Rap

Rashid é mais um rapper derrubando barreiras de classes sociais

Ele lança primeiro álbum com denúncias e canções de amor

José Teles
José Teles
Publicado em 18/04/2016 às 8:59
foto: divulgação
Ele lança primeiro álbum com denúncias e canções de amor - FOTO: foto: divulgação
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"Querem muros, eu prefiro pontes", canta o rapper Rashid, em Cê Já Teve Um Sonho, abertura do seu primeiro álbum, A Coragem da Luz (independente). Quase 30 anos depois da pioneira coletânea Hip Hop Cultura de Rua (1988), o rap aponta para a possibilidade de se tornar a música da vez e finalmente popular fora das periferias de onde ainda saem seus principais praticantes. Depois de Criolo, Emicida e Projota, chegou a vez de Rashid, nome artístico do paulista (criado em Minas Gerais), Michel Dias da Costa.

Criolo popularizou­-se ao fazer turnê pelo País ao lado da baiana Ivete Sangalo, cantando Tim Maia. Dois universos musicais aparentemente incompatíveis. O famigerado sistema estaria cooptando o rap? Rashid, em entrevista por telefone, tenta responder à provocação: "Passei a minha adolescência inteira ouvindo todos os meus ídolos do rap falando que a gente tinha que lutar pra que o rap fosse visto como música popular brasileira. E é isto o que o rap é. Neste momento, acredito que a gente está conseguindo isso, com Criolo, Emicida, Rael e Projota. O Criolo cantar ao lado da Ivete é uma parada bacana, porque bota os dois no mesmo patamar criativo. Isto, na minha visão, mostra que as pessoas estão olhando com maior atenção e com maior carinho para o rap".

Mas Rashid concorda que para o rap ir da periferia para os principais palcos do País, foi preciso ceder. "Nos anos 1990, os caras faziam shows pra dez vinte mil pessoas, mas era uma coisa meio underground, como se fosse um universo paralelo. As pessoas pareciam não notar a existência dos rappers. A não ser os maiores grupos, feito Racionais. Eu acho que nestes últimos anos a gente vem enxergando artistas diferentes, não pela postura, mas por mudança musical. Você escuta musica que traz outras temáticas pra dentro dos arranjos, das melodias, consequentemente a aceitação das pessoas passou a ser maior".

A Coragem da Luz é exatamente isto. Depois da Tempestade, uma das faixas do álbum, é um r&b com um beat funkeado: "Luz da cidade me fazem sentir/a vontade de beijar a sua boca/quero seu sorriso para continuar", versos cantados com Alexandre Carlos. Em Laranja Mecânica, ele muda de tom, cantando com Xênia França: "Onde as flores e morrem de sede e as crianças de fome/o descaso paira tipo um drone". Rashid acha natural que haja esta dualidade em seus discos, e no rap em geral. "O rap, acima de tudo é arte, é musica. Você vai encontrar musica de amor num disco de Rashid, mas vai encontrar outras coisa também. Porque minha vida não é só amor, assim como não é só política. A gente canta estes dois universos, não por necessidade de aceitação. Desta minha geração, a maioria dos artistas segue independente, talvez por esta dificuldade das grandes gravadoras, de aceitarem os discursos". 

(leia matéria na íntegra na edição impressa do Jornal do Commercio)

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