ESTATAL

Petrobras decide segurar preço da gasolina até valor do petróleo se estabilizar

Ataque a instalações petrolíferas fez produção de petróleo da Arábia Saudita cair pela metade e elevou os preços do produto em todo o mundo

Estadão Conteúdo e AFP
Estadão Conteúdo e AFP
Publicado em 16/09/2019 às 20:45
Foto: André Nery/Acervo JC Imagem
Ataque a instalações petrolíferas fez produção de petróleo da Arábia Saudita cair pela metade e elevou os preços do produto em todo o mundo - FOTO: Foto: André Nery/Acervo JC Imagem
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A Petrobras vai continuar observando o comportamento do preço do petróleo no mercado internacional até decidir se vai revisar os preços dos seus derivados no Brasil. Na prática, significa que o consumidor não será afetado no curto prazo, porque a estatal vai segurar os preços.

A ideia é dar continuidade à política atual, que atrela os valores aos valores praticados no mercado internacional, com repasses à medida que há mudança de patamar de preços.

Para se resguardar de prejuízos financeiros enquanto não repassa altas no mercado externo para o consumidor, a companhia recorre ao artifício financeiro de hedge, no qual oscilações de curto prazo são compensadas.

Especialistas e investidores destacam, porém, da necessidade de a empresa não ser usada para atender às demandas do governo, como aconteceu no passado, quando a empresa foi usada para segurar a inflação. A companhia mantinha os preços dos combustíveis inalterados apesar das oscilações externas, o que gerou um rombo nas suas caixas.

Se o mercado perceber que a mesma prática está sendo adotada pela gestão atual, o seu programa de venda de refinarias será afetado, porque nenhuma empresa terá interesse em fazer parte de um setor comandado por interesses políticos e não econômicos.

Ataque a instalações petrolíferas na Arábia Saudita

O ataque, no sábado (14), fez a produção de petróleo da Arábia Saudita cair pela metade e elevou os preços do produto em todo o mundo.  

A ofensiva foi reivindicada pelos rebeldes huthis xiitas do Iêmen. À frente de uma coalizão militar, Riad intervém desde 2015 neste país em guerra. Ao lado do governo, tenta conter os rebeldes apoiados pelo Irã.

A infraestrutura energética saudita já foi atacada pelos huthis, sobretudo, em maio e em agosto.

Os ataques de sábado à usina de Abqaiq e ao campo de Khurais, no leste, são de outra escala, porém: reduziram a produção saudita pela metade, para 5,7 milhões barris por dia, cerca de 6% da oferta mundial.

Com isso, os preços do petróleo dispararam. No fechamento desta segunda-feira, o barril americano do WTI ganhou 14,7%, a 62,90 dólares, e o barril do Brent do mar do Norte subiu 14,6%, a 69,02 dólares.

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