Show/DVD

Genival Lacerda faz retrospectiva de carreira

Ele prestará também homenagens a Jackson e Gonzagão

José Teles
José Teles
Publicado em 10/08/2019 às 9:44
DIVULGAÇÃO
Genival continua respirando por ventilação mecânica - FOTO: DIVULGAÇÃO
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“O Senador do Rojão”, “Seu Vavá”, “Seu Cazuza”, ao longo de 60 anos de carreira, Genival Lacerda já ganhou muitos apelidos, cantou muita música, incluídas em dezenas de discos, interpretou papéis humorísticos. Impossível reunir tudo isso num único show. Mas Genival Lacerda vai fazer o possível no show Minha Estrada, para gravação de DVD, que apresenta hoje, às 21h, no Teatro Boa Vista. Com participações de Waldonys, Caju e Castanha, Flávio Leandro, Jorge de Altinho, Nando Cordel e João Lacerda, filho de Genival, que canta e faz a direção musical.

A rigor, a carreira de Genival Lacerda tem mais de seis décadas: “Comecei em Campina Grande em 1953, programa de calouros, depois passei pra efetivo na Rádio Borborema, ganhando 300 mil réis por mês. Primeiro gravei na Rozenblit, mas lá você gravava baião e recebia em choro”. Foi contemporâneo, bem mais jovem, de Jackson do Pandeiro, chegando até a seren contraparentes. Severina, irmã de Jackson, foi casada com dois irmãos de Genival Lacerda: “Ela casou com Zé Lacerda, meu irmão. Ele morreu e ela casou com outro irmão. Não queria sair da família mesmo”, brinca “O Senador do Rojão” (o “senador” foi por causa do senador Carlos Lacerda, político badalado nos anos 60).

 João Lacerda resume o roteiro do show: “Vai ter homenagens a Dominguinhos, a Jackson, pelo centenário, também a Luiz Gonzaga, e um apanhado dos sucessos de Genival. Começa com Galeguinho dos Zoio Azul, A Filha do Mané Bento, Quero Ver Meu Bem. De Luiz Gonzaga, Deixa a Tanga Voar, São João do Carneirinho, Sanfona Sentida e Quem Dera, com Nando Cordel. A homenagem a Jackson tem Canto da Ema, Sebastiana, Forró em Limoeiro e Quadro Negro”.

Claro que o repertório de Genival está centrado na fase em que se tornou frequentador das paradas pelo País afora. Ele gravou alguns dos principais autores de forró, como Edgard Ferreira, Rosil Cavalcanti, Buco do Pandeiro e Maruim, mas só ganhou dinheiro a partir de Severina Xique-Xique, parceria com o conterrâneo João Gonçalves, deflagrando a onda do forró de duplo sentido. Às vezes deixando em segundo plano clássicos feito Eu Vou Pra Lua, de Luiz “Boquinha” de França, lançado por ele, mas que fez sucesso nacional com o paraense Ari Lobo.

Genival Lacerda passou pouco tempo no Recife. Logo estaria no Rio, onde funcionavam as principais gravadoras. Foi um tempo áureo para o forró que reunia Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Marinês, Abdias, Zé Calixto, Geraldo Corrêa e, claro, Luiz Gonzaga, com quem Genival conviveu, num relacionamento com pequenas rusgas:

“Comigo ele foi bom, trabalhei com ele, agora, era chato. Chegamos numa rádio no Espírito Santo, ele olhou pra mim e disse que eu procurasse um sanfoneiro, porque ele não ia me acompanhar, não. Ela era, como se diz no Nordeste, meio intufado, afobado. Nós tivemos oito brigas, eu e Gonzaga. A maior foi num programa na Rádio Jornal do Commercio. Éramos eu, Marinês, Abdias, Zé Gonzaga. Aí ele disse que eu não ia entrar. Marinês foi em cima dele, ‘compadre faça isso não, bote Genival, ele é bom’. Eu fiquei lá, com raiva dele. Aí Gonzaga chega e diz que eu ia entrar naquela hora. Eu nem tava preparado, aí disse pra ele: Vou entrar não, chama tua mãe. Ele era grosso, e eu era grosso e meio”.

PERSONAGENS

Aos 88 anos, Seu Vavá continua na estrada, faz em média uma centena de shows por ano. Mal acabou a maratona junina, ele já estava viajando para São Paulo para um show em homenagem a Jackson do Pandeiro. O repertório está esboçado no seu mais recente CD Todas as Caras, poderia ser O Forró de Seu Vavá, ou O Rei da Munganga, e ainda O Senador do Rojão. Um pouco de todos estes personagens comparecerão ao palco do teatro Boa Vista hoje.  

Gravação de DVD com Genival Lacerda – Teatro Boa Vista (Rua Dom Bosco 551, Boa Vista). Hoje, 21. Ingressos: R$ 60 e R$ 30

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