25 anos

Rec-Beat saiu de um quintal em Olinda para conquistar multidão no Carnaval do Recife

Festival, que acontece de 22 a 25 de fevereiro, reúne apostas da cena musical

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 19/02/2020 às 13:02
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Ariel Martini/Divulgação
Festival, que acontece de 22 a 25 de fevereiro, reúne apostas da cena musical - FOTO: Ariel Martini/Divulgação
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Das dimensões modestas do Centro Luiz Freire, em Olinda, para a Rua da Moeda e posteriormente para o Cais da Alfândega, onde reúne anualmente uma multidão, o Rec-Beat se transformou em termos de porte, mas manteve a missão de celebrar a pluralidade da música nas noites do Carnaval do Recife. Essa atenção contínua para artistas consagrados, iniciantes e de cenas alternativas, local, nacional e internacional marca também as comemorações de seus 25 anos, que acontecem de sábado (22) a terça-feira (25).

Idealizado pelo produtor e jornalista Antonio Gutierrez, o Gutie, o Rec-Beat inicialmente nasceu como uma festa. A ideia era juntar uma galera para se divertir e curtir o som da cena que despontava em Pernambuco no início dos anos 1990. Com pouco tempo, Gutie percebeu que a proposta poderia se expandir e oferecer uma programação noturna instigante durante o Carnaval.

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“A cena musical daquele momento tinha uma mídia generosa em termos locais e fora de Pernambuco, mas não tinha muita plataforma para se apresentar aqui, não tocava nas rádios. Então, a música tinha uma certa dificuldade de chegar ao público, com exceção de alguns espaços, como a Soparia (bar localizado no Pina)”, lembra Gutie. “Como folião, ia para Olinda de manhã, acompanhava os blocos até o fim da tarde e, quando chegava a noite, não tinha o que fazer. Inclusive, era o momento que mais tinha violência. Foi então que inventei de fazer um formato de festival no Centro Luiz Freire. Ali era uma espécie de oásis, um espaço com muitas plantas e onde se podia curtir esse pós-blocos.”

O produtor lembra que no início houve uma certa resistência e muitos observavam o Rec-Beat como uma atração para quem não gostava de Carnaval. Gutie discorda e diz que sempre viu o festival como uma experiência singular e, ao mesmo tempo, um complemento da festa, um reforço na diversidade de ritmos que pauta a folia em Pernambuco.

Para ele, um divisor de águas para o Rec-Beat foi a morte de Chico Science, em 1997. Naquele ano, ele estava no México, em turnê com a Mundo Livre S/A, quando recebeu a notícia. A pessoa que ele havia deixado encarregada de tocar o festival, decidiu cancelar as atividades. Quando chegou ao Recife, o produtor correu contra o tempo para viabilizar a edição.

“Na prática, o festival nasceu naquele momento. Estava todo mundo muito abalado e aquela foi uma forma de enfrentar a tristeza de uma forma propositiva. De juntos encontrarmos uma forma de continuar”, lembra.

O espaço em Olinda abrigou o festival até 1999, quando ele foi transferido para o Bairro do Recife, primeiro para a Rua da Moeda e, em 2004, para o Cais da Alfândega. Desde sua origem, o Rec-Beat apostou em cenas emergentes, como a paraense, nos anos 2000, a latino-americana e, mais recentemente, o brega-funk, hoje um fenômeno nacional (este ano, a recifense Rayssa Dias representa o ritmo no festival).

REFERÊNCIA

Hoje uma referência nacional, o Rec-Beat também se expande para além do Carnaval recifense, já tendo realizado edições em Caruaru, João Pessoa, Fortaleza e, provavelmente este ano, deve ir a São Paulo.

Pelos palcos do festival já passaram artistas de diferentes épocas e gêneros musicais como Jards Macalé, Tom Zé, Luiz Melodia, Siba, Odair José, Shevchenko e Elloco, Dona Onete, Pabllo Vittar, Larissa Luz, Silvia Machete, Bomba Estéreo (Colômbia), Nneka (Nigéria) e La Dame Blanche (Cuba). Este ano, alguns nomes que fizeram parte da trajetória do festival, como Emicida, Karina Buhr, Johnny Hooker e Likiner e os Caramelows, retornam com trabalhos novos.

“Acreditamos sempre na sensibilidade do público. Buscamos artistas que mesclem referências e criem obras originais, verdadeiras. Tem que ser artistas, também, com potência no palco para dialogar com a multidão. Quando trouxe Liniker pela primeira vez, ou Baiana System, era uma aposta, mas ao mesmo tempo uma certeza de que, independente do festival, esses artistas iriam triunfar porque são extremamente talentosos. Nosso olhar sempre estará voltado para as produções periféricas, que estão fora do radar e acredito que por isso nosso público sempre se renove. E é isso que desejo quando faço a programação: que as pessoas se surpreendam e se divirtam”, enfatiza.

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