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Operários da Refinaria Abreu e Lima levam novo calote, agora do Consórcio Coeg

Depois da Alumini, outras empresas vão deixando a obra da Rnest sem pagar rescisões trabalhistas

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 18/12/2014 às 6:29
Guga Matos/JC Imagem
Depois da Alumini, outras empresas vão deixando a obra da Rnest sem pagar rescisões trabalhistas - FOTO: Guga Matos/JC Imagem
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Nem bem os ex-funcionários da Alumini Engenharia (antiga Alusa) começam a receber salários e rescisões atrasadas, outras empresas vão deixando a obra da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) sem pagar rescisões trabalhistas. Dessa vez é o Consórcio Coeg, formado pelas empresas Conduto e Egesa. Na última terça-feira, esgotou o prazo para o pagamento das rescisões e os operários começaram a procurar o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada em Pernambuco (Sintepav-PE).

Pelas contas do Sintepav são 300 funcionários sem receber. O Consórcio Coeg foi contratado na Rnest para construir o sistema de dutos do empreendimento. No ano passado, a Conduto enfrentou problemas financeiros e ingressou com pedido de recuperação judicial. A reportagem do JC tentou entrar em contato com o escritório local do consórcio, mas ninguém atendeu o telefone. O mesmo aconteceu nas tentativas de entrar em contato com a Egesa, tanto na sede da empresa, em Belo Horizonte, quanto nos escritórios em São Paulo e no Recife.

De acordo com a diretoria jurídica do Sintepav, a estratégia adotada será a mesma em relação aos outros consórcios: o caminho do Poder Judiciário. A dificuldade é que a Justiça entra em recesso a partir de amanhã e as atividades só são retomadas no dia 19 de janeiro, restando apenas o esquema de plantão.

Os processos contra as terceirizadas na obra da Rnest estão abarrotando as varas do trabalho de Ipojuca. Em audiência de conciliação na semana passada a juíza da 1ª Vara, Josimar Mendes, chegou a dizer que o problema da Justiça do Trabalho no município é a Petrobras. Desde que estourou a Operação Lava Jato, pelo menos quatro empresas alegaram dificuldades de caixa para pagar dívidas trabalhistas e as disputas foram parar na Justiça. Os principais exemplos foram os da Jaraguá, Fidens-Milplan, ETDI e Alumini. Agora se somam Engevix e Coeg, prejudicando mais de 8 mil trabalhadores no total. A Engevix começou a dar baixa nas carteiras de trabalho e a liberar os saques do FGTS, mas estipulou o próximo dia 28 para pagar as rescisões.

Às 24h de ontem se encerrou o prazo para a Alumini depositar R$ 33,8 milhões para complementar o pagamento do salário de outubro e das rescisões de seus ex-funcionários. Até o fechamento desta edição, a empresa não havia efetuado o depósito. Se descumprir o acordo firmado no último dia 10, a empresa será condenada ao pagamento de uma multa de 30% sobre o valor pendente.

Os trabalhadores da Alumini começaram a receber um pagamento parcial de 57,90% do valor devido, com base num depósito em juízo de R$ 46,57 milhões realizado pela Petrobras na semana passada. Amanhã, os ex-funcionários poderão começar a fazer os saques de seus créditos de FGTS nas agências da Caixa Econômica Federal e Casas Lotéricas. Os valores só não poderão ser sacados na Agência de Ipojuca. Por medida de segurança, o banco decidiu não concentrar os atendimentos.

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