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José Teles: No Carnaval, seguir bloco é feito se apaixonar

''Nunca se sabe onde o negócio vai dar, nem que perigos vamos enfrentar''. Leia o artigo de José Teles sobre a Folia de Momo e prepare-se para o Carnaval 2020

Elton Ponce
Elton Ponce
Publicado em 05/02/2020 às 11:10
Artigo
Foto: Guga Matos/Arquivo JC Imagem
''Nunca se sabe onde o negócio vai dar, nem que perigos vamos enfrentar''. Leia o artigo de José Teles sobre a Folia de Momo e prepare-se para o Carnaval 2020 - FOTO: Foto: Guga Matos/Arquivo JC Imagem
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José Teles*

Depois de uns 13 anos, voltei a entrar num bloco. Aliás, não sei se foi bloco, troça, la ursa, sei que os foliões seguiam um trio elétrico, sobre o qual o forrozeiro Geraldinho Lins cantava frevos. Não, minha senhora, não me baixou um "caboco" frevador não. O fato deu-se em 2016, eu ia ao local onde rolava o Gravatá Jazz Festival. A vida da gente é tão incerta que, às vezes muda de curso num simples atravessar de rua. Foi o que me aconteceu, ia pro jazz caí no frevo. E quase caio, literalmente, no meio do frevo por conta de um buraco na calçada.

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Seguir bloco é feito se apaixonar. Nunca se sabe onde o negócio vai dar, nem que perigos vamos enfrentar. Segui este bloco durante uma Morena Tropicana inteira, com direito a bis. Até que surgiu uma ponte salvadora, onde pude retomar o prumo da minha vida e me dirigir ao jazz. Não foi agradável. Tem pessoas que gostam do acocho da multidão. Pra mim, acocho só a dois. Em 2010, pela última vez, me arrisquei, voluntariamente, no Carnaval. Num dia de abertura, sexta. Zeca Pagodinho no auge, e levam o cara pro Marco Zero. Tinha tanta gente que não dava nem pra exagerar. Uma multidão de mais ou menos meio Galo da Madrugada. O galináceo momesco, naquele ano, segundo li, acolheu 2,5 milhões de foliões. Já estava maior do que o Recife. Mais dois ou três carnavais, Pernambuco não será mais o Leão, e sim O Galo do Norte.

Tornando ao que dizia, antes de ser tão rudemente interrompido por mim mesmo, consegui sair do Marco Zero depois de uma hora de tentativa, cheguei na Marquês de Olinda sem pisar no chão. Escapei meio que flutuando, não me perguntem, diletíssemos seguidores, como foi possível. Vai ver, por obra e graça do meu anjo da guarda. O que? Anjo da Guarda? Zé Teles, e tu acredita em Anjo da Guarda? Ora, caros leitores, não acredito, mas não me espantaria se visse um. Ultimamente tenho visto bregueços muito mais inacreditáveis.

*José Teles é titular da coluna Toques, no JC

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Depois de uns 13 anos, voltei a entrar num bloco. Aliás, não sei se foi bloco, troça, la ursa, sei que os foliões seguiam um trio elétrico, sobre o qual o forrozeiro Geraldinho Lins cantava frevos. Não, minha senhora, não me baixou um caboco frevador não. O fato deu-se em 2016, eu ia ao local onde rolava o Gravatá Jazz Festival. A vida da gente é tão incerta que, àsvezes muda de curso num simples atravessar de rua. Foi o que me aconteceu, ia pro jazz caí no frevo. E quase caio, literalmente, no meio do frevo por conta de um buraco na calçada. Seguir bloco é feito se apaixonar. Nunca se sabe onde o negócio vai dar, nem que perigos vamos enfrentar. Segui este bloco durante uma Morena Tropicana inteira, com direito a bis. Até que surgiu uma ponte salvadora, onde pude retomar o prumo da minha vida e me dirigir ao jazz. Não foi agradável. Tem pessoas que gostam do acocho da multidão. Pra mim, acocho só a dois.  Em 2010, pela última vez, me arrisquei, voluntariamente, no Carnaval. Num dia de abertura, sexta. Zeca Pagodinho no auge, e levam o cara pro Marco Zero. Tinha tanta gente que não dava nem pra exagerar. Uma multidão de mais ou menos meio Galo da Madrugada. O galináceo momesco, naquele ano, segundo li, acolheu 2,5 milhões de foliões. Já estava maior do que o Recife. Mais dois ou três carnavais, Pernambuco não será mais o Leão, e sim O Galo do Norte. Tornando ao que dizia, antes de ser tão rudemente interrompido por mim mesmo, consegui sair do Marco Zero depois de uma hora de tentativa, cheguei na Marquês de Olinda sem pisar no chão. Escapei meio que flutuando, não me perguntem, diletíssemos seguidores, como foi possível. Vai ver, por obra e graça do meu anjo da guarda. O que? Anjo da Guarda? Zé Teles, e tu acredita em Anjo da Guarda? Ora, caros seguidores, não acredito, mas não me espantaria se visse um. Ultimamente tenho visto bregueços muito mais inacreditáveis.

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