NÁUTICO

Confraria 'Ver o Timba' estreita laços do Náutico entre Recife e Belém

Grupo de alvirrubros transformou o amor em comum pelo Náutico em uma espécie de atalho

Diego Borges
Diego Borges
Publicado em 31/08/2019 às 9:05
Foto: Ver o Timba / Cortesia
Grupo de alvirrubros transformou o amor em comum pelo Náutico em uma espécie de atalho - FOTO: Foto: Ver o Timba / Cortesia
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Em um país de proporção continental como o Brasil, a migração interna é um fenômeno socioeconômico bastante comum e é fator fundamental do processo de urbanização, como na formação da cidade de Brasília, por exemplo. Pernambuco não fica alheio a isso. Muito pelo contrário. Não é nada raro encontrar filhos da ‘Terra dos altos Coqueiros’ em outras capitais e centros urbanos brasileiros. E em Belém, capital do Pará, um grupo de alvirrubros transformou o amor em comum pelo Náutico em uma espécie de atalho para encurtar os 2032 Km de distância até a terra natal.

Fundada em fevereiro de 2016, a Confraria Ver o Timba - referência ao turístico Mercado Ver o Peso - é a principal acolhedora de torcedores do Náutico no Pará. “Tínhamos um grupo de Whatsapp apenas com pernambucanos e fizemos uma reunião de natal, em 2015.  Falamos sobre tudo e no meio da história vimos que tinham muitos alvirrubros. Então marcamos para ver os jogos da temporada 2016 juntos em um restaurante e foi quando fundamos a confraria”, relembra o torcedor Henrique Quik, fundador do grupo ao lado dos amigos Jurú, Felipe e Faustino.

CRESCIMENTO E REGULARIZAÇÃO

De lá para cá, o grupo cresceu. Hoje são cerca de 30 confrades espalhados entre a capital Belém e outras cidades do interior do estado, como Marabá e Tucuruí. “Conhecemos mais gente e sempre encontrávamos novos torcedores que moram na cidade. Inclusive a comunidade pernambucana também cresceu”, completa o torcedor, que embora tenha retornado ao Recife, segue como presidente aclamado da confraria.

O progresso da Ver o Timba não foi apenas nos números. Desde o final de 2018, o Náutico formalizou os grupos ao redor do país. “À época (em 2016) entramos em contato com o Náutico e o clube não tinha ainda as confrarias regularizadas. No final do ano passado o clube fez uma reunião e legalizou no estatuto as confrarias. Agora temos o regimento das confrarias e hoje somos reconhecidos pelo Náutico.”

Além do reconhecimento no papel, os torcedores espalhados pelo país também possuem vantagens em uma categoria de sócio exclusiva. uma Aos poucos, o grupo foi crescendo. “O Náutico está disponibilizando ingressos para os sócios confrades, da categoria. O sócio para R$ 12,90 por mês, até porque não temos como usufruir in loco, mas tem o ingresso garantido quando o clube vai jogar na sua cidade”, explicou Henrique Quik, que projeta uma boa participação alvirrubra nas arquibancadas. “Vamos para o jogo em massa, todos.”

SEGURANÇA

Uma das maiores preocupações para os torcedores visitantes é sempre a questão da segurança. Mas em Belém, há um bom convívio entre as duas torcidas. “Tratam muito bem, inclusive aconteceu um fato inusitado aqui esta semana. Um amigo nosso foi comprar ingresso do jogo com a camisa do Náutico na sede do clube e lá viu torcedores do Paysandu comprando ingressos para amigos torcedores do Náutico. São parceiros”, destacou o presidente da confraria, embora recomende cuidados necessários.

“Em todos os jogos em que o Náutico jogou enquanto morei lá (em Belém), fosse no Mangueirão ou na Curuzu, não teve confusão alguma. Agora, nós íamos precavidos, sem vestir a camisa ou em grupos de amigos. A gente marca sempre um local para reunir o grupo próximo ao Mangueirão. Ficamos esperando todos e vamos juntos ao jogo para o evitar problemas de confusão. Mas de modo geral as torcidas se respeitam”, completa.

MOMENTOS MARCANTES

O administrador Fernando Ponte é mais um pernambucano radicado em Belém há uma década. Ele também acredita que o ambiente no domingo será amistoso. “O clima para a torcida do Náutico não vai ser pesado. A torcida do Paysandu estava ano passado com a gente. O clima é bom. Não tem estresse. O entorno do Mangueirão lembra o do Arruda. Claro que tem que ter os cuidados básicos de qualquer capital do Brasil, mas é tranquilo. A torcida do Paysandu de forma geral tem uma simpatia pelo Náutico até porque os rivais dos dois são leões”, brincou.

Fernando, inclusive, relembra uma partida entre as duas equipes em 2015, onde o filho Pedro Ponte, também alvirrubro, entrou em campo como mascote ao lado de Yago Pikachu, então ídolo do Papão.  “Fui para o jogo do Mangueirão e o Náutico ganhou por 1x0. A boa lembrança que marcou é que meu filho entrou com o time do Paysandu ao lado do Yago e com o boneco do Pikachu. Fiquei na torcida do Paysandu meio disfarçado, mas consegui comemorar”, lembra o torcedor.

Em 2016, última partida do Náutico contra o Paysandu em Belém, os torcedores foram recepcionados pelos atletas, o que aqueceu ainda mais o sentimento dos torcedores locais. “Quando a gente mora longe, qualquer sinal de gentileza é muito bom, porque é muita saudade do nosso time e da nossa terra. Isso foi muito importante para nós que estamos longe. Fez com que a gente só aumentasse a chama do amor pelo Náutico. É muito importante”, aponta Henrique Quik.

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