Carnaval do Recife 2020

Primeira noite do Rec-Beat 2020 teve pedido de casamento e discursos engajados

Hot e Oreia, Rayssa Dias, Karina Buhr e Martins estiveram entre os destaques

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 23/02/2020 às 3:24
José Britto/Divulgação
Hot e Oreia, Rayssa Dias, Karina Buhr e Martins estiveram entre os destaques - FOTO: José Britto/Divulgação
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O Rec-Beat, principal espaço da música alternativa no Carnaval do Recife, no Cais da Alfândega, iniciou sua edição de 2020, neste sábado (22), com uma noite de apresentações pulsantes. Com uma grade eclética, que abriu espaço para diferentes gêneros musicais, o festival, que completa 25 anos, mais uma vez apostou na força do rap e do brega-funk, além da pluralidade da música pernambucana, promovendo vários momentos de catarse.

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Com um atraso de quase duas horas para dar início à programação, a primeira noite do Rec-Beat foi aberta com o projeto pernambucano Estesia, que apresentou um show especial intitulado Estudando o Bregafunk. Formado pelo duo de produtores Pachka (Miguel Mendes e Tomás Brandão), pelo cantor e compositor Carlos Filho e pelo iluminador cênico Cleison Ramos, o Estesia levou para o palco do Cais da Alfândega um show potente, com versões de clássicos do brega, como Dizem Que Sou Louca, com roupagem em diálogo com a música eletrônica. Os artistas convidaram ao palco MC Draaak, que fez uma performance instigada pautada pelo brega-funk e o trap.

Em seguida, o músico e compositor Elkin Robinson, da Ilha de Providência, apresentou sua sonoridade influenciada pelos ritmos caribenhos, incluindo o calypso e zouke. A apresentação teve um caráter mais acústico, com muitas letras cantadas na língua crioula.

Após Elkin, o pernambucano Martins fez o show do disco que leva seu nome e confirmou seu lugar como um dos principais artistas da nova geração da música local. Muitos de seus fãs compareceram ao Rec-Beat e cantaram juntos canções como Queria Ter Pra Te Dar,  Estranha Toada e Me Dê. Destaque também para Absurdo Ser Normal, parceria com Igor de Carvalho, que foi intercalada com comentários de Igor sobre o desmonte da cultura e os ataques às instituições democráticas.

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????? Um dos nomes promissores da recente cena musical de Pernambuco, @martins é compositor, cantor e poeta ???? Foi emocionante ver o público cantar junto dessa atração conterrânea no nosso aniversário de 25 anos! Com 28 anos, o artista iniciou carreira solo com um aclamado disco homônimo que trouxe ao Rec-Beat ????O músico integrou o grupo Sagaranna, onde também tocava rabeca, e hoje faz parte da banda @bandamarsa (Recife/PE) e do projeto Forró na Caixa ♥? A poética rebuscada de Martins vem ecoando em diferentes direções e ganha força em um show com bastante energia. Seu amigo @igordecarvalho fez uma participação especialíssima! ?? #carnavaldorecife #penocarnaval #carnavaldepernambuco #carnaval #musicaéoqueimporta #freicanecafm #prefeituradorecife ???? @_josebritto

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HOT E OREIA

A dupla mineira Hot & Oreia foi um dos destaques da primeira noite do Rec-Beat 2020. A maior parte do público sabia todas as canções apresentadas, como Estilo, Eu Vou e Rappers, e cantou junto dos rappers, que são uma força no palco. Enérgicos e com letras que revelam um olhar afiado sobre a sociedade contemporânea, com denúncias e ironia, eles promoveram momentos que devem entrar na história do festival.

O primeiro deles foi um pedido de casamento. O noivo, que é fã dos rappers, entrou em contato com eles pelo Instagram para viabilizar a surpresa - e foi atendido. O outro foi quando a dupla, de supetão, pediu para o público abrir uma roda. Hot e Oreia desceram do palco e cantaram junto à plateia, que foi ao delírio.

Os músicos aproveitaram também a oportunidade para se posicionar contra a intolerância religiosa, o racismo e a homofobia. O público também puxou coros contra Jair Bolsonaro.

RAYSSA DIAS

Destaque da cena brega-funk de pernambuco, Rayssa Dias fez história ao se tornar a primeira mulher a representar o movimento no palco do Rec-Beat. Talentosa e com grande presença de palco, ela apresentou canções suas tanto de brega-funk, quanto no estilo mais romântico, sendo acompanhada pelo público a todo instante em faixas como Deixa o Povo Falar, Malvadas Q Brota e Foda Demais. Ela recebeu no palco Lady Laay e Paulinha Escamosa.

Ciente da importância de ocupar aquele espaço, Rayssa ressaltou que era simbólico que uma mulher negra, periférica e lésbica estivesse em um dos principais palcos do Carnaval do Recife. A artista tocou em temas como o racismo e o preconceito contra a cultura periférica. Afirmou que, apesar da repressão, o brega-funk resistia e transformava vidas.

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Rainha da p**** toda?? Esse cristal do brega recifense dominou nosso palco na noite deste sábado (22) ?? Revelação do brega funk de Pernambuco, @rayssadias_oficial vai do romântico ao batidão em letras com muita consciência de classe e pautas importantes como lgbtfobia e racismo ???? A cantora, que se prepara para lançar o primeiro disco de sua carreira ainda este ano, tem músicas que já são muito conhecidas pelo público local como Doce ilusão, Sonho e Deixa o povo falar. ? Foi tudoh meter o passinho e enaltecer esse novo ícone???? ???? @_josebritto #recbeat2020 #recbeat25anos #carnavaldorecife #penocarnaval #carnavaldepernambuco #carnaval #musicaéoqueimporta #rayssadias

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KARINA BUHR

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??O ícone @karinabuhr retornou ao palco do Cais da Alfândega com seu trabalho mais recente, #Desmanche. O show teve a assinatura @revistacontinente Convida, parceria com a mais importante publicação impressa de arte e cultura feita no Estado, da editora @cepeeditora. Este quarto álbum de Karina Buhr traz letras que falam do sentimento atual de instabilidade no país e comenta sobre o desmanche político e social que vivemos. Mas ela também pede serenidade para lutar ???? Esse álbum maravilhoso fez lindamente sua estreia no Cais! ??? #recbeat2020 #recbeat25anos #carnavaldorecife #penocarnaval #carnavaldepernambuco #carnaval #musicaéoqueimporta #revistacontinente #karinabuhr

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Encerrando a noite, Karina Buhr apresentou o show de Desmanche, seu disco mais recente, que ainda era inédito no Recife. Assim como no álbum, o show deu destaque para os instrumentos percussivos. Karina privilegiou as canções mais pulsantes do disco, como A Casa Caiu e Sangue Frio, deixando as "mais lentinhas", como ela classificou, para quando voltar ao Recife, o que ela prometeu que acontecerá em breve.

Sempre enérgica e cortante no palco, além de canções do novo trabalho, Karina Buhr também apresentou faixas de trabalhos anteriores, como Eu Sou Um Monstro e Pic Nic.

ASSISTA AOS SHOWS DO REC-BEAT 2020:

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DE DOMINGO (23) DO REC BEAT 2020:

19h30 – DJ Nadejda (PE)
20h00 – Nina Oliveira (SP)
21h00 – Josyara (BA)
22h00 – BAD DO BAIRRO (SP)
23h10 – N3rdistan (Marrocos)
00h30 – Omulu (RJ)

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