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Projota manda recado para o futuro presidente

Rapper paulista conversou sobre nova música e a situação política do País com o JC

Robson Gomes
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Robson Gomes
Publicado em 26/08/2018 às 6:00
Foto: Pedro Dimitrow/Divulgação
Rapper paulista conversou sobre nova música e a situação política do País com o JC - FOTO: Foto: Pedro Dimitrow/Divulgação
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Em outubro, o paulista José Tiago Sabino Pereira, de 32 anos, vai exercer o seu direito de cidadão ao votar em mais uma eleição. Até lá, ele resolveu questionar a maior autoridade do País através de sua arte. É assim que o rapper, conhecido como Projota, pretende despertar a consciência política com o novo single e videoclipe Sr. Presidente, já lançado nas plataformas digitais, e acumula mais de 4 milhões de visualizações no YouTube.

“Essa música tá pronta faz um tempo, e a gente não podia soltar porque tinha Copa (do Mundo). Mas acabou sendo o melhor momento porque estão começando os debates. Talvez uma música assim até faça as pessoas prestarem mais atenção no que está acontecendo, estudarem melhor os candidatos, principalmente nesta eleição, que talvez seja uma das mais difíceis”, diz o rapper por telefone, em entrevista ao Jornal do Commercio.

A letra de Sr. Presidente, escrita por Projota, tenta dimensionar o tamanho da preocupação do artista com o País ao falar de violência, desemprego, injustiça, desigualdade social e corrupção. “Sr. Presidente, até queria que a gente/ Se entendesse mas não sei como faz/ Porque essa noite se foi mais um menino ali na rua de trás”, diz o refrão.

No videoclipe, gravado há um mês, Projota canta na frente de projeções de recortes de jornal e de cenas marcantes. “É como se as coisas que estão na minha mente fossem projetadas nas paredes. E eu canto sobre tudo isso”, descreve o rapper.

O tom de denúncia que permeia a música e o videoclipe de Sr. Presidente é um desabafo engasgado na boca de muitos brasileiros. Mas, para o cantor, a ideia passa longe de uma intenção de candidatura por parte dele, nem que fosse por um dia.

“É muito complicado pensar nisso. Eu tento enxergar as coisas da seguinte maneira: O grande problema do nosso País é que a maioria dos políticos que estão lá para nos representar não se tornaram políticos por vocação de querer transformar o mundo, melhorá-lo, sabe? A maioria entra na política porque é filho de político, já nasceu lá dentro, ou porque quer enriquecer, quer ter poder, entende? Mas eu também não tenho vocação para ser político. Eu não consigo nem pensar no que eu poderia fazer”, confessa.

Mas, para Projota, existem pessoas que podem, sim, fazer a diferença na situação: “Sabe quem tem que falar? Aquela tiazinha que está na favela e organiza ações sociais lá dentro, consegue cestas básicas para as famílias. Aquela mulher, aquele homem, que organiza sopão para os moradores de rua. Essas pessoas podem nos representar (na política), não eu. A minha parte é fazer música. E Sr. Presidente fala sobre isso. Eu quero essas pessoas, esse tipo de gente lá, porque essas querem realmente melhorar o País”.

Mesmo com esta consciência engajada, Projota gerou uma certa polêmica ao responder, para o jornal O Dia, em quem não votaria de jeito nenhum para presidente este ano: “Eu não voto no (Jair) Bolsonaro porque, entre todos os candidatos, é o que deu mais declarações que vão contra as coisas que eu penso. Somente por isso. Mesmo que ele venha a vencer, eu sei respeitar as pessoas que votam, tenho que respeitar as outras visões”.

Ao JC, o rapper reforçou que, mais que uma música, Sr. Presidente é um alerta que precisa ser reverberado. “Cada linha desse rap representa não só o meu público, mas o povo brasileiro. Um povo que não está interessado em levantar nenhuma bandeira de partido, sigla ou nenhuma cor da camiseta. Estamos interessados, simplesmente, que o País melhore. A bandeira que levantamos é a do Brasil, da paz e da igualdade. É isso que a gente quer e vejo isso no meu trabalho”, conclui o artista.

VEJA O CLIPE DE SR. PRESIDENTE:

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