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Anchieta Dali lança livro com prefácio de Lula

Na próxima semana ele libera dois disco para streaming

José Teles
José Teles
Publicado em 25/09/2019 às 8:54
Foto: Bianca Souza;JC imagem
Na próxima semana ele libera dois disco para streaming - FOTO: Foto: Bianca Souza;JC imagem
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“Foi com grande prazer que li os seus poemas do livro Nação Avacalhada. Prometo decorar alguns, para recitar com você quando sair da cadeia”. Esté é parágrafo inicial da apresentação que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu para o livro do músico, compositor e poeta Anchieta Dali, que será lançado nesta quarta-feira, a partir da 19h, na Passa Disco, no Espinheiro, com um pocket show e participações de intérpretes e parceiros do autor.
“Lula leu os rascunhos do livros na cadeia. Até leu os poemas para seus carcereiros, dizendo que ia ler a poesia de um matutinho do interior de Pernambuco”, conta Anchieta. Os originais do livro chegaram às mãos do ex-presidente através do irmão do escritor, que pertence ao Ministério Público e é amigo dos advogados de Lula.

“Mas os poemas não foram escritos inspirados no Brasil de agora. São de várias épocas. Eu escrevo todos os dias, e vão se amontoando, foi meu irmão, Djalma Félix (assina a orelha) que selecionou o que está no livro” explica Anchieta. O título do livro vem de um poema homônimo; “Não dei, não dou nem darei/ousadia a essa corja/que mente, somente forja/as vísceras poderes da lei”. A política permeia o livro, dividido em três partes, com uma mini-autobiogafia no final: “Na adolescência fui futebolista. Lateral esquerdo dos bons. Mais adiante me tornaria músico, ator, cantor, escritor, arranjador, produtor, ouvinte de bons livros, leitor de bons discos e produtor de um sem fim de artistas”, anuncia o seu currículo.

CANTORIA

Ele, estilisticamente, se situa entre o forró e a cantoria. Na poesia, tanto se vale da métrica do repente, quanto do verso livre: “Convivi um período com cantadores de viola, conheço bem a poesia deles. Tem poemas no livro em que obedeço a métrica da cantoria, um exemplo é Abanhado, que é em decassílabo. Mas a maioria não tem métrica alguma, são versos livres”, explica.
Escriba compulsivo, Anchieta Dali nem sabe com certeza quais os poemas mais recentes ou mais antigos do livro: “Já tenho material selecionado para a sequência deste livro, com poemas e contos

Hoje morando em São José do Belmonte, no Sertão pernambucano, nasceu em Belém do São Francisco, cresceu em Tacaratu, morou em Salvador, Caruaru, de onde veio para o Recife. Foi um dos nomes destacados da cantoria na segunda metade dos anos 80, ao lado de gente feito Maciel Melo e Paulo Matricó, com quem participou da banda Matricó: “Xangai levou a gente para abrir os shows dele, a banda viajou muito por aí, ganhamos sete festivais. Eu ganhei quatro festivais solo. Ainda tem muito festival, mas parei de participar porque o pessoal me chama dizendo que eu vou e ganho. Não me interessa isso. Posso ir, mas só para fazer show”, diz Dali.

Na carreira solo ele já contabiliza sete discos gravados, numa discografia iniciada em 1993. Tem mais dois álbuns encaminhados e com previsão de entrar nas plataformas digitais na semana que vem, com os CDs físicos a caminho: “Um se chama Vinte de Forró, são 20 composições minhas, algumas com parcerias. O outro se chama Anchieta Dali por Outras Vozes, uma reunião de composições minhas nas vozes de outros artistas. Muita gente me gravou, Elba Ramalho, Fagner, Amelinha, Flávio José, Maciel Melo, um bocado de gente”. Espere-se, pois, que alguns dos intérpretes de Anchieta deem uma palinha no pocket show da Passa Disco.

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