VIOLÊNCIA

Polícia Civil divulga balanço com presos e imagens da operação VAR

Dez agressores foram detidos, membros da Torcida Jovem. Entre eles, o presidente da organizada

Diego Borges
Diego Borges
Publicado em 04/09/2018 às 14:16
Foto: Divulgação/Polícia Civil
Dez agressores foram detidos, membros da Torcida Jovem. Entre eles, o presidente da organizada - FOTO: Foto: Divulgação/Polícia Civil
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A Polícia Civil divulgou na manhã desta terça-feira, na sede operacional, o saldo da primeira incursão da operação VAR, realizada em parceria com a Delegacia de repressão à Intolerância Esportiva, que capturou dez acusados nas últimas 24 horas. Entre os capturados, o presidente e um diretor da Torcida Jovem foram detidos após serem identificados a partir dos vídeos registrados pelas câmeras de segurança do Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Jaboatão.

A agressão generalizada aconteceu durante a madrugada do último dia 29 de maio, quando cerca de 30 membros da Torcida Jovem abordam cerca de dez membros da Torcida Galoucura, cuja imagem é associada ao Atlético-MG. Para o diretor do Comando de Operações e Recursos Especiais (CORE), Joel Venâncio, o episódio faz parte de uma batalha entre duas organizadas do estado, apoiada por outros grupos.

"É uma verdadeira guerra entre a Torcida Jovem e a Inferno Coral (que tem imagem associada ao Santa Cruz). Como a Galoucura é associada da Inferno Coral, logo que chegaram ao aeroporto e foram agredidos. Se depararam com o ataque", explicou o delegado.

'VAR'

O nome que batiza a operação faz alusão à ação dos árbitros no jogos de futebol, que buscam tirar dúvidas sobre os lances controversos a partir das imagens. Sob a mesma lógica, a Polícia Civil buscou identificar os agressores. As imagens capturadas pelo circuito de segurança do Aeroporto dos Guararapes foram confrontadas com fotos e publicações dos membros da Torcida Jovem em suas redes sociais. Objetos como roupas e chapéus foram fundamentais no processo.

"Um trabalho minucioso, que requer tempo. Precisamos consultar as redes sociais e realizar o reconhecimento a partir de objetos que a pessoa já tenha usado em alguma ocasião e que tenha sido registrado", aponta o diretor o CORE.

As filmagens exibidas mostram a ação comandada por Henrique Marques Ferreira, 32 anos, presidente da Jovem e dono do veículo usado para transportar os agressores, que também apreendido.

"O caso do Henrique é o que chama mais atenção. É a terceira vez em que ele é preso. Uma vez, inclusive, ele foi preso no estado de São Paulo, onde estava acolhido pela torcida Independente, do São Paulo. Inclusive foram prender ele dentro do Morumbi. Ele vinha assumindo esse cargo de presidente da Torcida Jovem e se valendo disso para liderar vários crimes e vários ataques", afirma Joel Venâncio, antes de alertar. "É uma pessoa muito perigosa e precisa passar um bom tempo segregado, para que esses crimes cessem e que ele possa responder por um bom tempo pelo que fez."

CRIME PREMEDITADO

Ainda para o diretor do CORE, a ação foi premeditada e articulada com o apoio de Jonata Brasil de Oliveira Brito, 33 anos, conhecido como 'Maníaco'. Ele foi o responsável por observar o desembarque dos membros da Galoucura e informar a localização dos ataques.

"A gente percebe que houve um planejanmento para essa agressão. Dentro do aeroporto tinham pessoas atuando de olheiros, que não estavam com roupa de time, passando as informações para que o grupo fizesse o ataque", explicou.

Os dez acusados foram todos indiciados pelos crimes de roubo, lesão corporal e organização criminosa. Por ter ocorrido dentro do aeroporto, estabelecimento que pertence à União, a Polícia Federal será encarregada de realizar a denúncia por danos ao patrimônio público, e até por perturbação da ordem no aeroporto.

"As pessoas que estavam no local ficaram apavoradas. Praticamente causou a paralisação do serviço no aeroporto", destacou Joel venâncio, com base nas imagens exibidas, onde pessoas chegaram até a usar a esteira das bagagens como rota de fuga das agressões.

OS DETIDOS

Henrique Marques Ferreira, 32 anos

Presidente da Torcida Jovem e participante de outros delitos como a confusão envolvendo a Jovem em Curitiba, em 2015, além do confronto realizado no bairro do Parnamirim, no último dia 8 de julho, antes da partida entre Santa Cruz e Remo. Tem antecedentes criminais por tráfico e consumo de drogas indevidas.

Bruno Batista da Silva, 32 anos

Conhecido como 'Priscila', é diretor da Torcida Jovem e acumula passagem no sistema prisional por tráfico de drogas e condutas afins, além de crimes registrados no Sistema Nacional de Armas.

Jonata Brasil de Oliveira Brito, 33 anos

Apelidado de Maníaco, foi o 'olheiro' e informante da Jovem no desembarque da Galoucura. Não possuía antecedentes criminais até então.

Edipo Ruan Peixoto de Oliveira, 25 anos

Possuía antecedentes por contravenção penal e provocação de tumulto.

Alex Sandro de Melo Souto, 23 anos

Também possuía antecedentes, mas por provocar tumultos.

William André Dias da Silva, 21 anos

Sem antecedentes criminais.

Marcel Fernandes da Silva, 29 anos

Conhecido como 'Barbeiro', também não tinha antecedentes registrados até o caso.

Kayo Felipe Costa dos Santos, 21 anos

Sem antecedentes

Rafael Guilhermes dos Santos, 19 anos

Sem antecedentes

Arthur Vitor dos Santos, 21 anos

Sem antecedentes

Todos os dez acusados tiveram a prisão preventiva executada e aguardam julgamento em regime de reclusão. "Certamente vai ser levado em conta além da gravidade do caso concreto, os antecedentes para efeito de fixação de pena", acredita Joel Venâncio.

APOIO DA POPULAÇÃO

A operação VAR ainda não encerrou. Segundo o diretor do CORE, o trabalho de identificação dos demais agressores pode se tornar ainda mais eficaz com o apoio da população, caso identifique algum dos agressores flagrados pelo sistema de segurança. "É importante que a população possa entrar em contato. A nossa expectativa é de que a polícia possa identificar outras pessoas e que as pessoas possam denunciar", destaca.

"É importante que essas pessoas sejam responsabilizadas e presas, porque são um perigo em liberdade e que isso sirva de desestímulo de uma ação criminosa", complementa.

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