INDÚSTRIA

Citepe corta produção e funcionários

Ao lado da PetroquímicaSuape, empresa integra o PQS e deveria ser referência nacional

Editoria de Economia
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Publicado em 10/04/2015 às 7:38
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Ao lado da PetroquímicaSuape, empresa integra o PQS e deveria ser referência nacional - FOTO: Divulgação
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A Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), que compõe o Complexo Industrial Químico-Têxtil PQS, no Complexo Portuário Industrial de Suape, vai reduzir sua produção para um terço da atual. A decisão foi tomada depois da pressão no caixa causada por desaquecimento do mercado e falta de aportes por parte da Petrobras, dona do empreendimento. Na quinta-feira (8), o Blog de Jamildo divulgou que os trabalhadores foram comunicados de um plano de demissão voluntária que, se não for bem sucedido, levará à demissão em massa.

Atualmente, a Citepe produz cerca de três mil toneladas de fios mensalmente e tem cerca de 360 funcionários – mais de 90% deles na parte operacional. A direção quer reduzir esses números em dois terços e, para isso quer cortar custos, principalmente de pessoal.

De acordo com informações do Sindicato das Indústrias Têxteis de Pernambuco (Sinditêxtil PE) – que acompanha de perto as movimentações do PQS e participou de reunião ontem com a diretoria do complexo –, a crise que a Petrobras passa devido aos efeitos das descobertas da Operação Lava Jato afetou os investimentos na indústria.

Se fosse só o problema da Petrobras e o mercado estivesse bom, a Citepe continuaria como estava. Assim como o contrário também

Oscar Rache, presidente do Sinditêxtil PE



Mas, na opinião do presidente do sindicato e vice-presidente da Federação das Indústrias (Fiepe), Oscar Rache, se esse fosse o único problema, a Citepe não recuaria, porque o mercado continua promissor no longo prazo. Ele diz que a importação da matéria-prima e a contração do mercado têxtil nacional foram outro forte golpe para a empresa. Segundo ele, se há dois ou três anos o setor operava em 85% da sua capacidade, hoje mal chega aos 70%.
Para entender o porquê das dificuldades de mercado, é preciso voltar às bases do complexo industrial.

O PQS, que vem sendo instalado desde 2007, é formado pela Citepe e pela PetroquímicaSuape. Esta última produz PET e ácido tereftálico (PTA), matéria-prima do PET e do poliéster. Deveria também produzir POY, matéria-prima para os fios que são texturizados (e, assim, podem ser usados em indústrias têxteis) na Citepe. No entanto, a previsão para que a produção se inicie é 2018. Esse atraso obriga a Citepe a importar o POY de países como a Índia. Com a alta do dólar, os custos sobem exponencialmente.

“Se fosse só o problema da Petrobras e o mercado estivesse bom, a Citepe continuaria como estava. Assim como o contrário também”, avalia Rache. Para ele, a decisão da Citepe foi acertada. “Foi muito prudente. Parte da empresa continuará em operação e isso facilita a retomada quando o mercado voltar a reagir”.

A fabricação de POY, que daria competitividade à Citepe, está prevista somente para 2018

DEMISSÕES - Para os funcionários concursados da Citepe, o corte de pessoal não é a única forma de reduzir custos e está sendo feito de forma arbitrária. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Ipojuca e Região (Sindtêxtil Ipojuca), Rodrigo Rafael, afirma que em toda PQS existem cerca de 500 pessoas concursadas e mais o dobro disso de terceirizados. “Não há nenhuma informação sobre corte desses terceirizados”, critica. Segundo ele, somente na linha de produção da Citepe, são aproximadamente 120 operários que não são empregados diretos da indústria.

Os concursados da Citepe são celetistas, ou seja, sob regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assim como empregados da iniciativa privada. Em janeiro e fevereiro, houve pelo menos 30 demissões e o sindicato ainda questiona a justificativa delas, uma vez que as interpretações da Justiça sobre desligamentos em empresas de capital misto são divergentes: há interpretações que entendem que devem ser justificadas, como em órgãos públicos; e outras que dizem que não.

Ontem, a diretoria informou ao sindicato sobre o plano de demissão voluntária, dando linhas gerais sobre o programa, que será oficialmente apresentado à entidade nesta segunda-feira. Na terça, o sindicato se reunirá em assembleia para definir a postura diante da proposta. Mas Rodrigo adianta que um levantamento rápido o faz acreditar que 70% dos empregados não concordam com os termos, principalmente pela manutenção dos terceirizados em detrimento dos concursados. “A diretoria do PQS disse que ‘veio de cima’, do Conselho da Petrobras. Nós vamos questioná-lo”.

Ele afirma ainda que a administração da PQS deixou claro que, se não for atingida a meta os dois terços dos empregados aderirem ao plano, essa mesma quantidade será demitida. O prazo para isso está estimado para o início do segundo semestre. “O que não entendemos é como a causa disso tudo, a fábrica de POY que ainda não está funcionando, continuar assim mesmo depois de bilhões em investimentos”, critica.

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