GOSPEL

Conheça Anderson Freire, autor da música cantada por evangélicos para evitar suicídio

Seguido por 2,4 milhões de pessoas no Instagram, o cantor já ganhou um Grammy Latino e é um dos principais nomes da música evangélica no Brasil

JC Online
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Publicado em 09/01/2020 às 10:54
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Seguido por 2,4 milhões de pessoas no Instagram, o cantor já ganhou um Grammy Latino e é um dos principais nomes da música evangélica no Brasil - FOTO: Foto: Reprodução/Facebook
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"Cantor, compositor, servo do reino". É assim que o cantor capixaba Anderson Freire se define em seu perfil oficial no Instagram, onde é seguido por 2,4 milhões de pessoas. As músicas do artista de 39 anos ultrapassaram as fronteiras de sua cidade natal e conquistaram espaço entre os grandes nomes da música gospel brasileira. Uma das suas mais famosas canções, “Raridade”, tomou a internet na última semana após um grupo de pessoas cantá-la para impedir que um homem se jogasse da janela de um prédio na cidade de Patos de Minas, em Minas Gerais. O rapaz desistiu e foi resgatado pelos Bombeiros.

Nascido em Cachoeiro do Itapemirim, no interior do Espírito Santo, o hoje cantor, compositor e produtor musical começou a carreira na adolescência, quando formou um grupo com seus irmãos, Adilson, Dirceu e Adelson. Eles costumavam se apresentar em igrejas evangélicas de sua cidade e região. 

Chamado inicialmente de Vocal Asafe, o grupo mudou de nome para Banda Giom e passou a fazer sucesso não só entre evangélicos, mas também entre católicos, isso porque o grupo já teve canções regravadas pela banda Anjos de Resgate e pelas cantoras Adriana e Celina Borges.

Carreira solo

Em 2011, Anderson Freire decidiu dar uma nova cara à sua carreira e saiu da banda formada com os irmãos para gravar o primeiro disco solo, lançado no mesmo ano. Batizado de “Identidade”, o álbum contou com a participação da cantora Bruna Karla, um dos maiores nomes da música gospel no país, e da Banda Giom. O sucesso foi tão grande que o álbum foi certificado pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) como Disco de Platina, pela venda de mais de 80 mil cópias.

Após isso, o sucesso do cantor não cessou e lançou outros trabalhos, como aquele de maior sucesso, o álbum ‘Raridade’ (2013), que ganhou o Disco de Diamante, por vender mais de 300 mil cópias. Este é o segundo álbum solo do cantor e foi lançado pela gravadora MK Music. As músicas do CD foram compostas pelo cantor em parceria como nomes como o pastor Cláudio Duarte. 

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É neste álbum que está a música 'Raridade' que foi cantada por um grupo de pessoas para tentar impedir o suicídio de um homem em Minas Gerais. O caso, registrado em vídeo, aconteceu em dezembro de 2019, mas começou a repercutir na internet neste mês de janeiro.

"Você é um espelho que reflete a imagem do Senhor. Não chore se o mundo ainda não notou, já é o bastante Deus reconhecer o seu valor. Você é precioso, mais raro que o ouro puro de Ofir. Se você desistiu, Deus não vai desistir. Ele está aqui para te levantar se o mundo te fizer cair", diz o refrão da canção.

Ouça a música cantada no vídeo:

O músico gravou ainda ‘Anderson Freire e Amigos’ (2014), ‘Deus não Te Rejeita’ (2016) e ‘Contagem Regressiva’ (2018). O artista gospel também foi indicado quatro vezes ao Grammy Latino em 2013, 2014, 2015 e 2016, quando conquistou o prêmio.

Em 2019, Anderson emplacou quatro músicas na playlist da plataforma de streaming Spotify que reuniu as canções gospel mais ouvidas desde 2009. Além de 'Raridade', entraram na lista também 'Canção do Céu', 'Acalma o Meu Coração' e 'Mapa do Tesouro'.

Ouça a playlist "Uma década de fé":

Mercado lucrativo

Zilda não desgruda do celular. Vez por outra checa mensagens de clientes e fica atenta ao desempenho da Senhorita Z nas redes sociais. Costureira por vocação, virou empreendedora depois de trabalhar por mais de uma década em lojas de confecção no Estado. Há pouco mais de um ano, viu a marca de moda feminina evangélica decolar. Hoje tem quase 79 mil seguidores no Instagram e o número não para de crescer. A plataforma é aliada na venda das peças criadas no ateliê improvisado no terraço de sua casa, no bairro de Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho. A Senhorita Z ocupa um espaço até pouco tempo pouco explorado no Brasil: a oferta de produtos e serviços especializados para o público evangélico. Pelas contas da Associação de Empresas e Profissionais Evangélicos do Brasil (Abrepe), o mercado fatura R$ 21,5 bilhões por ano e gera 2 milhões de empregos.

