Desinvestimento

Alpek perde exclusividade na compra de petroquímicas do Estado

A partir de agora outras empresas poderão disputar a compra dos empreendimentos

Da Editoria de Economia
Da Editoria de Economia
Publicado em 29/10/2016 às 7:00
Hélia Scheppa/Acervo JC Imagem
A partir de agora outras empresas poderão disputar a compra dos empreendimentos - FOTO: Hélia Scheppa/Acervo JC Imagem
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Terminou o período de exclusividade da companhia mexicana Alpek nas negociações de compra na Companhia Petroquímica de Pernambuco (Petroquímica Suape) e na Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe). A empresa teve 90 dias para discutir individualmente com a petrolífera os termos para aquisição de participação nas duas plantas industriais no Estado. A partir de agora, outras empresas poderão entrar no páreo na disputa pelos empreendimentos.

A Alpek teve um período de exclusividade de 60 dias, que foi prorrogado por mais 30 e se encerrou ontem. Procurada pela reportagem do JC, a Petrobras informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que aguardava a publicação de um fato relevante sobre o assunto. Até o fechamento desta edição nenhum documento foi divulgado.

A venda da PQS e da Citepe é parte do programa de desinvestimento da Petrobras, que espera incrementar o caixa da companhia em US$ 19,5 milhões entre 2017 e 2021. De acordo com a petrolífera, a transação com a Alpek ainda está sujeita à negociação de seus termos e condições finais e à deliberação pelos órgãos competentes das duas empresas, além de depender da aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A Alpek é uma das maiores fabricantes de poliéster (fios, PET e PTA) do mundo e estaria disposta a crescer no mercado brasileiro. Desde sua idealização do polo petroquímico em Pernambuco, a expectativa era que a Petrobras tivesse um parceiro. O primeiro deles foi o grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&), mas não houve entendimento e a estatal fez o investimento sozinha.

Depois, a empresa anunciou que tinha interesse em ser minoritária e ficar com 40% de participação. A companhia indiana Reliance foi sondada para se tornar sócia, mas as negociações não avançaram. O complexo petroquímico recebeu investimento de R$ 9 bilhões (superior ao dobro dos R$ 4 bilhões anunciados no início do projeto) e nos últimos dois anos vem dando prejuízo à Petrobras. Entre 2014 e 2015, as perdas das duas companhias totalizaram R$ 5,6 bilhões.

TRABALHADORES

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Ipojuca e Região (Sindtêxtil Ipojuca) tem demonstrado preocupação com a estabilidade dos funcionários que foram aprovados em concurso público e perderão essa condição com a compra da PQS e da Citepe por uma empresa privada. Outro ponto de questionamento é o valor da venda, que o mercado estima em US$ 600 milhões, sendo bem abaixo do valor investido pela Petrobras no parque industrial.

Atualmente o complexo conta com 422 funcionários concursados e outros 3 mil terceirizados. A produção de PET está na casa de 26 mil toneladas e a de PTA de 59 mil toneladas por mês.

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