Disco/show

Igor de Carvalho em canções de amor e desamor

Músico lança disco Cabeça Coração no Sta Isabel

José Teles
José Teles
Publicado em 29/01/2019 às 15:05
foto: divulgação
Músico lança disco Cabeça Coração no Sta Isabel - FOTO: foto: divulgação
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“Quando decidi compor o novo disco, pensei já em falar sobre o amor, um assunto que estava meio em falta no meu ofício como compositor. Eu gostava muito das canções românticas, acho que foi uma busca mais profunda nesse assunto. Mas não sabia qual o destino das canções. A única música que já existia era justamente a última chamada Só Resta o Amor, que era pra entrar no primeiro disco. Entrou neste, porque achava que fazia sentido dentro do conceito. Diante dessa situação, fui compondo e saiu mais desamor do que qualquer outra coisa. Aí consegui linkar as duas vertentes das canções nessas duas palavras ‘cabeça’, ‘coração’”.

A explicação é de Igor de Carvalho, que lança o álbum Cabeça Coração, amanhã, no Teatro de Santa Isabel.
Recifense, Igor de Carvalho envolveu-se com a música relativamente tarde, aos 19 anos, começando com sambas, depois foi se direcionando para um caminho mais pop, mais rock, com sotaque pernambucano. Em 2011 lançou o primeiro EP, em formato digital, três anos mais tarde veio o álbum A TV, A Lâmpada e o Opaxorô. Atualmente, é parte de uma quase cena da música pernambucana que ruma no sentido contrário ao propalado fim da canção, a melodia emoldurando a letra. Sertanejo, funqueiro e rapper valem-se da repetição, de bases e linhas melódicas simples.

TRADIÇÃO

Deste grupo de pernambucanos que cultivam a canção, mas sem apego ao tradicionalismo, fazem parte, entre outros nomes, Fláira Ferro, Juliano Holanda, Tiago Martins. Embora Igor considere que sua música passeie também por outras searas: “A gente tem uma piada interna no nosso grupo de que sou o cara que mais fica em cima do muro, justamente por não ser tanto aquele que propõe as melodias rebuscadas, também tem, mas a minha forma de compor é mais simples, cheia de imagens, não uma construção poética com início, meio e fim, é uma característica minha que diverge do pessoal, mas a gente se dá superbem. Neste disco, até resgatei umas frases clichês, repeti refrão, que cria uma memória sonora fundamental, pra pessoa se envolver”

O refrão aparece no single lançado em dezembro do ano passado, Absurdo Ser Normal, dos versos: “Não gosto do conveniente/Eu não me adequo ao teu modelo social/Eu acho um absurdo ser normal/Eu acho um absurdo ser normal”. A ideia inicial era a de um disco em que imperasse a simplicidade, uma sonoridade minimalista, mas o que se escuta em Ouça Bem, na abertura do álbum, é exatamente o contrário. A introdução é grandiosa, meio Also Sprach Zarathustra, de Richard Strauss: “Seria uma parada intimista, mas eu e Rogério Samico, que produziu o disco, sentimos que precisava do drama, colocar o agressivo. Foi quando a gente chamou Henrique Albino para os arranjos de cordas. Ele foi fundamental para finalização do conceito geral do disco”.

Cabeça Coração foi gravado no estúdio Carranca, mixado por Bernardo Goys e masterizado por Felipe Tichauer, com arranjos de Rogério Samico e do maestro Henrique Albino. Parte da “turma” de Igor Carvalho reforça os vocais, Fláira Ferro, Jr.Black e Matins e Vinicius Barros. O produtor e músico Yuri Queiroga está no disco tocando guitarra e escaleta. E ainda há participações especiais de Zélia Duncan (em Não tinha Amor Ali), Johnny Hooker (Me Esqueça) e o português Manuel Cruz (em Película de Vidro e Eu Não Quero Mais).

l Show de Igor de Carvalho , no Janeiro de Grandes Espetáculos, lançando o disco Cabeça Coração, amanhã,
no Teatro de Santa Isabel, 20h30, ingresso: R$ 40. Fone: 3355 332

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