São João

Santanna O Cantador exulta como homenageado do São João

Cantor nasceu no Juazeiro (CE), e chegou no Recife em 1979

José Teles
José Teles
Publicado em 15/06/2016 às 6:53
foto: divulgação
Cantor nasceu no Juazeiro (CE), e chegou no Recife em 1979 - FOTO: foto: divulgação
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"É a primeira homenagem que recebo de uma festa cultural municipal. Não vou negar, o ego fica exultando de felicidade, isso também me dá a certeza e a noção de que estou no caminho certo, quando a gente faz cultura popular e há um reconhecimento desses, a gente sabe que nem tudo está perdido. Não porque fui eu o homenageado, mas porque a cultura popular está sendo representada. Me sinto readotado. Já ganhei o título de cidadão do Recife e agora estou me sentindo como se fosse uma nova adoção", é o comentário de Santanna O Cantador, um dos homenageados, com Dona Glorinha do Coco, do São João do Recife 2016.

Santanna veio para o Recife, do Juazeiro do Norte (CE), sua cidade natal, em 1979, tornou­se bancário do extinto Bandepe, trabalhou em cidades do interior, mas desde então teve a capital pernambucana como base. A carreira, iniciada em 1992, só deslanchou uma década depois, com um disco ao mesmo tempo despretensioso e ousado.

Um projeto feito para dar certo. Começou pela produção, assinada por Robertinho do Recife: "Peguei a fina flor do repertório nordestino, de autores variados, como Accioly Neto, Jandhuy Finizola. Fizemos o primeiro disco apenas de xotes. Já havia feito disco com banda, sopros, guitarras, baixo, bateria o escambau. De repente, surgiu o desafio de gravar só com o trio de instrumentos desenhado por Luiz Gonzaga, a zabumba, a sanfona e o gonguê. Pé de Serra, o disco, foi o grande divisor da águas na minha carreira. Não sai de catálogo, estourou Tamborete de Forró e Ana Maria (ambas de Jandhuy Finizola), Se Avexe Não (Accioly Netto), todo o disco fez sucesso".

Ele acaba de lançar O Forró Nosso de Cada Poesia, primeiro em três anos: " Disco não dá lucro, a gente faz pela divulgação. Virou um cartão de visita", diz Santanna. Apesar da crise, não se queixa de sua agenda junina, mas dá sua cutucada nos "estrangeiros", que dominam os palcos dos grandes arraiais do Nordeste: "Na cerimônia onde foi anunciada a programação de Caruaru este ano, fiz um comentário que repercutiu. O que fez Caruaru ficar conhecida no mundo inteiro foi o barro, não o plástico".

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