Coronavírus

Epidemias como o coronavírus causam prejuízos bilionários ao turismo

Todo trade turístico é afetado em momentos de epidemias como a do coronavírus

Marília Banholzer
Marília Banholzer
Publicado em 28/02/2020 às 18:58
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Foto: AFP
Todo trade turístico é afetado em momentos de epidemias como a do coronavírus - FOTO: Foto: AFP
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Mais de 50 países, de todos os continentes, já registraram a presença do coronavírus desde que ele foi registrado pela primeira vez, no dia 31 de dezembro de 2019, na China. A rápida expansão global do agente causador da Convid-19 gera tensão em diversos setores da economia, inclusive no turismo.

Os especialistas na área concordam que, por ora, os países com maior índice de contaminação são os principais afetados. Hoje, no Brasil, há apenas um caso confirmado da doença, então os reflexos da chegada do vírus ainda não estão sendo sentidos pelo trade local. Por outro lado, na emissão de turista para outros países já há impactos reais.

Dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês) estimam que, no mundo, a epidemia de coronavírus pode fazer o setor de turismo perder ao menos US$ 22 bilhões. Em epidemias anteriores também geraram um forte impacto econômico mundial. O H1N1, por exemplo, foi estimado em até US$ 55 bilhões com o surto em 2009. Um impacto econômico semelhante afetou a China, Hong Kong, Cingapura e Canadá após o surto de SARS em 2003, prejudicando o setor global de viagens e turismo entre US$ 30 e US$ 50 bilhões.

Agências remarcam viagens

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) alega que muitos clientes, por conta própria, têm buscado cancelar ou remarcar suas viagens. A organização, no entanto, esclarece que nenhuma localidade está com sua fronteira fechada e não há proibição para viajar para qualquer lugar.

Segundo vice-presidente da Abav, Marcos Teixeira, os brasileiros viajam pouco para países da Ásia, onde a epidemia surgiu. No entanto, a partir do momento que a doença se alastrou para a Europa e Estados Unidos os negócios envolvendo o turismo para esses destino começaram a perceber os impactos. "O foco agora é na Itália. Mas também há alerta para Alemanha, por exemplo. Já recebi uma foto de Milão sem ninguém na rua. Mesmo que a pessoa queira ir para um país onde há risco, o próprio turismo local está afetado", conta Teixeira.

A Cabo Verde Airlines está oferecendo cancelamentos e remarcações sem ônus para quem for para a Itália. Foto: divulgação

A Abav, inclusive, tem pedido aos fornecedores que não estabeleçam multas para os casos de remarcação de viagem, tendo em vista os casos confirmados do coronavírus. A orientação dada pela entidade é que não seja impostas taxas nesse momento; que coloquem opções de novas datas e novos roteiros sem custo adicional para os clientes.

Orientação do Procon

Essa é a mesma orientação dos órgãos de defesa do consumidor. O Procon Recife chegou a divulgar uma nota técnica com orientações ao consumidor sobre os pedidos de restituição ou adiamento de serviços contratados tais como: passagens aéreas, pacotes de viagens, diárias em hotéis, dentre outros correlatos.

O cliente que tentar o cancelamento ou alteração e encontrar dificuldade juntos aos prestadores dos serviços deve procurar orientação junto ao Procon. A presidente do órgão no Recife, Ana Paula Jardim, alerta que não é todo e qualquer cancelamento possível de ser efetuado legalmente sem a multa rescisória já que "é prática habitual nas contratações que envolvam serviços de pacotes turísticos, a previsão de cobranças a título de cláusula penal para o cancelamento ou remarcação de tais serviços."

A companhia aérea Cabo Verde Airlines, que tem voos partindo do Recife para a Europa, emitiu esta semana um comunicado em que oferece possibilidade de cancelamentos ou remarcação sem ônus para quem tiver passagem marcada para a Itália até o dia 20 de março deste ano.

Informação é arma contra pânico

Mesmo com as orientações para evitar viajar para locais com risco de contaminação, não é momento para pânico. Para o professor do curso de turismo e vice-coordenador do curso na UFPE, André Durão, o momento é de esclarecer dúvidas para não haver desinformação. “Estamos longe de ter um cenário de epidemia no Brasil, mas o momento é de clareza nas informações e de prevenção”, observa. André Durão ressalta que todo trade de turismo sofre, desde a agência de turismo que oferece passeios até as companhias aéreas. “O turismo é muito interligado , então é difícil especificar qual setor é mais impactado”, comenta.

Na Itália, estabelecimentos públicos estão cada vez mais esvaziados. Foto: AFP

Dono de uma cafeteria em Milão, na Itália, o pernambucano Clefferson Carneiro, que há 20 anos mora no país, conta que tem sofrido com a redução da clientela. "Tivemos a semana da moda a portas fechadas. Minha clientela que é metade local e metade turista tem diminuído. Temos até que fechar as portas mais cedo, antes abria às 11h e fechava à meia-noite, agora, por lei, temos que fechar às 18h", detalha Carneiro.

O empresário conta ainda que a forma de atender os clientes também mudou: agora há menos contato físico, além do uso de máscaras e álcool em gel para higienizar as mãos. É basicamente a mesma orientação dada pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih). A entidade enviou comunicado aos associados de todo o País recomendando a adoção das medidas indicadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com o objetivo de impedir que o novo coronavírus se dissemine pelo território nacional.

Outros pontos indicados para adoção incluem maior rigor na higienização de banheiros e locais de uso público e mais cuidado no manuseio de roupas sujas e de objetos de uso pessoal como talheres, pratos, copos ou garrafas, além de ações para desinfetar com detergente áreas de grande manuseio, como corrimãos e maçanetas.

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