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Por que o coronavírus vindo da China contamina a economia mundial

Mercado mundial opera em baixa. Entenda por que o coronavírus mexe na economia

Leonardo Spinelli Leonardo Spinelli
Leonardo Spinelli
Leonardo Spinelli
Publicado em 27/01/2020 às 20:12
SONNY TUMBELAKA / AFP
FOTO: SONNY TUMBELAKA / AFP
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Os mercados mundiais operaram em baixa nesta segunda-feira (27) impactados pelas notícias de alastramento do coronavírus pelo mundo. Os principais índices da Bolsa de Nova York tiveram sua pior sessão do ano e replicaram as quedas registradas nos mercados da Europa e da Ásia. O Dow Jones recuou 1,57%. O mesmo aconteceu com a bolsa brasileira. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou o dia em queda de 3,29%, puxado por duas das principais empresas listadas.

O sócio-diretora da Multinvest Capital, Osvaldo Moraes, explica que o pânico do mercado em relação à disseminação da doença é porque o medo termina por influenciar no comportamento das pessoas e, portanto, do mercado. “O racional disso é que, com o vírus se espalhando, menos pessoas tendem a sair de casa para comprar e consumir. Isso reflete no faturamento das empresas. E se o faturamento tende a cair por conta do medo das pessoas, as empresas vão dar menos resultado”, contextualiza o analista.

Desde o início das notificações de coronavírus, em 3 de janeiro deste ano, a Vale acumula uma perda de R$ 18 bilhões e a Petrobras, R$ 29,8 bilhões. O petróleo também voltou a cair derrubado pela possibilidade da propagação do coronavírus impactar na demanda da China.

Escute o analista Osvaldo Moraes explicar como o coronavírus atrapalha a economia:

Nesta segunda, a Organização Mundial da Saúde (OMS) corrigiu a avaliação que tinha feito a respeito do coronavírus. Agora, o órgão internacional acredita que o risco da doença é alto tanto para a China quanto para o mundo. Com isso, o mercado passa a se questionar de que forma a doença poderá impactar no crescimento da economia mundial e como eventuais fechamentos de portos e aeroportos poderão atrapalhar a dinâmica da economia.

Pânico no mercado com o coronavírus

“E quem aposta em Bolsa, compra porque acha que as empresas vão dar retorno. Mas se elas vão faturar menos por causa do medo das pessoas, os investidores ficam menos dispostos a comprar, porque as empresas, obviamente, vão dar menos resultados”, comentou Moraes.

Nesta segunda, uma primeira morte causada pela epidemia de pneumonia viral foi registrada em Pequim, num cenário de crescente ansiedade em todo o mundo, com a multiplicação de medidas de prevenção nas fronteiras, enquanto a OMS considera “elevada” a ameaça representada pelo vírus internacionalmente. Para conter o vírus, que contaminou mais de 2.000 pessoas e causou em torno de 80 mortos, Pequim adotou medidas de confinamento sem precedentes, o que pode ser devastador para a atividade econômica.

Moraes também salienta que, como a China é o maior produtor e fornecedor de produtos no mundo, o vírus faz com que a previsão para a produção chinesa diminua em produtos usados diariamente pela população mundial, como chips, TVs, máquinas de lavar roupas e vários outros produtos exportados por aquele País. “Havendo menos produtos para vender, o comércio é reduzido. Com isso, a Vale não vai vender tanto minério de ferro, o consumo de petróleo tende a baixar e, com isso, a Petrobras também vende menos. Tem todo um conceito que está por trás disso que levam as pessoas a repensarem a Bolsa”, comentou Moraes.

Além do aspecto racional do mercado, também há os impactos irracionais motivados pelo medo. O vírus foi exportado pela China e está se espalhando pelo mundo. O Brasil anunciou nesta segunda-feira para evitar a proliferação da doença no País. 

Os Estados Unidos já registrou vários casos, a Europa também passou a contabilizar pessoas infectadas e, além disso, há o fato de que o vírus pode ser transmitido pelos doentes antes de os sintomas como tosse ou febre se manifestem nos infectados. Uma pessoa que sai da China contaminada pode transmitir para várias outras apenas dentro de um avião. “O empresário que iria para China fechar um negócio deixa de ir”, salienta Osvaldo Moraes.

Nesta segunda, o governo dos Estados Unidos pediu que os cidadãos americanos reconsiderem seus planos de viagem para a China devido à epidemia de coronavírus originada na cidade de Wuhan. O Departamento de Estado emitiu um aviso categórico para que os americanos não viajem para a província de Hubei, onde está localizada a cidade de Wuhan.

Até agora, 82 pessoas morreram do coronavírus, todas na China. As autoridades de saúde dos EUA confirmaram no domingo cinco casos de coronavírus, embora tenham alertado que esperavam mais contágios. Os cinco casos confirmados correspondem a pacientes que viajaram para Wuhan, disse Nacy Messonnier, chefe de doenças respiratórias dos Centros de Controle de Doenças, durante uma teleconferência com jornalistas.

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Turistas chineses em Dempassar, na Indonésia - SONNY TUMBELAKA / AFP
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Pedestres usam máscaras durante feriado do Ano Novo Chinês, em Hong Kong - ANTHONY WALLACE / AFP
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Turistas chineses em Dempassar, na Indonésia - SONNY TUMBELAKA / AFP
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Casal usando máscaras no metrô de Hong Kong, na China - Anthony WALLACE / AFP
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Passageiros usando máscaras aguardam por trem na plataforma em Hong Kong - Anthony WALLACE / AFP
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Passageiros usando máscaras viajam em trem durante feriado de Ano Novo Chinês - Anthony WALLACE / AFP
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Homem usando máscaras sentado em um banco enquanto aguarda por trem - Anthony WALLACE / AFP
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Turista chinês usa máscara para se proteger do coronavírus em Dempanssar, na Indonésia - SONNY TUMBELAKA / AFP
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Passageiros usando máscaras aguardam por trem na plataforma em Hong Kong - Anthony WALLACE / AFP

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