SONHO

O haitiano que sobreviveu ao terremoto pra jogar a Copa dos Refugiados

Benedic Joseph saiu do seu país para realizar o sonho de ser jogador de futebol

Leonardo Vasconcelos
Leonardo Vasconcelos
Publicado em 15/09/2019 às 15:04
Leonardo Vasconcelos / Especial para o JC Imagem
Benedic Joseph saiu do seu país para realizar o sonho de ser jogador de futebol - FOTO: Leonardo Vasconcelos / Especial para o JC Imagem
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No time campeão da Copa dos Refugiados e Imigrantes, neste domingo (15), na Arena de Pernambuco, estava um jogador que já se considerava um campeão só por estar vivo. Benedic Joseph. Vinte e sete anos. Há nove sobreviveu ao terremoto que devastou o seu país, o Haiti. Perdeu muito. Parentes, amigos, bens. Menos o sonho de ser jogador de futebol.

 

“Todos sabem que o meu país é o mais pobre da América Latina. Mesmo antes do terremoto, que mateou quase 300 mil pessoas, a situação lá já era bem precária. Depois da tragédia ficou ainda pior. Mesmo assim eu nunca tive o desejo de sair de lá. Mas eu não vi mais saída pra alcançar meu sonho de ser jogador profissional”, contou.

Ele entrou em contato com o irmão que havia se mudado para Pernambuco e conseguiu com conhecidos, em 2012, uma chance no Democrata Futebol Clube, de Sete Lagoas, em Minas Gerais, que disputa a segunda divisão do campeonato mineiro. Atuando de volante e meia, passou lá três anos, até que infelizmente teve uma grave lesão e rompeu os ligamentos da perna direita.

Como estava machucado, resolveu vir para o Recife, onde passou um ano com o irmão. “Pernambuco foi o local em que me senti mais em casa. Apesar de ser bem longe, achei aqui muitas coisas parecidas. São pessoas acolhedoras que, assim como eu, também tem a superação na história”, disse. Mesmo se sentindo bem aqui, resolveu voltar a estudar e há três anos passou a cursar administração pública, em Foz do Iguaçu. Recentemente voltou a se aproximar da sua paixão atuando por um time amador local.

SONHO

Benedic recebeu o convite para voltar à sua segunda casa, Pernambuco, para atuar na Copa dos Refugiados e Imigrantes. Apesar de ser haitiano, defendeu a seleção de Cabo Verde. A camisa pouco importa para quem realizou o sonho de jogar em um estádio de Copa do Mundo. Ele não fez gol, mas conseguiu dar assistência para um. “O futebol realizou esse meu sonho e me possibilitou me expressar com a coisa que mais gosto de fazer: jogar bola”, finalizou. Feliz.

 

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