MERCADO DE SÃO JOSÉ

Preço do pescado deve ficar mais barato nesta Páscoa

Com movimento abaixo do esperado para a Páscoa, comerciantes dizem que preços devem se manter e, em alguns casos, até abaixar em relação a 2018

Da editoria de economia
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Publicado em 11/04/2019 às 8:10
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Com movimento abaixo do esperado para a Páscoa, comerciantes dizem que preços devem se manter e, em alguns casos, até abaixar em relação a 2018 - FOTO: Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Na semana que antecede a Páscoa, o Mercado de São José costuma ver a média de vendas de pescados dobrar de 1,3 toneladas para 2,6 t. Já a de crustáceos, salta de 400 kg para 800 kg, segundo dados da Prefeitura do Recife. Nada garante, no entanto, que o “milagre” da multiplicação vá ocorrer este ano. 

Na última terça-feira (9), quando a reportagem do JC visitou o principal ponto de venda de peixes frescos na capital pernambucana, o movimento estava longe do burburinho do período da Quaresma. O pedreiro Carlos Alberto Silva era um dos poucos compradores do mercado de peixes. Veio atrás da corvina (R$ 15 o quilo) e do sururu (a R$ 12 o quilo) e não reclamou dos preços. “Sei que na próxima semana o peixe fica mais caro, então me adiantei”, disse, satisfeito. 

Mas a comerciante Ruth de Miranda, 58 anos só de Mercado de São José, não está tão animada com essa perspectiva. Ela diz que em relação ao ano passado, os preços não aumentaram e, em no caso de alguns produtos, até chegaram a cair, como o camarão, que atingiu os R$ 30 o quilo em 2018, segundo Dona Ruth, e hoje é oferecido por até R$ 25. “Nesta época, faltando poucos dias para a Semana Santa, o movimento deveria estar maior”, lamenta. Ela diz até que não reforçou o estoque porque acredita que a Quaresma deste ano será magra. “As pessoas estão sem trabalho, sem emprego. Ninguém tem dinheiro”, afirma, baseada na sua vivência diária.

Na banca ao lado, o neto dela, Vitor Marques, 17, também comerciante de peixes, acredita que o movimento vai mudar para melhor. Para ele, com a proximidade da Sexta-Feira Santa, os compradores irão aparecer em maior número. Como acaba acontecendo todos os anos. “Deixam tudo pra última hora”, vaticina. Na banca de Vitor e no Mercado de São José em geral, a Cioba estava custando entre R$ 28 e R$ 30 o quilo. A albacora, entre R$ 18 e R$ 20, e o dourado, entre R$ 28 e R$ 30. O quilo do peixe mais popular, a corvina, ficava entre R$ 15 e R$ 18.

Central

Na principal central de abastecimento do Estado, o Ceasa, o comércio de peixes congelados também registra baixa procura para esta época. Os preços, no entanto, já começaram a variar. Segundo o sistema de cotação do Ceasa, a cioba, que tinha o preço médio de R$ 24, o quilo, na semana passada, saltou para R$ 28,50 no último dia 9. Já a castanha, peixe de pequeno porte e mais popular, manteve o preço estável em R$ 7,98, na média.

Para Marcos Barros, gerente de Informação de Mercado Agrícola, que faz o acompanhamento de preços praticados no Ceasa, a qualidade do peixe também influencia o preço. “Tamanho e qualidade do peixe se refletem no preço do produto e não apenas a proximidade da Semana Santa”, diz o gerente.

Marcos Barros afirma, ainda, que o preço do peixe congelado vendido no Ceasa não necessariamente irá aumentar na próxima semana. “O mercado está tão deprimido que eu não vejo muito espaço para os comerciantes aumentarem a margem deles não.” Barros acrescenta que o momento tem a ver com a baixa atividade econômica e seus desdobramentos, como o desemprego e a informalidade altos.

2,6 toneladas de pescados costumam ser vendidos no Mercado de São José no período da Quaresma.

R$ 28,5 é o preço médio do quilo da cioba no Ceasa. Valor deve ficar estável, segundo gerente do Centro de Abastecimento.

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