Polêmica

Saiba quem foi Wagner, compositor preferido de Hitler que teve música usada em vídeo de Alvim

Música do autor alemão contribuiu para queda de Secretário da Cultura

José Teles
José Teles
Publicado em 17/01/2020 às 14:29
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Música do autor alemão contribuiu para queda de Secretário da Cultura - Foto: reprodução
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“Uma ópera deve fazer as pessoas chorarem, sentirem-se aterrorizadas, morrerem”. Comentário do compositor Wilhelm Richard Wagner (1813/1883), sobre o ciclo de quatro óperas intitulado Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo). Substituindo-se a palavra “ópera” por “política”, a frase poderia ser atribuída a Adolf Hitler, o Führer, criador do nazismo, admirador incondicional de Wagner que, curiosamente, viu-se obrigado a exilar-se na Suíça, durante cinco anos por professar ideias extremistas de esquerda.

O compositor alemão teve trecho da ópera Lohengrin utilizada como fundo sonoro do desastrado vídeo de Roberto Alvim,cuja repercussão negativa levou o presidente Bolsonaro a exonera-lo do cargo de Secretário de Cultura do governo. Não pela qualidade da música, mas pela ligação da obra de Wagner a Adolf Hitler, e  ao nazismo. 

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MODERNO

Paradoxalmente, Hitler abominava o modernismo dos artistas judeus, que considerava “decadente”, assim como também o jazz. No entanto, aceitava as inovações estéticas de Wagner, um dos criadores da moderna música erudita, porém, ele próprio anti-semita. O compositor faleceu seis anos antes de Hitler nascer. Nos anos 20, ele se aproximou de Winifred Wagner, filha de Richard Wagner, a quem cobre de elogios em Mein Kampf (Minha Luta).

A música de Wagner, sobretudo o ciclo com as quatro óperas, formado por Das Rheingold (O Ouro do Reno), Die Walküre (A Valquíria), Siegfried e Götterdämmerung (O Crepúsculo dos Deuses), tem forte cunho nacionalista, exalta personagens da mitologia nórdica. Ressaltando que a Alemanha só unificou-se em 1971. Certamente por afirmar que a política estava em tudo o que fazia, Wagner é o compositor de que se lembram quando se liga música a nazismo. Porém Wagner era uma paixão pessoal de Adolf Hitler, enquanto a peça musical com que os nazistas se identificavam, praticamente apropriada pelo regime, foi a cantata Carmina Burana, música de Carl Orff (1895–1982), em versos do século XIII, que exaltavam a juventude e o néo-paganismo. Felizmente, a cantata não ficou estigmatizada pelo nazismo.

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