Economia

Em crise, Odebrecht paga quase R$ 1 milhão em certidões ao Itaquerão

As certidões foram emitidas pela prefeitura de São Paulo com base em lei municipal formulada pela então prefeita Marta Suplicy

Folhapress
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Publicado em 01/07/2015 às 19:55
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As certidões foram emitidas pela prefeitura de São Paulo com base em lei municipal formulada pela então prefeita Marta Suplicy - FOTO: AFP
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SÃO PAULO - O grupo Odebrecht atravessa momento crônico pela prisão de seu presidente, mas se aproxima da aquisição do primeiro milhão de reais em CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) do Itaquerão.

O valor atualizado de aproximadamente R$ 800 mil serve para o Corinthians abater sua dívida com a construtora nas obras do estádio. A quantia total de CIDs emitidas é de R$ 465 milhões e corresponde a quase 40% do preço atualizado do estádio, que é de R$ 1,2 bilhão.

A compra de certidões foi feita no orçamento de duas obras que possuem a participação da empresa. O consórcio responsável pela Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, com a Odebrecht Infraestrutura como uma das integrantes, adquiriu R$ 513 mil em CIDs. Já a obra da Ponte Itapaiúna, realizada apenas pela Odebrecht Infraestrutura, comprou outros R$ 285 mil.

As certidões foram emitidas pela prefeitura de São Paulo com base em lei municipal formulada pela então prefeita Marta Suplicy (2001-2004). Elas podem ser compradas por interessados em pagar tributos municipais, como IPTU e ISS, com esses títulos.

A emissão das CIDs teve início em 2011, mas a conclusão atrasou. Recentemente, o fundo que administra o estádio conseguiu a totalidade das certidões e ainda o Termo de Conclusão de Investimento, o que autoriza a comercialização. A intenção do fundo é atrair outras empresas além da Odebrecht para acelerar o pagamento.

Neste mês, por sinal, o fundo do estádio também pagará a primeira parcela mensal ao BNDES no valor de R$ 5 milhões por conta do financiamento da obra que tem nova previsão de conclusão, agora em agosto.

Investigada na 14ª fase da Operação Lava Jato, a empreiteira tem atualmente preso o presidente Marcelo Odebrecht. Nesta semana, a Justiça negou pedido de liberdade apresentado por seus advogados.

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