Campeonato Argentino

Rebaixamento do River Plate reflete decadência do futebol argentino

A Argentina é famosa por produzir ótimos jogadores nas suas categorias de base, mas o nível do campeonato caiu muito por causa da hemorragia de talentos que seus clubes sofreram nos últimos anos

Do JC Online
Cadastrado por
Do JC Online
Publicado em 27/06/2011 às 22:03
Foto: Divulgação/PRF
FOTO: Foto: Divulgação/PRF
Leitura:

BUENOS AIRES - Oe rebaixamento do River Plate, um dos times mais populares do futebol argentino, reflete a decadência do campeonato local, que sofre com a saída em massa dos melhores jogadores para a Europa.

No domingo, o empate em casa no estádio Monumental por 1x1 no jogo de volta da repescagem contra o Belgrano de Córdoba condenou o River, que tinha sido derrotado por 2x0 na partida de ida.

Após o apito final do juiz, as ruas de Buenos Aires foram atingidas por uma onda de violência protagonizada pelos temidos barrabravas, torcedores mais radicais do clube. Mais de 50 pessoas ficaram feridas e 90 foram presas pela polícia. 

Cair para a segunda divisão foi a pior das humilhações para a torcida, mais acostumada a comemorar as vitórias de um clube que, em 110 anos de história, nunca tinha sido rebaixado. O River é o recordista de títulos no campeonato, com 33 conquistas nacionais.

Porém, com os problemas econômicos enfrentados pelos principais times argentinos, esse rebaixamento do River Plate pode ser visto como a crônica de uma morte anunciada.

Num passado recente, o clube ainda contava no seu elenco com grandes jogadores como Esteban Cambiasso (Inter de Milão), Javier Mascherano (FC Barcelona) ou Gonzalo Higuaín (Real Madrid).

Basta citar o nome desses três ilustres ex-jogadores que hoje brilham na Europa para entender que o River sofreu muito com o êxodo dos seus principais craques para o velho continente e seus contratos milhonários.

Diversas páginas seriam necessárias para registrar a lista completa de atletas negociados pelo time da capital argentina para o exterior. Entre eles, Hernán Crespo, Matías Almeyda, Ariel Ortega, Marcelo Gallardo, Pablo Aimar, Javier Saviola, Andrés  D'Alessandro, Fernando Cavenaghi, Maxi López...

"Já faz tempo que o River perdeu sua identidade. Isto é horroroso. É um dano muito grande para a história do clube", disse o ex-zagueiro do Jorge 'Pipa' Higuaín, pai de 'Pipita', Gonzalo Higuaín, atacante do Real Madrid.

"O River vendeu mal e comprou pior ainda. Foi assim que o problema começou", avaliou o sociólogo Sergio Berensztein.

Durante um década, até 2006, o clube arrecadou 228 milhões de dólares graças à transferência de jogadores, cifra que ainda aumentou nos últimos anos. Porém, apesar desse aporte financeiro, as contas nunca saíram do vermelho. No ano passado, balanço  financeiro registrou um passivo de US$ 52 milhões.

A Argentina é famosa por produzir ótimos jogadores nas suas categorias de base, mas o nível do campeonato caiu muito por causa da hemorragia de talentos que seus clubes sofreram nos últimos anos.

De acordo com um estudo da consultoria Gerardo Molina y Asociados/Euromericas Sport Marketing, a venda de jogadores argentinos para a Europa cresceu em 825% na última década, durante a qual o país exportou 2.204 atletas para o exterior.

No mesmo período, o Brasil vendeu 1.374 jogadores para clubes de outros países.

Esta decadência do futebol argentino também pode ser percebida no desempenho da sua seleção, que não conquista a Copa do Mundo desde 1986 e a Copa América desde 1993.

Leia mais na edição desta terça-feira (28/6) do JC.

Últimas notícias