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Grupo técnico retoma negociações para desbloquear ajuda financeira à Grécia

A Grécia tem cada vez mais necessidade de assistência financeira para evitar uma situação de descumprimento

Da ABr
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Publicado em 30/03/2015 às 14:48
Foto: ARIS MESSINIS / AFP
A Grécia tem cada vez mais necessidade de assistência financeira para evitar uma situação de descumprimento - FOTO: Foto: ARIS MESSINIS / AFP
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O grupo de trabalho do Eurogrupo reúne-se nesta quarta-feira (1°) para discutir a situação financeira da Grécia, enquanto continuam as discussões com os credores para finalizar uma lista de reformas que permita desbloquear a ajuda financeira com os parceiros europeus.

Apesar de já estar marcada uma discussão técnica com representantes dos países da zona euro, conforme disse à Lusa uma fonte oficial do Conselho Europeu, ainda não está prevista uma reunião dos ministros de Finanças da zona euro (Eurogrupo), que tem o poder de desbloquear ajuda à Grécia, no momento em que o país enfrenta com uma grave crise.

Este encontro do Eurogrupo poderá acontecer na próxima semana, mas para isso é preciso que se chegue a uma lista de reformas que, segundo disse hoje o porta-voz da Comissão Europeia, tem de ser tanto “credível como ampla”.

No sábado (28), responsáveis da Grécia e da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu, do Fundo Monetário Internacional e do Mecanismo Europeu de Estabilidade – o denominado Grupo de Bruxelas - começaram a analisar um primeiro rascunho da lista de reformas enviada pelo governo grego que, segundo as informações divulgadas pela imprensa, deverão resultar em um aumento das receitas, de cerca de 3 bilhões de euros (R$ 10,5 bilhões), num excedente orçamentário primário - sem pagamento de juros - de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 3% anteriormente definidos, e num crescimento econômico de 1,4% do PIB este ano.

No entanto, as discussões continuam difíceis com muitas divergências entre os dois lados. Os credores insistem em medidas mais detalhadas e mesmo mais duras, enquanto a Grécia, liderada pelo partido de esquerda Syriza, tem repetido que se comprometeu a não tomar medidas recessivas.

O porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, disse hoje em conferência de imprensa que as discussões que acontecem desde sexta-feira (27) são “construtivas”, mas acrescentou que ainda é necessário trabalhar mais e recolher mais dados, o que será feito pelas equipes que estão trabalhando em Atenas.

A Grécia tem cada vez mais necessidade de assistência financeira para evitar uma situação de descumprimento, o que poderá acontecer ainda durante o mês de abril.

Além do desbloqueio de parte dos fundos da última fatia do programa de resgate (de 7,2 bilhões de euros ou R$ 25,3 bilhões), os ministros da zona do euro têm também em seu poder a decisão sobre os 1,9 bilhão de euros (R$ 6,67 bilhões) que Atenas reclama de lucros feitos pelos bancos centrais da zona euro com títulos soberanos gregos.

Os problemas de liquidez dos cofres públicos do país têm se agravados porque a Grécia está limitada a poder emitir apenas até 15 bilhões de euros (R$ 52,7 bilhões) em bilhetes do tesouro.

As autoridades gregas têm sido ainda muito críticas com relação à atuação do Banco Central Europeu, que impôs que os bancos só possam recorrer à linha de emergência a um preço mais elevado do que o financiamento normal e enviou recomendações aos bancos para que não comprem mais dívida pública do país.

A Grécia tem de amortizar 15,5 bilhões de euros em dívida aos seus credores até agosto, sendo que já na próxima semana tem de pagar 450 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional. Isto além das despesas correntes normais, como salários e pensões.

No dia 8 de abril, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, vai à Rússia em uma visita que pode tornar-se incômoda para os parceiros europeus, pois não se sabe se o governo grego vai pedir ajuda financeira a Moscou.

Em 20 de fevereiro, um acordo alcançado no Eurogrupo permitiu estender o segundo programa de resgate à Grécia por quatro meses, até final de junho.

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