Disco

Almério e Mariene de Castro unidos pelo acaso

Um encontro numa festa acabou em show e disco

JC Online
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Publicado em 18/09/2019 às 8:43
Foto: Renan Olivetti/Divulgação
Um encontro numa festa acabou em show e disco - FOTO: Foto: Renan Olivetti/Divulgação
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Quando recebeu o convite para uma festa na casa de José Maurício Machline (do Prêmio da Música Brasileira), Almério estava no Recife e a festa seria no Rio. Resolveu aceitar. Não fosse esta decisão, o disco Acaso Casa, dele e da cantora baiana Mariene de Castro, lançado na semana passada, com selo da Biscoito Fino, não existiria.

Os dois se conheceram na casa de Machline, cantaram juntos pela primeira vez: “Foi um encontro muito especial e lindo. O disco fala dessa energia. Quando vi Almério cantar não me senti mais sozinha. Por isso que a música que abre o CD fala disso”, comenta Mariene de Castro, citando versos de Avesso, de Ceumar e Alice Ruiz, “Você é a pessoa mais parecida comigo que eu conheço” (no disco, com citação de Vai Dar Namoro, sucesso da dupla Bruno & Marrone).

 Foi uma interação tão precisa e rápida, que José Maurício Machline fez mais um convite. Queria os dois num show que ele próprio dirigiria. A seleção do repertório foi feita por Mariene, Almério e Machline. O nome do show surgiu no primeiro ensaio. Apresentaram-se três vezes: uma em São Paulo, duas no Rio. O concerto do qual o disco é registro aconteceu na Casa do Choro, na histórica Rua da Carioca, no Centro do Rio.

Um espetáculo que primou pela simplicidade. Duas vozes realçadas por Pedro Franco (violão e bandolim), Gil Barbosa (Acordeom) e Juliano Holanda (violão). O repertório, embora salpicado de clássicos, explora o imenso filão da MPB, reativando pérolas esquecidas, feito Príncipe Brilhante (Geraldo Azevedo/Carlos Fernando, de 1982), Mas Quem Disse que Eu Te Esqueço (Yvone Lara/Herminio Bello de Carvalho), e dando brilho novo a Espumas Ao Vento, de Accioly Neto. As recentes Deixa Soar (Juliano Holanda/Geraldo Maia), e Segredo (Isabela Morais), lado a lado com Gonzagão (em quatro faixas), Dominguinhos e Chico César. Um repertório impecável, com arranjos primorosos.

NORDESTE

 Um disco que privilegia o Nordeste: “Sou uma artista brasileira, nordestina, nascida em Salvador, no Recôncavo da Bahia. Eu canto tudo o que minha alma sente. Sou esse brejo, essa tabaroa interiorana, apaixonada por Gonzaga desde pequenininha quando meu avô me presenteava com seus discos de vinil. Minha avó tocava acordeom. Ninguém mais que Luiz Gonzaga me influenciou na música. Ele é o Rei. Quanto ao repertório ele está apenas dizendo coisas que sinto, falando de mim, da minha história,” diz Mariene de Castro.

Almério complementa: “Acabou um disco mais pernambucano do que baiano. A intenção era tirar do samba, e o repertório foi pra um interior da gente. Mariene tem família no interior, parte desta música estava no nosso imaginário”, comenta Almério, que veio do Agreste pernambucano. Salve o acaso que pariu este disco, (que tem mais músicas na versão digital), em que a captação de som beira à perfeição. Não fosse a manifestação da plateia, soaria como gravação de estúdio. Um grande encontro.

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