FORMAÇÃO

Educação a distância cresce e se fortalece em Pernambuco

Instituições tradicionais investem na modalidade, que requer muita autodisciplina por parte do aluno

Emídia Felipe
Emídia Felipe
Publicado em 02/12/2013 às 12:28
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Educação a distância (EAD) é uma prática tão antiga quanto popular: quem não conhece os catálogos do Instituto Universal Brasileiro ou as aulas do Telecurso 2000? Com o vertiginoso avanço da conexão entre pessoas e instituições via internet, a oferta e a qualidade de treinamentos crescem nos níveis básico, técnico e superior, em cursos pagos e gratuitos. Somente Senai, Senac, governo do Estado e IFPE vão ter quase 22 mil alunos estudando online em Pernambuco em 2014.

São formações com cargas horárias que podem ser de 15 horas/aula até quatro anos de estudos. “Tanto a inserção dos alunos quanto a boa avaliação do público mostram que os investimentos em EAD mantêm o mesmo padrão de ensino dos cursos totalmente presenciais”, diz a coordenadora da área no Senac-PE, Viviane Cerqueira. Em alguns casos, uma pequena parte do treinamento é presencial. Nos cursos técnicos, por exemplo, 20% do conteúdo requer a presença do aluno na instituição, seja para aulas práticas ou avaliações. Mas há diversas opções totalmente online, como algumas das qualificações ofertadas pelo Senac, Senai e Sebrae.

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Veja oferta de cursos à distância

“O perfil do nosso estudante é, basicamente, uma pessoa maior de 18 anos, que exerce algum tipo de atividade profissional e que, por alguma razão, tem dificuldade em fazer um curso presencial”, explica a diretora de Ensino da Diretoria de Educação a Distância (Dead) do IFPE, Fátima Cabral. Entre esses alunos, está Andréa Melo, 35. Mãe de dois filhos, técnica em segurança do trabalho e bacharel em Direito, ela faz o sétimo período de licenciatura em Geografia a distância. “A educação a distancia é a educação do futuro. Praticamente acaba com a necessidade de a pessoa se ocupar em ir e vir ao local para assistir aulas”, diz Andréa. Ela alerta, porém, que a conveniência de fazer os próprios horários e a aparente “tranquilidade” de não estar sendo observado pelo professor não fazem dessa modalidade menos exigente do que a convencional. “As pessoas têm aquela ideia de que é mais fácil, mas é ilusão. Muitos colegas desistiram por causa disso”, avisa a universitária.

O representante regional da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), Alex Sandro Gomes, destaca que essa autodisciplina que a prática da formação a distância requer é uma habilidade “extremamente necessária” no mercado de trabalho. Para ele, o uso de ferramentas tecnológicas que fomentem a autonomia e a automotivação deveria ser mais intenso desde o ensino fundamental. Ele aponta que a modalidade ainda é vista com preconceito no Nordeste, especialmente por essa deficiência cultural ligada à dependência da presença e da supervisão do professor - que acaba fazendo o aluno transferir para a instituição a responsabilidade que ele tem sobre seu aprendizado.

“No Sudeste e em outros lugares do mundo, os cursos feitos a distância não são diminuídos como ocorre aqui. Mesmo os empregadores têm esse preconceito, o que só atrasa nosso desenvolvimento”, critica. Alex Sandro comenta ainda que cursos de longa duração via EAD são importantes, porém é preciso ter mais treinamentos de curto prazo, como os oferecidos pelo Senai, Sebrae e Senac. “Com essa oferta, poderemos ter mais pessoas se qualificando continuamente, incentivando a cultura da aprendizagem”, pontua o professor, que também é coordenador do Amadeus e do Redu, duas plataformas para EAD. A primeira é um software livre que a instituição interessada em promover esse tipo de treinamento pode baixar gratuitamente no site www.softwarepublico.gov.br, adaptar ao seu negócio e usar sem custos. A segunda é paga, mas já vem pronta para uso.

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