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Lorena Calábria conta as histórias de Da Lama ao Caos

Livro disseca o histórico álbum do CSNZ

JOSÉ TELES
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JOSÉ TELES
Publicado em 18/09/2019 às 10:35
Foto: Maria Teresa Arruda/Divulgação
Livro disseca o histórico álbum do CSNZ - FOTO: Foto: Maria Teresa Arruda/Divulgação
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Quando viu exemplares da série 33 1/3, livros que contam a história de um disco, a jornalista carioca Lorena Calábria pensou no disco Da Lama ao Caos, de Chico Science & Nação Zumbi. Poucos anos depois, o álbum da CSNZ, lançado em 1994 pela Sony Music, ganhou um livro, numa série semelhante à 33 1/3 (editada na Inglaterra pela Editora Bloomsbury). Agora, chega às livrarias, pela editora Cobogó, o mais novo título da série “o livro do disco”. Escrito, claro, por Lorena Calábria, que trabalha com jornalismo cultural desde meados dos anos 80.

“Não vi o primeiro show da banda em São Paulo, no Aeroanta. Meus amigos que viram ficaram falando maravilhas. Só vi Chico Science & Nação Zumbi quando o grupo lançou o disco. Ao vivo era outra coisa, ainda por cima com o carisma de Chico”, conta Lorena, que lança Da Lama ao Caos – Nação Zumbi, hoje, na Aeso-Barros Melo, em Olinda, pela manhã, e na UFPE, à tarde, no miniauditório 2 do CAC. Amanhã, o livro terá lançamento no Porto Digital e, no sábado, haverá uma sessão de autógrafos na Passa Discos, no Espinheiro, também à tarde, com participação de DJs.
Livro de estreia de Lorena Calábria, Da Lama ao Caos levou quatro anos, desde que ela recebeu o convite da editora: “Foram mais de 600 entrevistas. Fui além dos protagonistas. Já foi escrita muita coisa sobre o disco, eu queria outras histórias. Como não sou do Recife, procurei outros caminhos, fui cavando, conversando com muita gente. Na verdade, escrevendo mesmo devo ter levado uns dois anos, até o momento da entrega dos originais”.

HISTÓRIAS

Bi Barone, do Paralamas do Sucesso, conheceu Chico Science no Recife, onde veio participar de um clipe da cantora Deborah Blando, o que, por si só, já é inusitado. No início da década de 90, Deborah ensaiou uma carreira internacional como uma espécie de Madonna, ou Cindy Lauper, brasileira, e a gravadora formou uma superbanda para acompanhá-la numa gravação ao vivo na Praia do Pina: Barone, Dé (então no Barão Vermelho), Cláudio Zoli, na guitarra, e o pernambucano Repolho (na época percussionista de Elba Ramalho). Nessa noite, Barone e Dé acabaram na Soparia, conheceram Science, que se apresentou aos dois e acabaram num apartamento escutando a fita demo do grupo de Chico.

“Ele parecia uma entidade elementar, um gnomo, um saci, um Exu. A maneira como surgiu do nosso lado na Soparia, de repente, foi muito surpreendente. E a conversa ia numa fluência que a gente comprava tudo que ele falava. Se ele nos levasse num cartório, a gente assinava qualquer documento. Naquela noite, seria sócio do Chico Science em qualquer coisa, fácil, fácil”, enfatiza Barone. Das muitas entrevistas, Lorena destaca a de Goretti França, irmã e confidente de Chico Science, acentuando o quanto as letras de suas composições eram autorreferências, com episódios que ele viveu, e que Goretti, quatro anos mais velha, reconhecia”. A Praieira cita a revolução homônima, mas no cerne dos versos estão prosaicas idas da família França ao banho de mar: “No caminho é que se vê... Era isso mesmo. Ia todo mundo, adolescentes e depois mais velhos também, e escolhia a praia melhor pra ficar. Todo domingo tinha praia, cerveja e o almoço maravilhoso da minha mãe”, esclarece Goretti em entrevista à autora do livro.

Lorena Calábria se tornou amiga de Chico Science, entrevistou-o algumas vezes, e ainda conversa eventualmente com os atuais integrantes da Nação Zumbi. O livro acaba sendo, também, uma biografia de Chico Science, e nela está embutida a cena musical brasileira da década de 90. Da Lama ao Caos é dividido em três capítulos, um deles, dedicado a um faixa a faixa, com mais histórias, num texto que não se preocupa com intelectualismos. Lorena é uma boa contadora de história.

l Lançamento do livro Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama ao Caos, de Lorena Calábria, hoje na Aeso
- Barros Melo, em Olinda (Av. Transamazônica, 405 - Jardim Brasil, Olinda), às 9h30 e, à tarde, na UFPE, às
15h30, no Miniauditório do CAC. Amanhã, a escritora participa, às 19h, do debate Recife Anos 90, no Porto Digital. Sábado, a partir das 15h, sessão de autógrafos e DJs convidados, na loja Passa Disco (Rua da Hora, 345, Espinheiro )

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