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Adele volta cercada de expectativas: quantos discos venderá?

Cantora inglesa lançou 25, o lançamento mais esperado do ano

JOSÉ TELES
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JOSÉ TELES
Publicado em 21/11/2015 às 16:55
foto: divulgação/Sony Music
Cantora inglesa lançou 25, o lançamento mais esperado do ano - FOTO: foto: divulgação/Sony Music
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O terceiro disco de estúdio da inglesa Adele, 25(Sony Music) chegou nas lojas ontem, acompanhado de um ponto de interrogação: em que lugar ele vai figurar nas paradas hoje, e quantos milhões venderá? 21, o álbum anterior da cantora, de quatro anos, em formatos físico e digital bateu a barreira  dos 30 milhões, quantidade estratosférica numa época em que a indústria fonográfica ainda não tateia no escuro em busca de uma saída, depois que a Internet abalou suas estruturas. 25 não escapou à sina de vazar na rede antes do lançamento oficial, que foi antecipado de um dia pro conta disto. Mas o download ilegal gratuito pelo visto não fará com que Adele decepcione a gravadora. Hello, o primeiro single, bateu Candle in the Wind, o tributo à Princesa Diana, feito por Elton John, em 1997, como o de vendagem mais rápida na história da indústria fonográfica. 1,1 milhão de singles, e 1 bilhão de acessos do clipe.  Mas Adele não é apenas dados, estatísticas.

Aos 29 anos (o número no título do álbum é a idade que estava quando começou o projeto), reaparece mais magra, continua carismática, cantando muito bem. Mantém o estilo vozeirão mas, ao contrário da maioria de cantoras do gênero, não soa como se tivesse participando de um The Voice da vida. Tem domínio vocal, equilibra graves, médios e agudos. Porém o que fará de 25 mais um recordista, como já está sendo, é o carisma insofismável da cantora. Adele não é de surpresas. 25 é mainstream assumido. Há aqui e ali, ousadias em doses ínfimas, feito em I Miss You, composta em parceria com o produtor Paul Epworth. A voz vai às alturas, mas ela destila sensualidade, num arranjo que enfatiza a percussão. Send my Love (To Your New Lover) sai da linha baladão, é dançante, numa faixa produzida por Max Martin, que assina trabalhos de nomes como Taylor Swift e Britney Spears, mas felizmente não reveste a voz de Adele de arranjos redundantes.

A cantora é dotada de recursos que dispensam muletas tecnológicas para segurar as notas ou se manter no tom, embora alguns artifícios  e cacoetes de produção se repitam aqui. Incluindo o nefando corinho alto astral, que parece ter contaminando a música pop contemporânea, e já infectou da axé music aos sertanejos pós graduados. Do que ela se ressente é de canções com melodias memoráveis. Send My Love (To Your New Lover), uma das melhores faixas de 25, por exemplo, parece formada por pequenos trechos de outras canções. Em tempos relativamente recentes cantoras que corriam na mesma ganhavam canções mais melodiosas, vide Whitney Houston. Voltando mais no tempo, a inglesa Cila Black, que também dava impressão que ia arremessar as amígdalas garganta afora a cada agudo, tinha um Burt Bacharach como fornecedor de canções.

Adele, apesar de ótima cantora, não deixa de ser arte final de produtores. Em algumas faixas há bastante revestimento do glacê de estúdio. Glacê desnecessário em quantidade para alguém com tanto potencial vocal, como Adele demonstra em River Lea, uma balada que lembra o estilo de Peter Gabriel 20 anos atrás (produzida por Danger Mouse), ou a bela Remedy, em que um piano é suficiente, dispensando programações e penduricalhos eletrônicos. Pena que as canções sigam quase todas uma fórmula. 

(Leia matéria na íntegra na edição impressa do Jornal do Commercio) 

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