Energia

Chesf tem prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2014

Companhia sofre reflexo das políticas do governo Federal do setor energético

Da editoria de economia
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Publicado em 31/03/2015 às 10:39
Bobby Fabisak/JC Imagem
Companhia sofre reflexo das políticas do governo Federal do setor energético - FOTO: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Pelo terceiro ano consecutivo, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) registra prejuízo. Em 2014, o balanço fechou negativo em R$ 1,1 bilhão (bem superior à queda de R$ 466 milhões em 2013). A planilha no vermelho ainda é reflexo do sacrifício a que a empresa foi submetida ao longo do governo Dilma Rousseff. Prometendo uma redução de 16% na conta de luz dos brasileiros, a Lei 12.783/13 obrigou companhias como a Chesf a socorrer a Eletrobras, repassando parte de seus ativos ao governo Federal. Com a crise hídrica, nem a conta ficou barata, nem as empresas resistiram ao golpe em seus caixas.

O presidente da Chesf, Antônio Varejão, explica que a empresa teve resultado operacional positivo de R$ 660 milhões no ano passado. Esse valor se refere ao resultado dos serviços, como receita gerada pela transmissão e geração de energia, além de compra e venda de energia (subtraídas as despesas). “Mesmo com esse resultado operacional positivo fechamos no prejuízo por conta da baixa de créditos fiscais (imposto de renda e contribuição social sobre o lucro) no nosso balanço contábil”, observa.

Quando as empresas não estão dando lucro podem jogar para frente o recolhimento desses créditos, pressupondo que a empresa terá lucro no futuro. Se a companhia não entrar no azul é necessário dar baixa no crédito fiscal negativo.

Se não fosse a baixa desses créditos, a Chesf fecharia com resultado positivo. Ao longo de 2014 a empresa adotou algumas estratégias para reduzir custos e empresas. Dois movimentos importantes para melhorar o resultado operacional. O primeiro foi a conclusão do processo de transferência dos custos do Programa de Reassentamento de Itaparica para a Codevasf. Isso representa uma economia entre R$ 60 mil e R$ 80 mil. O segundo foi a devolução da Usina Termelétrica de Camaçari para o governo Federal, que vai representar uma economia de R$ 35 milhões nos encargos do sistema de transmissão da Chesf.

“Tivemos um resultado operacional conquistado com bastante esforço. A Chesf tem uma expectativa futura de lucro, tendo um plano de negócios que demonstra viabilidade. Estamos trabalhando pelo aumento de receita de transmissão e geração, aumento de recebimento dos dividendos, associado a uma política implantada de redução de gastos operacionais e de adequação dos processos de gestão dos negócios de geração e transmissão”, pontua Varejão.

INVESTIMENTOS

Apesar do prejuízo, a Chesf comemora o resultado operacional e o volume de investimentos aplicado em 2014. No ano passado, os aportes somaram R$ 2,2 bilhões. Desse total, R$ 1,1 bilhão foram aplicados em projetos corporativos, como obras do sistema de transmissão (R$ 883,1 milhões) e de geração de energia (R$ 154,1 milhões). Outros R$ 94,4 milhões foram aportados em infraestrutura operacional, a exemplo do sistema de telecomunicações.

A outra parte dos investimentos (R$ 1,1 bilhão) foi aplicada em empresas nas quais a Chesf é sócia. São empreendimentos que estão em fase de conclusão a exemplo da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia e da Interligação Elétrica de Garanhuns (Consórcio Garanhuns).

Para 2015, Varejão calcula que os investimentos devem ficar entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões. Já sobre o resultado operacional, o presidente da Chesf diz que o esforço é para crescer, mas vai depender de um ano com condições hidrológicas adversas.

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