O avanço dos negócios anda em linha com o crescimento da população evangélica no País. No censo de 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a maior nação católica do mundo está cada vez mais evangélica (22,2%). Atualmente, a estimativa é que eles já são 55 milhões de pessoas, representando 26,5% dos 207 milhões de brasileiros. “A previsão do IBGE é de que em 2040 a população evangélica seja maioria. Os empreendimentos cristãos já são fortes nos mercados literário, fonográfico e de instrumentos musicais, mas estão se expandindo para os setores de moda, turismo, varejo em geral, alimentação e muitos outros”, diz o presidente da Abrepe, Marcelo Rebello.

Pernambuco ainda não tem estatística sobre o tamanho do mercado, mas já é possível ver lojas especializadas no público cristão, inclusive em shopping center. O espaço, aliás, é cobiçado pela Senhorita Z na sua extensa lista de planos e sonhos para os próximos anos. “Quem tem um Deus grande precisa sonhar grande. Ninguém explica o que Ele faz”, acredita Joseílda da Silva Francisco, 40 anos, que ganhou o apelido de Zilda desde criança. Solteira, evangélica da Assembleia de Deus e morando com os pais, a Senhorita Z por trás da marca é uma mulher de sorriso generoso, energia vibrante e empreendedora por natureza.

Com cinco máquinas industriais em seu ateliê, ela produz praticamente sozinha tudo o que vende. Quando as encomendas crescem demais contrata costureiras diaristas para reforçar a produção média mensal de 300 peças. Os vestidos, saias, blusas e outros itens são vendidos a preços que variam de R$ 120 a R$ 260. Um dos segredos da Senhorita Z (expressão usada por um primo dela certa vez) é a atenção com a clientela. “Sem as clientes, a marca não existe”, diz com sabedoria, sem nunca ter feito curso de empreendedorismo. Hoje a marca conta com 60 estampas exclusivas desenhadas por designer de fora do Estado. “Meus principais planos para 2018 são ter uma coleção inteira com estampas exclusivas, criar um site para venda no atacado e alcançar 100 mil seguidores no Instagram (@senhoritazz)”, diz.

Para alcançar a meta, capricha nas estratégias de marketing. Faz parceria com blogueiras evangélicas, presenteia cantoras-celebridade (como Fernanda Brum e Mayra Carvalho) com modelos da marca e acabou de criar uma caixinha personalizada para embalar seus produtos. Enquanto conversava com o JC na tarde da última quarta-feira, recebeu mensagem de uma cliente da Argentina interessada em comprar um dos seus modelos de saia. “Já me procuraram do México, da Colômbia e de vários Estados brasileiros”, conta. Nos próximos dias, as clientes da empresa vão receber um brinde-mimo de uma bonequinha da Senhorita Z na embalagem de suas compras. Uma aula de empreendedorismo pra ninguém botar defeito.

Tradição

Se de um lado a Senhorita Z tem a empolgação de iniciante, marcas tradicionais como a Luciana Noivas e a livraria Luz e Vida não perdem o bonde da expansão evangélica. Especializada em aluguel de roupas para noivas e festas, a Luciana Noivas inaugurou este mês a segunda loja da marca, na Conde da Boa Vista. Com 18 anos de mercado, a empresa conta com mais de 250 modelos disponíveis para aluguel, a preços que variam de R$ 400 a R$ 5 mil. “Pelo menos 70% do nosso público é evangélico e somos muito conhecidos entre todas as denominações. O cristão costuma ser fiel a sua comunidade, por isso acabamos tendo a família toda como cliente. A festa de ABC dos filhos, as debutantes e depois a noiva”, observa a jovem empresária Jéssica Pitancó, 22.

A rede paranaense de livraria evangélica Luz e Vida encontrou em Pernambuco seu maior mercado. São oito lojas espalhadas pelo Estado e mais duas serão inauguradas no mês de abril nos shoppings Camará, em Camaragibe, e Patteo, em Olinda. A sede e a editora da empresa ficam em Curitiba, onde a rede mantém duas unidades, além de mais duas lojas em Porto Alegre. “Hoje as livrarias precisam oferecer mais do que produtos aos clientes, por isso nossa proposta é oferecer uma experiência. O projeto das novas lojas conta com auditórios para realizar palestras e projetos culturais junto à comunidade”, destaca o gerente geral da livraria no Brasil, pastor Glevison Soares.

