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Conheça a Chesf, Companhia Hidro Elétrica do São Francisco

Chesf é a maior geradora de energia elétrica do País e uma das empresas mais importantes do Nordeste

Ângela Belfort
Ângela Belfort
Publicado em 28/10/2019 às 10:18
Contexto
Foto: Cadu Fernandes/Acevo JC Imagem
FOTO: Foto: Cadu Fernandes/Acevo JC Imagem
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A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) é a maior geradora de energia elétrica do País e uma das empresas mais importantes do Nordeste. Com sede no Recife, a estatal faz parte da Eletrobras, do governo federal, também dona de outras empresas do setor elétrico, como: Furnas, Eletronuclear, Eletronorte, Eletrosul etc. A Chesf gera energia, transmite a mesma em linhas de transmissão em alta tensão e vende esse bem tão fundamental ao bem estar da vida moderna.

A capacidade instalada de geração da Chesf é de 10,3 mil megawatts (MW) de energia. A capacidade instalada é o quanto a empresa poderia gerar, caso as condições fossem ideais. Geralmente, a produção é menor do que a capacidade instalada porque para gerar nas suas hidrelétricas, a Chesf usa as águas do São Francisco. Nos últimos anos, a empresa diminuiu a produção de energia para preservar a água, principalmente, no reservatório de Sobradinho, na Bahia. Por exemplo, o Nordeste consome, em média, mais de 11 mil MW médios. O MW médio é usado para indicar o consumo.

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Criada em 1948, a Chesf foi protagonista no desenvolvimento do Nordeste. Foi a primeira empresa a gerar energia em grande quantidade no Nordeste. Na década de 60, a primeira hidrelétrica da empresa, a de Paulo Afonso, na Bahia, começou a produzir usando as águas do Rio São Francisco. De lá, saíam duas linhas de transmissão, uma levava a energia para o Recife, capital de Pernambuco; e a outra, para Salvador, capital da Bahia.

A entrada em operação de Paulo Afonso I significou um grande avanço para as duas capitais. A população começou a comprar eletrodomésticos e saiu da energia produzida, de forma escassa e com interrupções, já que na época o fornecimento se encerrava à noite, geralmente, antes das 22 horas. A disponibilidade da energia também trouxe novas indústrias para o Nordeste, o que implicou em mais desenvolvimento, porque o emprego industrial além de remunerar melhor, é mais especializado.

Dos anos 60 em diante, a Chesf foi aumentando a quantidade de hidrelétricas e produzindo mais energia. Os profissionais da empresa desenvolveram expertise em engenharia e depois passaram a fazer parte dos principais órgãos e empresas do setor elétrico do País. Daí veio a expressão chesfiano, usada, no setor elétrico, como elogio. Os chesfianos passaram a ocupar cargos de destaque em outras empresas do setor elétrico.

A estatal também desenvolveu muitos projetos inovadores, como por exemplo, a colocação de placas fotovoltaicas no seu maior reservatório, o de Sobradinho, na Bahia. A experiência é muito importante para mostrar a viabilidade da geração solar em lagos. Até agora, especialistas dizem que há uma tendência de produzir mais energia, porque a água resfria a placa fotovoltaica.

Foto: Cadu Fernandes/Acevo JC Imagem
Chesf foi a primeira empresa a gerar energia em grande quantidade no Nordeste - Foto: Cadu Fernandes/Acevo JC Imagem
Foto: Fernando da Hora/Acervo JC Imagem
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Foto: Fernando da Hora/Acervo JC Imagem
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Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
A Chesf gera energia, transmite a mesma em linhas de transmissão em alta tensão e vende esse bem - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Placas fotovoltaicas foram isntaladas no seu maior reservatório, o de Sobradinho, na Bahia - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A capacidade instalada de geração da Chesf é de 10,3 mil megawatts (MW) de energia - Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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- Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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PROBLEMAS

Desde 2013, a Chesf passou a receber menos pela energia que vende. Isso ocorreu devido a uma iniciativa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) que decidiu reduzir o preço da venda da energia produzida pela Chesf dentro de uma iniciativa que ficou conhecida como a Lei Federal 12.783 que, em tese, contribuiria para uma redução de 20% da conta de energia de todos os brasileiros, o que nunca ocorreu. Isso praticamente quebrou a companhia com a queda da receita provocada pela comercialização da energia mais barata. As receitas da Chesf são geradas com a venda da energia e também pela transmissão. A energia da empresa ficou tão barata que o megawatt-hora(MWh) chegou a ser comercializo por R$ 9 em março de 2018, preço de um quilo de pão nas padarias do Recife. Pelo que se sabe até hoje, a empresa continua vendendo a energia mais barata do que o preço de mercado.

PRIVATIZAÇÃO

A atual gestão do governo federal pretende fazer uma espécie de privatização da Chesf, vendendo as ações da estatal e diminuindo a participação da União na companhia. Especialistas dizem que será uma das últimas privatizações a serem feitas pelo Governo Bolsonaro devido a sua complexidade. Para “privatizar” a Chesf, terá que ser aprovada uma lei no Congresso Nacional, o que é bastante complexo num ano pré-eleitoral como 2019. A pressão dos funcionários da Chesf e dos políticos ligados a esses sindicatos é grande. Também há um grupo político contra a iniciativa porque acredita que vender ações da Chesf vai resultar na privatização do Rio São Francisco. O Velho Chico é muito importante para o Nordeste por pelo menos dois motivos: vários projetos de irrigação utilizam a sua água e também porque a transposição é o principal projeto que pode levar água para quatro Estados ( Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará) do semiárido nordestino, que sofrem, constantemente, com a seca.

A CHESF E TEMER

O governo do presidente Michel Temer (MDB) tentou privatizar a Chesf, mas não conseguiu. Na época, foi enviado um projeto à Câmara dos Deputados. A oposição obstruiu várias vezes a pauta e o projeto não chegou sequer a ir a votação. Depois, o projeto foi engavetado.

CNPJ

CNPJ da Chesf é 3385418368/0001-16

Um pouco mais da história da Chesf

Anos 60 – entra em operação a primeira unidade geradora da Usina Hidrelétrica Paulo Afonso II
Anos 70 – Início da operação das Usinas Hidrelétricas de Boa Esperança (PI) e Sobradinho (BA)
Anos 90 – Início da operação da Usina Hidrelétrica de Xingó (SE/AL)
Anos 2000 – Aumento em 30% a quantidade de subestações em uma década, ampliando a oferta de energia
Anos 2010 – Inauguração dos Parques Eólicos Casa Nova II e III (BA).
Parque gerador: 12 hidrelétricas e 2 parques eólicos (7% da capacidade instalada no Brasil);
Capacidade instalada de 10.323,43 MW
Aproximadamente 130 subestações
Mais de 20.000 km de linhas de transmissão
Funcionários: aproximadamente 4 mil

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