A New Yorker é uma das mais requintadas revistas do ocidente. Ter um texto aceito por seus editores, enriquece o currículo de qualquer escritor. Clássicos e jazz eram até 1968, as músicas sobre as quais se podiam ler nas páginas da New Yorker. Naquele ano, os editores entenderam que havia toda uma geração que lia a revista, mas não se via refletida nela. Decidiram contratar uma jovem antenada com as mudanças que aconteciam na sociedade para escrever sobre um assunto que raramente abordavam: o rock and roll.
Ellen Willis foi a primeira crítica de rock da New Yorker. Ela faleceu em 2006. dez anos antes, ingressava na revista outro crítico musical, Alex Ross, coincidentemente nascido no ano em que Ellen Willis passou a trabalhar para revista. Ross é atualmente um dos mais respeitados profissionais dos EUA, autor de um livro referencial, Tudo é ruído: escutando o século XX, e lança agora outro que tende a virar obra de referência: Escuta só: do clássico ao pop (Companhia das Letras, 408 páginas, R$ 49,50).
Nos 20 capítulos do livro, Ross parece querer fundamentar uma tese, ou seja, de que não há barreiras separando a música erudita da popular. Para reforçar a tese vai até 1802, quando foi publicada uma biografia de Bach, por Johan Nikolaus Forkel, "um dos primeiros livros importantes dedicados a um compositor morto, talvez seja o documento fundador da mentalidade clássica". Em 1802, Beethoven começa a compor a sinfonia Eróica. Foi quando os concertos começaram a assumir aspecto de liturgia. os autores mortos passaram a competir, e depois suplantar, os vivos. A música que passou a se chamar de erudita distanciou-se do povo.
Alex Ross fazia parte da clásse média alta, que desdenhava música pop. Ele só passou a ouvir rock quando entrou na faculdade. Começou radicalmente com Pere Ubu e Sonic Youth, para depois enveredar pelo rock classico de Beatles, Rolling stones, Bob Dylan (chegou a acompanhar o cantor em uma turnê americana). Em Escuta só ele não deseja que o rock suba um patamar para se igualar ao erudito, mas que este desça do seu pedestal e volte ao nível em que estava, antes de ser sacralizada. No livro ele comenta, com a mesma ênfase, Bjök e John Cage, Radiohead e Schubert.