Lançamento

Manu Gavassi traz recomeço pop e sensual em 'Manu'

Aos 24 anos, cantora busca a reinvenção em seu terceiro disco

Robson Gomes
Robson Gomes
Publicado em 22/04/2017 às 5:00
Foto: Hugo Toni/Divulgação
Aos 24 anos, cantora busca a reinvenção em seu terceiro disco - FOTO: Foto: Hugo Toni/Divulgação
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Manu Gavassi (2010), Clichê Adolescente (2013), Vício (2016): esqueça os títulos dos dois álbuns e EP lançados por Manoela Latini Gavassi Francisco. Hoje, aos 24 anos, a jovem quer mostrar que a menina – que ficou conhecida em 2010 ao fazer parte de um seleto grupo de garotas de uma revista teen, cantando músicas como Garoto Errado e Odeio – cresceu. A prova está em Manu (Universal Music, 2017), terceiro disco da cantora lançado oficialmente nesta sexta-feira (21) nas lojas físicas e plataformas digitais.

Em conversa com o Jornal do Commercio por telefone, a artista tenta definir o que esse novo trabalho representa: “Manu não é exatamente o meu grito, mas as músicas dizem sim que eu cresci. Eu comecei a cantar com 16 e hoje tenho 24. Eu precisava dessa mudança. É um recomeço”, afirma.

A imagem de mulher que Manu Gavassi quer passar vem desde a concepção do disco. Manu foi gravado dois meses em estúdio, mas foi trabalhado por um ano e meio até ficar pronto. Ela assina todas as faixas do álbum, e em apenas três divide a composição com Ana Caetano, da dupla folk sensação do momento, Anavitória. “A primeira música que eu fiz para esse trabalho foi Hipnose (escolhida como primeiro single). A partir daí nasceram as outras. Fazer a parceria com a Ana foi muito legal. É uma amiga de verdade, e eu tinha muita dificuldade de compor em parceria. Primeiro escrevemos Fora de Foco trocando versos pelo WhatsApp, depois as outras surgiram naturalmente”, comenta.

Manu Gavassi também assina a direção artística do disco, fazendo com que ela corresse atrás do que realmente queria para este trabalho. “A partir do momento que entrei em estúdio foi mais rápido. Mas antes conversei com muitas pessoas. Porque eu queria fazer algo novo, mas tinha medo de perder a minha essência. Foi aí que eu falei com o Tropkillaz (conhecido por produzir artistas como Karol Conka), Umberto Tavares e Mãozinha (os produtores de Anitta) e Pedro Dash, da Head Media. As conversas foram muito legais, porque mudaram muito o meu jeito de pensar. No fim de tudo, foi uma mistura que deu certo”, comemora a jovem.

Manu também afirmou que ouviu praticamente todos os CDs pop lançados em 2016 para ter inspirações nos arranjos. “Me chamaram a atenção trabalhos como o de Taylor Swift, que saiu do country para o pop fazendo uma transição muito legal de ritmo. Ouvi muito o disco Revival, de Selena Gomez. Posso dizer que recebi muitas influências, mas nenhuma delas foi direta ou decisiva em Manu”, explica.

Sem medo de ousar na sonoridade, a identidade visual de Manu também chama a atenção. Afinal, na capa, a cantora exala sensualidade ao colocar “o corpo pra jogo” em um nu artístico. “Não acho que a capa seja polêmica porque nudez não é polêmica para mim. Eu quero agregar um novo publico com ele e, além do mais, o público que me acompanha cresceu junto comigo não vai se escandalizar por isso. Também não me considero um mau exemplo por causa dessa atitude”, defende.

Além da capa ousada, as letras de Manu também buscam desenhar uma mulher de personalidade. Em Muito Muito, por exemplo, ela canta versos como: “Meu coração é gelo/ E por isso você quer (…)/ Se eu minto ou falo a verdade/ Você nunca vai saber”. Já em Perigo, avisa: “Decifro tua vontade/ Lendo tua boca/ Colada na minha”. Em Ninguém Vai Saber, manda na lata: “Se eu quero e você quer/ Então tá tudo bem/ O seu corpo no meu/ Não fala pra ninguém”. A provocação continua em Me Beija: “Você diz que ninguém fica mais linda que eu usando a sua roupa/ Te respondo que eu fico melhor sem”.

Mesmo com essa certa dose de pimenta nestas novas canções, Manu Gavassi diz que na vida real, ela não é tão ousada assim. “É uma mistura. Eu não sou só isso. Eu descobri que tenho um lado sexy, mas não me vejo sempre assim. Na vida real eu sou muito mais nerd do que alguém que sai por aí paquerando os caras”, diz, aos risos.

A oitava faixa de Manu se chama Mentiras Bonitas, por isso perguntamos como ela reage com as mentiras bonitas que ela ouve na vida pessoal e profissional. “Eu levo naturalmente. Eu aprendi simplesmente a sorrir e acenar, procurando lidar da melhor maneira. Na verdade, eu sinto que ainda estou aprendendo, embora já tenha sete anos de carreira”, garante.

Se Manu Gavassi pudesse resumir este álbum de 12 músicas em apenas uma faixa, ela escolheu Aqui Estamos Nós, a última do disco. “É a música que mais me define. Nasceu há mais de um ano depois de uma conversa com amigas sobre as coisas que a gente vive. Nós nunca tivemos tanto acesso às pessoas, e ao mesmo tempo, nunca estivemos tão sozinhas. Então eu me identifico muito com ela”, revela.

E se você chegou até o fim desse texto em dúvida se vale a pena ouvir Manu ou não, a cantora argumenta: “Ouve aí e depois a gente conversa”, encerra, aos risos.

Análise: Disco traz busca por identidade

Cantora, compositora e atriz, as três vertentes conseguem ser detectadas de alguma forma em Manu. Ao longo das 12 faixas, muito bem produzidas, o lado cantora de Manu Gavassi não precisa ser posto em discussão. O mesmo não pode se dizer das composições, mas a boa interpretação das letras entregam exatamente quem ela é: uma artista que ainda está em busca de sua identidade.

O disco abre com Hey!, um reggaeton bem executado, mas a letra não dá liga. Em seguida, Hipnose, sim, dá o primeiro (bom) sinal de vida do disco. O clima quente continua no álbum com Perigo, que tem uma levada reggae e um ótimo refrão chiclete para tocar numa trilha sonora de novela.

Me Beija, porém, chega para diminuir a temperatura do disco. É outro caso de boa batida, mas com letra que não empolga. Já 23 é uma canção que estaria facilmente num disco de Anitta, tanto pela pegada parecida como pela forma como Manu Gavassi interpreta a canção.

Fora de Foco, escrita em parceria com Ana Caetano, do Anavitória, acaba sendo uma das fracas do disco. Mas a redenção vem logo em seguida com a ótima Mentiras Bonitas que, como contraponto, soa como uma das mais fortes do álbum pela boa produção do Tropkillaz na faixa, com uma envolvente atmosfera de balada.

Heart Song é uma canção radiofônica bem executada em Manu. Ao passo que Ninguém Vai Saber não acrescenta tanto ao disco, já soando repetitiva nos arranjos.

Nas músicas finais, Antes do Fim é uma balada convincente, propensa a virar hit. E Aqui Estamos Nós fecha o álbum num clima mais ameno. “Nós somos a geração da solidão”, diz ela em um dos versos mais amadurecidos da letra, encerrando a missão de entregar um disco coerente com o momento de descobertas que a cantora vive.

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