A Luz e Vida também é detentora do Smilingüido, a famosa formiguinha que está em dezenas de licenciamentos nos mais variados setores e produtos. Um boneco de pelúcia da turma da formiga é vendido por R$ 89. A primeira loja da empresa, localizada no bairro recifense de Santo Antônio, chega a receber 1,4 mil clientes por dia. O pastor diz que a Bíblia responde por 40% das vendas, explicando que são muito tipos, até com tecnologia de realidade aumentada. 

Prevenção ao suicídio

O Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente, também oferece um apoio para a prevenção ao suicídio, através do número de telefone 188 e por e-mail e chat durante 24 horas.

O posto do CVV no Recife funciona na Rua Manoel Borba, 99, no bairro da Boa Vista. O atendimento não exclui a necessidade de as pessoas com comportamento suicida terem acompanhamento psiquiátrico.

Em números absolutos, Pernambuco é a sétima Unidade da Federação com mais casos notificados de violência autoprovocada (pensamento suicida, automutilações e tentativas de suicídio) entre jovens de 15 a 29 anos, segundo boletim epidemiológico divulgado em agosto de 2019 pelo Ministério da Saúde. O panorama corresponde a dados acumulados entre 2011 (ano em que a notificação de tentativas e mortes por suicídio passou a ser obrigatória no Brasil em até 24 horas) e 2018. Ainda em relação ao Estado, chama a atenção o aumento de registros, na mesma faixa etária, no período de 12 meses: saiu de 998 casos, em 2017, para 1.693 no ano passado.

Janeiro Branco alerta para os cuidados com a saúde mental

Com um dos maiores índices de ansiedade e depressão do mundo, o Brasil ocupa hoje o oitavo lugar em incidência de suicídos. Portanto, "falar de saúde mental é uma questão de saúde pública, e é tão normal quanto ir a outro médico", pondera Vitor Barros Rêgo, psicólogo e coordenador da Campanha Janeiro Branco, promovida pelo Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP-DF), em entrevista ao programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional da Amazônia.

Seja por medo, vergonha ou desconhecimento sobre a atuação de um profissional, a campanha visa derrubar o preconceito ao redor do tema e trazer qualidade de vida ao cidadão. E chama a atenção para o fato de que falar sobre os sentimentos não pode ser uma ação exclusiva aos consultórios. Para isso, Vitor fala sobre educarmos nossas emoções. "São muitos os padrões que colocam para a gente e nos aprisionam. E aprisionam também nossas emoções. É necessário fazer essa reflexão para evitar chegar em um quadro mais complexo", complementa ele.

Atividade física e os benefícios para a saúde mental

O equilíbrio do corpo e da mente é o segredo para se manter saudável. Pensando nisso, a campanha Janeiro Branco levanta uma discussão bastante importante para a população brasileira: os cuidados com a saúde mental. A proposta é mobilizar as pessoas e quebrar o tabu sobre as doenças que afetam a mente. Outro ponto fundamental que merece destaque: a atividades físicas funciona como remédio natural e ajuda no combate a depressão, por exemplo. A revisão de mais de 30 estudos publicada no jornal norte-americano JAMA Psychiatry constatou que os exercícios estão diretamente ligados à diminuição dos sintomas da depressão. Leia a matéria completa no Blog Vida Fit.

Podcast 'O Fato É...' trata do suicídio

O suicídio é a causa de 800 mil mortes no mundo todos os anos, a segunda maior causa entre os jovens. É uma epidemia e é tratada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como prioridade de saúde pública. Mas também é um tabu na sociedade. No episódio desta semana do podcast - Amarelo 188, referente à campanha Setembro Amarelo e ao número de atendimento do Centro de Valorização da Vida (CVV) -, Rafael Carvalheira e Leonardo Spinelli esclarecem por que precisamos falar abertamente sobre o suicídio.

A empresária Carla Aymar relata sua experiência de renascimento, a psicanalista Paula Fontenelle aprofunda conceitos e dados científicos, a psicóloga Ana Andrade Lima conta sobre a rotina com alunos do Instituto Capibaribe, o voluntário Roberto Maia Filho detalha o trabalho no atendimento do Centro de Valorização da Vida e a jornalista Cinthya Leite conversa sobre a responsabilidade de tratar o tema na imprensa.

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