliz por estar aqui”. O jeito de menina delicada, misturado às composições sarcásticas e hiperbólicas, reforça o contraste entre as melodias românticas e o humor escrachado das letras ao abordar temas atuais como a ansiedade nos relacionamentos.

Embora o salão do Baile Perfumado não estivesse nem perto de lotar, o público cumpriu seu papel de fãs calorosos, acompanhando as canções com fôlego e preenchendo cada vazio do espaço. Com crianças suspensas nos braços dos pais e pessoas dançando e tirando fotos por todos os cantos, o clima parecia de happy hour. A plateia animada, mas sem exaltação, provou o acerto da produção, que preferiu não colocar a tradicional grade separando palco e plateia: as pessoas que chegavam mais pertinho queriam apenas um registro no smartphone para as redes sociais. 

Clarice passeou por todas as faixas de Problema Meu, de Vinheta Mix a Vagabunda, apresentando até uma canção inédita que não entrou no álbum: “Essa não tá no disco, eu não sei se porque é muito ruim. Depois vocês me dizem”, brincou. Driblando a timidez, ela ainda ensaiou uns passinhos com a música Banho de Piscina, canção assumidamente brega composta por João Falcão. Como não poderia faltar, a música Survivor, do grupo pop Destiny Child, que, na sua voz, provocou elogios e controvérsias entre os movimentos feministas, completou o repertório, enquanto imagens do videoclipe eram exibidas no telão. Para a tristeza dos fãs, no entanto, Clarice deixou o palco, após 1h10 de apresentação, sem cantar sucessos do seu primeiro disco, como Macaé

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