Pop

Fifth Harmony dá sobrevida aos girl groups com 7/27

Segundo álbum do quinteto capricha nos hits

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 28/05/2016 às 16:20
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Segundo álbum do quinteto capricha nos hits - Reprodução
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Fenômeno nos anos 1990 e meados dos anos 2000, os grupos vocais femininos passaram, na última década, por um processo de ostracismo. Antes capitaneados por fenômenos como Spice Girls, TLC e Destiny's Child, os coletivos femininos perderam espaço nas paradas e pareciam não mais interessar às gravadoras. Esse processo, no entanto, parece em vias de mudanças devido, principalmente, à ascensão de dois conjuntos: Little Mix, na Inglaterra, e Fifth Harmony, nos EUA. Lançado sexta, 7/27, novo álbum do quinteto americano, tem o potencial de mudar o jogo e dar sobrevida aos girl groups.

Formado no programa de talentos The X Factor, m 2012, Fifth Harmony, assim como as Spice Girls e grande parte da tradição de grupos pop femininos, nasceu da associação quase aleatória de suas integrantes. Ally Brooke, Normani Kordei, Dinah Jane, Camila Cabello e Lauren Jauregui entraram na competição como intérpretes solo e, eliminadas, tiveram uma nova chance como um coletivo.

Durante o programa, o público pôde acompanhar o (estranho) processo de adaptação de completas estranhas em companheiras de trabalho. Meninas, a maioria com menos de 16 anos à época. Terminaram em terceiro lugar, mas ganharam algo melhor: o interesse do público (e do produtor Simon Cowell). 

Os primeiros passos pós-televisão foram seguros: músicas-chiclete e nada memoráveis, feitas para pré-adolescentes, e que não apontavam um futuro promissor para o quinteto. O cenário começou a mudar com o lançamento do primeiro disco, Reflection, em 2015, que produziu o sucesso Worth It. A faixa, marcada por batidas minimalistas e solo de sax pegajoso, tornou-se um hit mundial e fez com que a gravadora apressasse um novo álbum.

O sucesso parece ter surtido efeitos na confiança das moças, que mostram mais confiança e disponibilidade (ainda que limitada) de experimentação em 7/27. A faixa de abertura, That’s My Girl, emula Worth It com o saxofone aparecendo mais uma vez no auxílio de uma base eletrônica. Na mesma linha de hits das Destiny’s Child e Spice Girls, que exaltam a união feminina em uma celebração coletiva na pista de dança, a música tem pegada.

Work From Home, faixa de trabalho do quinteto e primeira música de um grupo feminino a entrar na parada das dez mais tocadas/baixadas dos EUA em quase uma década, é outro acerto. Minimalista, ela evidencia a voz de cada intérprete, em especial o marcante timbre nasalada de Camila Cabello.

A vibe festeira continua em The Life, All In My Head (Flex) e I Lied. Aliás, assim como no primeiro álbum, o disco é majoritariamente dançante. Desta vez, no entanto, com camadas mais contemporânea. É o caso de Write On Me e Scared of Happy, que pegam carona no som do momento, o tropical house popularizado pelo norueguês Kygo e adotado por popstars como Justin Bieber, Drake e Zayn. 

O grande trunfo do grupo é, de fato, o talento das intérpretes. A harmonia citada no nome do coletivo é precisa e, com o passar do tempo, se aperfeiçoa. Exemplos disso são Dope e No Way, que fecham o álbum com interpretações contidas e eficientes, indicando possibilidades mais interessantes para o grupo, principalmente com o amadurecimento das temáticas.

Com a mensagem de empoderamento feminino e hits capazes de dominar as pistas de dança, Fifth Harmony lança um disco seguro, que funciona como coletânea de hits, mas que cumpre a missão de solidificar o status das artistas a caminho do panteão do pop e de retomar o espaço para os grupos femininos.


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