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Artesanais pernambucanas não usam substância de cerveja de Minas Gerais que já causou duas mortes

De acordo com a Associação Pernambucana das Cervejarias Artesanais (Apecerva), o episódio registrado em Minas é um fato isolado

Thiago Wagner Thiago Wagner
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Thiago Wagner
Publicado em 14/01/2020 às 23:08
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De acordo com a Associação Pernambucana das Cervejarias Artesanais (Apecerva), o episódio registrado em Minas é um fato isolado - FOTO: Foto: Pixabay
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Diante de vários relatos de intoxicação e da segunda morte investigada por contaminação pelo composto químico dietilenoglicol (DEG), possivelmente relacionada ao consumo da cerveja Belorizontina, da cervejaria Backer, de Minas Gerais, as cervejarias artesanais pernambucanas reforçam que não fazem uso da substância. De acordo com a Associação Pernambucana das Cervejarias Artesanais (Apecerva), o episódio registrado em Minas é um fato isolado, “que precisa ser lamentado, mas não deve trazer consequências ao mercado de cervejas artesanais pernambucano”.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o DEG é um solvente orgânico, altamente tóxico, que causa insuficiência renal e hepática, podendo inclusive levar a óbito quando ingerido. A substância pode ser utilizada por indústrias cervejeiras como anticongelante, mas, conforme a Apecerva, não é uma prática comum entre as fabricantes locais. “Todas as cervejarias aqui do Estado já confirmaram que não utilizam essa substância e estamos em consonância com o posicionamento da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), pedindo que a Anvisa proíba o uso da substância”, afirma o sócio da cervejaria Capunga e novo presidente da Apecerva, Victor Lamenha.

>> CEO da Backer pede para não consumirem cerveja Belorizontina de nenhum lote

“A substância não precisa ser usada e a gente apoia que não seja. Há produtos muito menos nocivos e com competitividade de compra. Ainda não recebemos retorno de todas as cervejarias de Pernambuco, mas já temos garantia da maioria de que não utiliza”, continua Lamenha.

A sócia-proprietária e responsável técnica na Cervejaria Patt Lou e no Instituto Ceres de Educação Cervejeira, Patrícia Sanches esclarece, ainda, que, mesmo quando usado, o dietilenoglicol não é exposto ao consumidor final, mas passa por tubulação externa, acessando o equipamento por fora do recipiente onde está a cerveja. “A ideia é resfriar o equipamento para que ele, por indução, esfrie o líquido interno, uma vez que os tanques cervejeiros são de inox, em sua grande maioria, e transferem a temperatura mais facilmente”, explica.

Ainda de acordo com ela, o DEG é uma substância cara para a maioria das realidades de nano e microcervejarias artesanais. “A indústria cervejeira, em sua maioria, faz uso de tanques com refrigeração externa (por solução hidroalcoólica). A substância refrigerante, neste caso, seria uma mistura de amônia e etanol diluída em água. Outra opção são tanques autorefrigerados (ou seja, os que fazem uso de gás refrigerante e um compressor, que são ligados na eletricidade)”, afirma.

PRODUÇÃO

Em Pernambuco, a Apecerva estima que sejam produzidos atualmente 300 mil litros de cerveja artesanal por mês. Só na associação, são filiadas 20 empresas que, por ora, não vislumbram nenhum tipo de impacto no consumo da bebida no Estado. “Não tenho menor preocupação de que isso afete o consumo. O consumidor tem discernimento do que está acontecendo lá e de que se trata de um episódio altamente isolado. A gente precisa lamentar, até porque há registro de mortes, mas está muito claro que é um caso isolado e sendo investigado com muita prioridade pela polícia”, reforça Lamenha.

O presidente da Abracerva, Carlo Lapolli, encaminhou, na segunda-feira (13), nota técnica às cervejarias associadas dando algumas orientações para a prevenção de contaminação indireta de cervejas. À Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi pedida a proibição cautelar da substância em fábricas de cerveja.

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