LOGÍSTICA

Usuários sofrem nos Correios

Denúncias de clientes sobre atrasos muito além do prazo dado pela estatal são confirmadas pelo sindicato dos trabalhadores

Emídia Felipe
Emídia Felipe
Publicado em 17/12/2015 às 8:36
Décio Brito/Cortesia
Denúncias de clientes sobre atrasos muito além do prazo dado pela estatal são confirmadas pelo sindicato dos trabalhadores - Décio Brito/Cortesia
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Décio, Gustavo e Giselly não se conhecem, mas tinham um problema em comum: tiveram que ir ao Centro de Entrega de Encomendas (CEE), no Bongi (Zona Oeste do Recife), buscar produtos que deveriam chegar ao Recife via Correios, mas empacaram em algum ponto sem quaisquer explicações por parte da estatal.

Empresário, Décio Brito deveria ter recebido uma peça para entregar a um cliente – foi enviada de Fortaleza no dia 3 deste mês, via Sedex, que custou R$ 250. Ontem, Décio estava em Caruaru tentando acalmar o freguês que tinha pago à vista e ainda não está com o produto em mãos.

Os consultores de vendas Gustavo George Lima e Giselly Borges esperavam seus celulares. O dele, importado, entrou no Brasil no dia 10 de novembro e saiu de São Paulo para Pernambuco somente no dia 27 de novembro. Até o início da tarde de ontem, ainda não estava em suas mãos. Já Giselly mandou o celular para o conserto e o rastreamento indica que desde o dia 11 deste mês o pacote parou na saída de São Paulo até aqui e não se movimentava desde então.

A julgar pela contagem das fichas de atendimento entregues no local, uma sala pequena e com o ar-condicionado quebrado, o problema é recorrente. Ontem, às 15h, a ficha de Giselly era a 65. Na terça-feira passada (15), a quinta vez que Décio foi lá, passavam de 90. Mas isso não é novidade para o sindicato que representa os trabalhadores. “Desde 2013 temos recorrido aos órgãos competentes para denunciar isso. São poucos trabalhadores e não há investimentos em nada para acompanhar o crescimento rápido do e-commerce, principalmente em épocas como essa”, critica o secretário de Imprensa da entidade, Luciano Batista.

É tanto que hoje a categoria vai realizar uma assembleia para avaliar uma proposta de greve por tempo indeterminado só com os trabalhadores dos três CEEs do Estado (dois no Recife e um em Jaboatão dos Guararapes). “São condições de trabalho insalubres, lugares com pouco espaço, quentes, com muita poeira, sem segurança... não tem como trabalhar bem”, reclama Luciano.

Procurados pela reportagem, os Correios indiretamente colocaram casos como os de Décio, Giselly e Gustavo em uma margem de 2% de encomendas entregues fora do prazo. “Neste período do ano, quando há aumento de demanda, são adotadas medidas de reforço operacional, como realocamento de pessoal, contratação de mão de obra temporária e soluções logísticas. A qualidade operacional dos Correios tem registrado índices, em encomendas, de até 98% de entregas no prazo”, informou a empresa através de nota.

“Qualquer empresa sabe quando tem aumento de demanda e tem que atender bem. Eu vou é à Justiça”, reclamou Décio Brito, que ainda em Caruaru, recebeu a notícia de que a encomenda chegou à sua residência ontem, 13 dias depois de sair de Fortaleza via Sedex.

O texto ressalta ainda que os prazos variam de acordo com a distância das cidades e o tipo de postagem. No Sedex, de até quatro dias úteis, e no PAC (encomenda econômica), até 25 dias úteis. “Muitas queixas recebidas são de encomendas que ainda estão no prazo”, pontua a resposta da empresa, que orienta os clientes a requererem indenização pelo www.correios.com.br ou pelo telefone 0800-725-0100.

Outra informação é que a estatal está construindo um novo e maior complexo operacional, em Jaboatão, previsto para funcionar no segundo semestre de 2016.

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